quarta-feira, 15 de agosto de 2018

O salto do número de casos da hepatite A

Aumento expressivo do número de pessoas com essa infecção em cidades brasileiras preocupa as autoridades. Veja como se proteger

hepatite a é contagiosa

Segundo a Secretaria de Saúde de São Paulo, durante o ano de 2016 foram registradas 64 notificações de hepatite A no estado paulista. Em 2017, o número pulou para 786. Nos quatro primeiros meses de 2018, a cifra já está em 301 indivíduos e, ao que tudo indica, o total de infectados será ainda maior até dezembro.
Mas o que explicaria esse fenômeno, que se repete na mesma velocidade em outros municípios? “No cenário atual, a infecção está atingindo principalmente homens que fazem sexo com homens”, observa o médico Paulo Abrão, da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Nesses casos, o principal tipo de contágio é o sexo oral – outras formas envolvem a ingestão de água ou comida contaminadas pelo vírus. “As formas de prevenção incluem tomar a vacina contra a hepatite A, limpar bem os alimentos antes de consumi-los e fazer uma boa higiene do corpo“, lista Abrão.

Perfil da infecção

Contágio: o vírus invade o organismo pela boca. No surto dos últimos meses, o risco está ligado sobretudo a sexo oral sem proteção.
Sintomas: vômito, febre e icterícia podem pintar. Na maioria das vezes, o quadro evolui bem. Raramente, o fígado sofre uma hepatite fulminante.
Tratamento: nesses casos mais graves, é necessário agir com extrema rapidez para evitar a morte. O indivíduo precisa de um transplante urgente.
Vacina: disponível na rede pública desde 2014 para crianças com mais de 12 meses de vida, ela pode ser tomada em qualquer faixa etária.
Fonte: Revista saúde

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Hemofilia: novo remédio traz mais segurança e comodidade

hemofilia novo remédioTratamento aumenta o número de boas notícias no controle a doença, marcada pela perda excessiva e incontrolável de sangue.


Nosso corpo tem um sistema muito inteligente para estancar sangramentos e impedir o desperdício de um líquido tão primordial: um conjunto de 13 proteínas age em sequência para permitir que o processo de coagulação ocorra normalmente. Nos pacientes com hemofilia, problema hereditário que afeta mais de 11 mil brasileiros, há uma falha na oitava ou na nona proteína dessa cascata. Assim, qualquer pancada ou corte na pele se torna um verdadeiro risco à vida — isso quando a perda de sangue não acontece espontaneamente.
A única maneira de evitar uma sangria desatada era repor essas proteínas por meio de três ou quatro infusões semanais. Apesar de ser um procedimento vital para evitar as complicações, os pacientes sempre se queixaram da falta de comodidade e dos incômodos de levar tantas picadas para encontrar as veias. E isso sem contar o fato de 30% deles desenvolverem uma espécie de reação imune à reposição dos fatores de coagulação. Nesses casos, o organismo começa a produzir anticorpos que atacam as substâncias utilizadas na terapia, que deixa de funcionar a contento. 
Mas há uma novidade no front: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de liberar no país a venda do medicamento emicizumabe. Ele está indicado para os indivíduos com a hemofilia do tipo A (quando o defeito está na oitava proteína daquela cascata). “Nos estudos que serviram de base para a aprovação, observamos uma redução de 100% nos sangramentos entre os voluntários que desenvolveram inibidores ao tratamento usual”, destaca o médico Lenio Alvarenga, diretor da Roche Farma Brasil, laboratório responsável pelo fármaco recém-lançado.
Outra vantagem da nova droga está na forma de aplicação: saem de cena as infusões intravenosas dia sim, dia não, e entram as injeções subcutâneas, tomadas uma única vez na semana. “Estamos falando de uma melhora drástica na qualidade de vida, o que se traduz no maior avanço nessa área dos últimos 20 anos”, ressalta Alvarenga. O preço da medicação ainda está em análise e discussão nas instâncias governamentais.

Maré de boas novas

A chegada do emicizumabe em terras brasileiras é mais um exemplo de uma revolução que acontece atualmente na hemofilia. Em 2016, a farmacêutica Biogen já havia trazido um princípio ativo de longa duração para quem tinha o tipo B da enfermidade (quando a falha está no fator nove da coagulação). No ano passado, foi a vez de a Pfizer anunciar conquistas importantes no desenvolvimento de um método capaz de consertar a mutação genética por trás da condição — resultados mais conclusivos sobre essa proposta são esperados para os próximos anos.
Fonte: Revista saúde

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Os sinais de ansiedade no dia a dia

Sintomas físicos e mentais desse transtorno psiquiátrico costumam aparecer no cotidiano (ou diante de alguns desafios). Veja como identificá-los

Sinais da ansiedade e sintomas físicos das crises (falta de ar)
A diferença entre uma preocupação normal e a ansiedade muitas vezes está na intensidade dos sintomas e sinais. Até pensando nisso, a Associação Americana de Depressão e Ansiedade listou exemplos de como uma pessoa com esse transtorno psiquiátrico se comporta frente a situações comuns no dia a dia, em comparação com outra sem ele.
Claro que não dá para diagnosticar o problema só com base nas pistas abaixo. Mas elas podem levantar a suspeita para o quadro e agilizar a busca por um profissional de saúde, que cravará a presença de ansiedade ou não.

Preocupações

Sem ansiedade: ficar preocupado com o pagamento das contas do mês, com o risco de ser demitido, com o término de um relacionamento amoroso…
Com ansiedade: Pensar constantemente que essas possibilidades (falta de dinheiro, demissão, pé na bunda, entre outros) vão ocorrer a qualquer segundo.

Medos

Sem ansiedade: medo realista de algum objeto, lugar ou situação que podem ferir ou matar.
Com ansiedade: temor irracional de algo que, na verdade, não representa grande perigo.

Traumas

Sem ansiedade: se sentir triste ou não conseguir dormir direito depois de passar por um evento traumático.
Com ansiedade: pesadelos recorrentes e incapacidade de tirar da cabeça essa sensação desagradável.

Festas e reuniões

Sem ansiedade: se sentir estranho ou ligeiramente desconfortável em ocasiões sociais, como festas e reuniões.
Com ansiedade: fugir dessas situações a todo custo pelo medo de ser julgado, constrangido ou humilhado por estranhos.

Provas ou apresentações no trabalho

Sem ansiedade: ficar nervoso ou suar bastante durante uma prova ou uma apresentação no trabalho.
Com ansiedade: dificuldades para respirar ou falar e ficar com o coração acelerado, a ponto de não cumprir a tarefa.
Fonte: Revista saúde

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Poliomielite, uma gotinha de bom senso

reação da vacina poliomielite o que éNossa colunista explica por que ainda não vencemos a pólio — e por que a doença, para a qual existe vacina, pode voltar a nos assombrar

Quem era criança nas décadas de 1950 e 1960 deve se lembrar bem do medo da poliomielite. Uma das imagens mais icônicas dessa era são os pulmões de aço, máquinas onde crianças acometidas pela doença podiam passar semanas internadas, muitas vezes saindo de lá com sequelas motoras que carregariam para a vida toda.
A pólio é causada por um vírus, não tem cura e só existe uma forma eficaz de preveni-la, a vacina. Normalmente o mal se propaga assim: o vírus entra pela boca e multiplica-se na faringe e no trato gastrointestinal, o que resulta em sua disseminação tanto pela saliva como pelas fezes. Essa característica faz com que a doença seja de fácil contágio. O vírus é contagioso, porém não tão agressivo. A maior parte das infecções não provoca sintomas. Cerca de 25% das pessoas afetadas apresentam manifestações que recordam uma gripe leve: febre, dor de cabeça e de garganta, nariz escorrendo, náusea…
A versão mais grave, a poliomielite paralítica é, na verdade, muito rara. Ocorre em menos de 1% dos indivíduos infectados — geralmente crianças com menos de 5 anos. Nesses casos, o vírus ataca o sistema nervoso, levando a  danos motores e respiratórios. Em situações ainda menos comuns, pode até matar.
Ainda assim, dadas a facilidade do contágio e a seriedade das sequelas — sem falar no alto custo dos tratamentos para os casos graves —, a doença tornou-se motivo de preocupação na esfera da saúde pública. Não à toa, em meados do século passado, houve grande investimento nos Estados Unidos para o desenvolvimento de vacinas contra a pólio. Desses esforços nasceram dois imunizantes mundialmente famosos e eficazes. A vacina Salk, que utiliza vírus inativados (mortos) e é administrada via injeção intramuscular. E a vacina Sabin, que se vale de vírus atenuados e é dada via oral — daí a campanha com o Zé Gotinha no Brasil.
No Brasil e na maioria dos países em desenvolvimento, as redes públicas de saúde recorrem à vacina Sabin. Ela é cinco vezes mais barata que a Salk e não requer seringas estéreis tampouco profissionais especializados para aplicá-la. Além disso, por ser ingerida, confere imunidade na mucosa do intestino, passo importante para bloquear a cadeia de transmissão. A vacina Salk, por sua vez, vai direto para a corrente sanguínea, concedendo imunidade apenas para quem foi vacinado.
Para ficar mais fácil de entender: se você tomar a Salk, estará seguro. Ao ser infectado pelo vírus da pólio por aí, não ficará doente, porque terá anticorpos para defendê-lo. No entanto, esse vírus poderá replicar-se em seu intestino e, espalhando-se pelas fezes, infectar outras pessoas.
Agora, se você tomar a vacina Sabin, o vírus vacinal (aquele atenuado e que não causa doença) chega ao seu intestino, estimula a produção de anticorpos ali e isso impede que a doença se alastre. A estratégia das gotinhas têm mais uma vantagem. Quando temos uma campanha de vacinação, todo mundo toma as vacinas ao mesmo tempo e, assim, os vírus vacinais fraquinhos podem circular e conferir uma imunidade passiva para quem não se vacinou. Isso é importante especialmente em locais com pouco saneamento básico.
Graças às vacinas e um esforço público-privado liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 1988 — a chamada Iniciativa Global para Erradicação da Pólio —, a doença foi quase exterminada do planeta. Em 1988, a OMS notificou mais de 350 mil casos no mundo. A pólio era endêmica em 125 países. Desde então, mais de 10 bilhões de doses da vacina Sabin foram distribuídas pelo planeta, imunizando 3 bilhões de crianças. Em 2005, apenas 2 mil casos foram reportados.
Apesar da queda vertiginosa, o número ainda está acima do esperado. A expectativa da OMS era erradicar completamente a pólio até o ano 2000.  Isso ocorre porque existem três países onde a poliomielite persiste por falta de vacinação: Nigéria, Paquistão e Afeganistão.
Uma das razões para essa situação é que grupos religiosos extremistas espalham boatos contrários à imunização. Eles pregam que as vacinas fazem parte de um plano do Ocidente imperialista para esterilizar meninas e espalhar outro vírus, o HIV. Além disso, agentes da OMS são frequentemente atacados em campanhas de vacinação por grupos religiosos radicais.

Sofre um, sofrem muitos

Mas qual seria o problema de termos somente três países enfrentando a pólio no mundo? Ora, o problema é que, além das máculas internas, eles colocam o resto do mundo em risco. Enquanto não erradicarmos por completo a doença, sempre haverá a possibilidade de novos surtos. Quando a cobertura vacinal cai, cai também o que chamamos de “imunidade de rebanho”. Cenário ideal para o vírus voltar a circular.
Se em terras nigerianas, paquistanesas e afegãs o desafio reside no extremismo religioso, no mundo ocidental o entrave ganha corpo com o crescente movimento antivacina. Movidos por mitos como o de que as vacinas é que espalham doenças ou a uma ideologia naturalista, muitos pais e mães, inclusive no Brasil, estão deixando de imunizar seus filhos. Para completar, é comum que conflitos bélicos ou condições precárias resultem na queda da cobertura vacinal, como de fato ocorreu com a Síria, vítima de uma guerra há anos e de um surto de pólio em 2017.
E o Brasil com isso? Pois em nosso país, onde a poliomielite é considerada erradicada desde 1990, o Ministério da Saúde acaba de identificar 312 cidades onde a cobertura da vacinação foi menor do que 50%. O recomendado pela OMS é 95%. Qualquer coisa abaixo do índice de 80% já é preocupante, que dirá menos que 50%?! Assim, da mesma maneira como aconteceu com o sarampo nos Estados Unidos e na Europa, a pólio pode ressurgir por aqui. Onde falta vacinação adequada, doenças se alastram ou voltam a aparecer.
Foi exatamente isso que aconteceu com o Congo neste ano. O país africano está enfrentando um surto de pólio que já paralisou 29 crianças. O episódio foi causado por um vírus vacinal, mas só aconteceu porque a cobertura da vacinação está abaixo do esperado. O fenômeno nos remete à única desvantagem da vacina Sabin. Como ela é feita de vírus vivo atenuado, quando ele circula no ambiente, pode eventualmente sofrer mutações e readquirir virulência. Ou seja, ele deixa de ser “fraquinho”, incapaz de causar doença, e pode voltar a provocar pólio. Mas, e isso é muito importante, só vai causar doença em pessoas não vacinadas! Quem tomou a vacina está e estará sempre protegido.
 

Vírus contra vírus

Para visualizar melhor as consequências dessa história, imagine uma população parcialmente vacinada. As crianças que tomaram a vacina multiplicam o vírus atenuado em seus intestinos e liberam suas cópias no ambiente por semanas. A contaminação oral viabiliza o contágio e o vírus chega a crianças não vacinadas.
Nesse meio tempo, o vírus atenuado sofre uma mutação e recupera sua força. Ora, mutações sempre ocorrem na natureza. Se esse quadro se repetir, o vírus terá tempo suficiente para adquirir mutações, voltando a se tornar realmente perigoso. Eis que, repaginado, ele infecta uma criança que não foi imunizada. No intestino dela, ele se replica e é escoado para o ambiente. Agora temos um vírus vivo, capaz de causar doença, circulando por aí entre crianças não vacinadas. É assim que ocorrem surtos com os vírus vacinais. A única maneira de combatê-los é a mesma que se aplica ao vírus selvagem, aquele encontrado na natureza: vacinando a população.
Toda essa história serve para refletir que precisamos erradicar de vez essa doença e, aí, parar de usar a vacina viva, a Sabin E, para erradicar a pólio, temos que vacinar todo mundo. É isso mesmo: temos que vacinar para poder parar de vacinar. Uma vez que tivermos a certeza de que o vírus foi abolido — como já fizemos com a varíola —, poderemos nos dar ao luxo de aposentar a vacina Sabin. Alguns países, como os EUA, já usam apenas a vacina Salk. Mas o custo e o manejo tornam essa alternativa inviável para nações em desenvolvimento, justamente aquelas em que a imunização se faz mais necessária.
É nesse contexto que o caso do Brasil fica mais preocupante. Vivemos em um mundo globalizado. Temos três países onde o vírus selvagem circula e outros com surtos do vírus derivado da vacina em função de uma cobertura vacinal inadequada. Se um desses vírus desembarcar por aqui, em uma das 312 cidades com taxa de vacinação abaixo dos 50%, o início do estrago está feito.
O Brasil sempre foi referência mundial em vacinação. Seja por boatos infundados nas redes sociais, seja pelo desmonte do SUS, seja porque essa geração de pais e mães nunca vivenciou a perda de entes queridos para doenças infecciosas, estamos começando a perder uma guerra que já estava vencida há 30 anos. Repito o que já disse antes por aqui: as vacinas continuam sendo vítimas do seu próprio sucesso. Mas não custa lembrar das crianças presas por semanas nos pulmões de aço, felizes por sair de lá com vida, ainda que com sequelas motoras.
E saber que basta uma gotinha para prevenir esse sofrimento. Não é possível que não tenhamos uma única gota de bom senso! 
 
Fonte: Revista saúde 

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Colesterol baixo, coração a salvo

colesterol altoUma classe de remédios que derruba pra valer o LDL passa pelo teste final e mostra seu poder de fogo contra infartos e derrames

Aprovados desde 2016 no Brasil, os inibidores de PCSK9 já tinham demonstrado que são capazes de diminuir bastante o LDLcolesterol ruim. Mas ainda havia gente se perguntando se essa queda nos níveis de gordura estaria relacionada a um menor número de problemas como ataque cardíaco e AVC.
Enfim veio nova prova: numa pesquisa com 18 mil pacientes, a droga alirocumabe, das farmacêuticas Sanofi e Regeneron, reduziu o risco de piripaques cardiovasculares em 24%. “Não tínhamos grandes avanços no tratamento do colesterol desde a década de 1980″, comemora o cardiologista brasileiro Renato Lopes, professor da Universidade Duke, nos Estados Unidos, e coordenador da pesquisa.
O evolocumabe, do laboratório Amgen, que também integra essa classe terapêutica, já havia obtido os mesmos resultados positivos anteriormente.

Para quem ele é indicado?

Os inibidores de PCSK9 são injetáveis e aplicados uma vez ao mês ou a cada 15 dias. No Brasil, ele pode ser prescrito nos casos de hipercolesterolemia familiar, uma condição genética relativamente comum que faz o colesterol ir às alturas, ou para pessoas que não conseguem fazer o controle com as estatinas.
 

Comprimido antes de botar um stent no peito

As estatinas são o medicamento mais consagrado no controle do colesterol. Mas será que usar uma dose desse fármaco após um infarto traria benefícios? Um estudo do Hospital do Coração (SP) indica que a medida pode realmente ser bem-vinda. Dos 4 200 pacientes que foram ao serviço de emergência depois de um ataque cardíaco, metade tomou o comprimido, enquanto a outra parcela engoliu pílulas sem princípio ativo.
“De acordo com os resultados, o uso da estatina reduz as mortes entre os indivíduos que precisaram passar por uma angioplastia ou pela colocação de um stent nas artérias do coração”, diz o cardiologista Alexandre Biasi, diretor do Instituto de Pesquisa do centro médico paulistano. Acredita-se que a estatina tenha um efeito anti-inflamatório e aumente o calibre dos vasos sanguíneos. 
 
Fonte: Revista saúde 

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Nozes para turbinar a fertilidade?

Segundo pesquisa, o alimento ajuda a melhorar a contagem e a mobilidade dos espermatozoides

nutrição fertilidade com nozesEstá cada vez mais claro que os hábitos de vida têm tudo a ver com as chances de um casal engravidar. E uma prova extra disso apareceu há poucos dias no congresso da Sociedade Europeia de Reprodução e Embriologia Humana. É que cientistas da Universidade Rovira i Virgili, da Espanha, apresentaram um estudo que associou o consumo de nozes a uma melhora na fertilidade de indivíduos saudáveis.
O trabalho contou com a participação de 119 homens. Durante a intervenção, todos continuaram com sua dieta de estilo ocidental (marcada pela presença de produtos processados e refinados, carnes e fast food), mas só uma parte adicionou 60 gramas de nozes no dia a dia – cerca de dois punhados. Os pesquisadores esperaram 14 semanas para ver de que maneira isso impactaria no sêmen dos voluntários.
“Esse é o período adequado para verificar o espermograma [exame que mede a qualidade do esperma], já que é o tempo do ciclo de formação do espermatozoide”, comenta Guilherme Wood, médico urologista e especialista em reprodução humana da Huntington Medicina Reprodutiva, em São Paulo.
A turma que comeu a oleaginosa viu uma melhora de 16% na contagem de espermatozoide, de 4% na vitalidade deles, de 6% em sua motilidade e de 1% na morfologia. De acordo com os autores, todos esses parâmetros estão relacionados com a fertilidade masculina.
Além disso, os consumidores de nozes apresentaram uma redução significativa nos níveis de fragmentação no DNA dos espermatozoides. “Um DNA mais fragmentado prejudica a gravidez natural, aumenta o risco de aborto e atrapalha o resultado de uma reprodução assistida”, explica Wood.

O que as nozes têm de especial

Falamos de um combo, já que essas oleaginosas são ricas em ômega-3 – um nutriente de potencial anti-inflamatório – e outras gorduras boas, além de vitaminas e minerais. Mas os pesquisadores acham que é cedo para creditar os resultados somente ao alimento. Com base em outros estudos publicados sobre o tema, eles defendem que adotar comportamentos saudáveis ajuda na concepção.
 
No dia a dia, é o que Wood sugere a seus pacientes. “Peço que tenham alimentação equilibrada, que façam exercício físico e que não fumem nem engordem. Tudo isso melhora a saúde em geral e o espermograma”, relata.
Vale lembrar que, na pesquisa espanhola, os voluntários eram saudáveis e não possuíam problemas prévios de fertilidade. Por isso, os achados não podem ser extrapolados para outros grupos, como o de homens inférteis ou com dificuldades para ter filhos.
De qualquer maneira, não é absurdo imaginar que uma rotina mais saudável dê uma força a essa turma também. “Se a gente acredita que isso melhora não só a concentração de espermatozoides como a integridade do material genético, certamente terá repercussões positivas durante um tratamento para engravidar”, diz Wood. A verdade é que adotar hábitos legais nunca é um mau conselho. 

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Surto de sarampo preocupa Amazonas. Manaus decreta situação de emergência

surto de sarampo em manaus: vacina Amazonas e Roraima

Essa doença contagiosa voltou a afetar a região Norte do país. Há risco de se espalhar para o resto do Brasil? E onde entra a vacina nessa história?



A prefeitura de Manaus decretou situação de emergência por 180 dias em razão do surto de sarampo registrado no estado, principalmente na capital. No Amazonas, até 20 de junho, foram confirmados 263 casos da doença, enquanto 1 368 permanecem em investigação e 125 foram descartados. Das 1 756 notificações registradas no estado, 82,1% (1 441) ocorreram em Manaus.

Para ser mais exato, o surto de sarampo atinge tanto Amazonas quanto Roraima. Até o último balanço, divulgado no dia 2 julho pelo Ministério da Saúde, já haviam sido confirmados nos dois estados perto de 500 casos da do problema em 2018.

Em Roraima, duas mortes foram registradas em decorrência da doença. No estado, a disseminação da enfermidade é associada por autoridades à chegada de venezuelanos refugiados.

A vacina contra o sarampo

Segundo o Ministério da Saúde, foram encaminhadas aos dois estados mais de 700 mil doses da vacina tríplice viral, usada para sarampo, caxumba e rubéola. Deste total, 487 mil foram para o Amazonas e 224 mil para Roraima.

No Amazonas, a campanha de vacinação foi adiantada para o mês de abril. O foco foi estabelecido na região metropolitana de Manaus, nas cidades com mais de 75 mil habitantes e nas áreas de fronteira.

Em Roraima, essa movimentação ocorreu em 15 municípios entre os meses de março e abril. Foram administradas 112 mil doses.

Há risco de o sarampo espalhar para o resto do Brasil?

Em março, SAÚDE conversou com o pediatra Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), sobre a possibilidade de essa infecção se alastrar para outros estados. Na ocasião, o então ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que a situação não era preocupante, porque todas as medidas estavam sendo tomadas.

Entretanto, Kfouri foi menos otimista, afirmando que, sem uma ótima cobertura vacinal, há sim uma probabilidade de o sarampo voltar a circular com força no Brasil – na matéria, você também vai entender mais sobre a doença e a vacina. Cabe destacar que, em 2016, nosso país recebeu o certificado de eliminação dessa moléstia pela Organização Panamericana de Saúde. Dito de outra forma, se você ou seu filho não receberam suas doses da vacina contra sarampo, converse com um médico.

Este conteúdo foi adaptado a partir deste e deste conteúdo da Agência Brasil.

Fonte: Revista saúde

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Placa bacteriana, o que ela apronta nos dentes

Cárie, periodontite e outras doenças na boca por causa de bactériasO acúmulo de restos de alimentos e micro-organismos está por trás do tártaro e de diversos problemas dentais — de cárie a gengivite

Apesar de toda a evolução na odontologia, ainda temos uma grande prevalência de cárie e doença periodontal (gengivite e periodontite), condições que podem acarretar até mesmo a perda dos dentes. Soa alarmante que esses problemas ainda atinjam uma parcela expressiva da nossa população. Uma das maiores vilãs nesse contexto é a placa bacteriana, também chamada pelos profissionais de biofilme. Ela é composta de células em descamação, bactérias, células de defesa e restos de alimentos.
A presença da p

Tártaro e outros perrengues

Outro mal que tem ligação direta com a placa bacteriana é a doença periodontal. Ela pode começar com uma inflamação leve na gengiva, a gengivite. E, nesse estágio, é facilmente tratada com a remoção da placa aderida ao dente.
No entanto, se nenhuma providência for tomada, a placa bacteriana sofre a ação dos íons de cálcio e se calcifica, tornando-se dura. É aí que surge o tártaro (ou cálculo dental).
Alguns fatores coadjuvantes colaboram para o quadro se agravar, resultando na periodontite, situação em que a inflamação afeta o tecido que dá suporte aos dentes. Entre eles temos o diabetes, a má oclusão ou mau posicionamento dos dentes e deficiências imunológicas. A periodontite é capaz de evoluir e levar à perda dos dentes.
Nas pessoas mais jovens, o tipo de placa bacteriana e o pH da cavidade oral costumam ser diferentes em relação aos dos adultos e idosos. Nos mais novos, as colônias de bactérias que povoam o meio bucal propiciam principalmente a cárie. Após a fase adulta, porém, a doença periodontal fica mais frequente.

Prevenção é o melhor tratamento

Tanto para cárie como para doenças periodontais a prevenção é sempre o melhor caminho. A remoção mecânica da placa diariamente com o uso da escova de cerda macia e da pasta com flúor, além do fio dental, representa a chave do sucesso.  O auxílio com acessórios como escovas interdentais e bochechos (quando indicados pelo profissional) também pode ser útil.
Devemos ter em mente que o cirurgião-dentista está apto a orientar a higiene caso a caso e é o profissional capaz de diagnosticar precocemente a instalação desses problemas bucais.
Depois que se desenvolve, a doença periodontal, assim como a cárie, requer um tratamento por vezes sofisticado, tornando-se mais complexo à medida que o quadro se agrava. Nesse caso é fundamental a avaliação de um periodontista, o especialista nessa área. O exame clínico com sondagem e testes radiográficos são feitos para certificar-se do diagnóstico e nortear o plano de tratamento.
Lembre-se: a gengiva não deve sangrar. O dente, por sua vez, não deve doer nem apresentar alguma mobilidade. Esses são sinais de que alguma coisa não vai bem. Daí a necessidade de fazer um controle periódico nas visitas regulares ao dentista. É a maneira mais segura de garantir que a placa bacteriana não crie nenhum tipo de problema.
laca está entre as principais causas da cárie. Ao fermentar substâncias como os hidratos de carbono, as bactérias produzem ácidos que atacam o esmalte dos dentes, desmineralizando sua superfície e deixando-os suscetíveis ao problema.
Não é por menos que defendemos que a prevenção da cárie depende de cuidados básicos de higiene bucal, com a escovação e o fio dental, o que permite a remoção diária da placa bacteriana.
No caso da cárie, outro fator de risco tem a ver com a alimentação. Nesse sentido, sugerimos evitar a alta ingestão de açúcar, refrigerantes e bebidas ácidas.
 
Fonte: Revista saúde 

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Dossiê banho quente: ele traz prejuízos, mas dá para amenizar a situação

Saiba como evitar os danos que a alta temperatura da água provoca nos cabelos e na pele – e sem passar frio no chuveiro


Muita gente não abre mão de um banho bem quentinho quando o frio chega. O problema é que as temperaturas altíssimas da água, como os dermatologistas sempre ressaltam, são prejudiciais para a pele. “A água quente retira parte da barreira protetora da epiderme, o que provoca ressecamento, coceira e um aspecto mais grosso e áspero”, explica Adriano Loyola, dermatologista assessor do Departamento de Cosmiatria Dermatológica da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

A secura está ainda associada a doenças de pele típicas do inverno, como psoríase, dermatites e urticárias (esta é marcada por irritações que provocam vermelhidão e inchaço) em pessoas predispostas. Ninguém está dizendo que o banho precisa ser gelado, mas o ideal é que o chuveiro não aqueça além dos 37 graus.

“É uma temperatura semelhante à corporal. Por isso, para saber se a água está adequada, basta testar na pele do pulso”, ensina Loyola. Se ela estiver agradável e não deixar a mão “pelando”, tudo certo. Outro fator que ajuda a reduzir os estragos é encurtar o banho: de 5 a 10 minutos embaixo do chuveiro é o suficiente.

Fora isso, procure manter a delicadeza em nome da preservação do manto lipídico, a tal barreira protetora da pele. Isso vale para a intensidade da ducha, pois a alta pressão da água facilita a perda dessa camada, e para o uso da esponja. “Prefira produtos suaves, com ação hidratante, e evite esfregar vigorosamente a pele”, orienta o dermatologista.

Para garantir, dá para usar um sabonete do tipo Syndet, que é feito com detergentes sintéticos em vez do sabão tradicional, com sebo e soda cáustica. “Ele tem maior potencial para refazer a barreira cutânea”, diferencia Loyola. Peça indicações a seu médico.

Para não detonar os cabelos

Os fios também se ressentem da quentura. “O calor aumenta a atividade das glândulas sebáceas do couro cabeludo, o que causa oleosidade e proliferação de fungos causadores da caspa”, alerta Loyola. Nas pontas, os cabelos ficam mais ressecados, o que pode deixar as madeixas opacas e quebradiças.

Além de tomar cuidado com a temperatura da água e do secador, outra orientação é utilizar o xampu mais adequado para seu tipo de cabelo e hidratá-lo com condicionador e produtos específicos apenas nas pontas.

O pós-banho

Quando sair do chuveiro, prefira toalhas felpudas, que absorvem bem a água e não agridem a pele. E, no frio, é fundamental pensar em hidratantes, de preferência ainda no banheiro, pois os poros estão mais abertos e o vapor facilita a penetração do creme.
“Pessoas de pele normal e seca podem apostar em produtos mais encorpados, com ativos potentes, como ureia, gérmen de trigo, macadâmia, óleo de avelã, pantenol, ceramidas e manteigas”, lista Loyola.
 
Fonte: Revista saúde

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Açúcar faz tão mal quanto álcool e cigarro, diz artigo médico na 'Nature'

Resultado de imagem para noticiário sobre acucar pior que cigarroConsumo de alimentos doces triplicou no mundo nos últimos 50 anos. Ingestão excessiva está ligada a diabetes, câncer e doenças cardíacas.

O consumo de açúcar pode ser tão prejudicial quanto o abuso de álcool e cigarro, segundo artigo publicado por médicos na revista científica “Nature” nesta quarta-feira (1º). Isso porque a ingestão excessiva de sacarose e frutose, que triplicou no mundo nos últimos 50 anos, está ligada ao surgimento de doenças crônicas não-contagiosas, como diabetes, câncer e problemas cardíacos.

Em setembro do ano passado, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que, pela primeira vez na história, as doenças crônicas não-transmissíveis representam um ônus maior para a saúde pública mundial que as doenças infecciosas.

Esses males já são responsáveis pela morte de 35 milhões de pessoas por ano, segundo as Nações Unidas – 80% em países pobres ou em desenvolvimento, onde refrigerantes são muitas vezes mais baratos que água potável ou leite.

Em geral, o álcool e o cigarro são regulados pelos governos como forma de proteger a saúde da população, mas não há controle sobre a alimentação. Segundo os autores do artigo, Robert Lustig, Laura Schmidt e Claire Brindis, a regulação das autoridades deveria incluir o aumento de impostos sobre produtos industrializados acrescidos de açúcar (como refrigerantes, sucos, achocolatados e cereais), a limitação de vendas no horário escolar e em ambientes de trabalho e a imposição de limites de idade para a compra.

Mas essas regras são mais complicadas, de acordo com os pesquisadores, pois os alimentos são considerados bens essenciais, ao contrário do álcool e do tabaco.

Atualmente, há no planeta 30% mais indivíduos obesos que desnutridos, de acordo com os médicos. E a dieta ocidental, com muitos alimentos processados, tem contribuído para essas crescentes taxas. Apenas 20% dos obesos têm um metabolismo e uma vida normais – os demais sofrem com problemas como hipertensão, diabetes, apneia do sono, gordura no fígado e disfunções ortopédicas ou articulares.

As autoridades de saúde costumam considerar o açúcar como "calorias vazias", mas evidências científicas mostram que sacarose e frutose demais podem desengatilhar processos tóxicos no fígado ou reações capazes de causar uma série de doenças crônicas.

Controle do açúcar pelo mundo
 
Segundo os autores do artigo na "Nature", EUA e Europa ainda veem a gordura e o sal como os grandes vilões da alimentação, mas a atenção deve começar a se voltar para os produtos com adição de açúcar (moléculas de frutose acrecidas em comidas processadas).


Em outubro do ano passado, a Dinamarca optou por taxar alimentos ricos em gordura saturada, apesar de a maioria dos médicos não acreditar mais que essa substância seja a principal culpada pela obesidade. Agora, o país considera tributar os doces.

Outras nações europeias e o Canadá tentam impor pequenos impostos sobre alimentos adoçados. E os EUA já consideram taxar o refrigerante – um cidadão americano consome em média 216 litros por ano, dos quais 58% contêm açúcar.

A cidade de São Francisco, na Califórnia, proibiu recentemente a inclusão de brinquedos oferecidos em refeições fast-food. Outro limite possível para proteger as crianças seria proibir comerciais sobre produtos com adição de açúcar, destacaram os autores.
 
Fonte: Revista saúde

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Os 8 grandes inimigos da pele

Conheça os fatores capazes de acelerar o envelhecimento cutâneo e aprenda a se proteger deles

pele jovem


Nas últimas sete décadas, a expectativa de vida dos brasileiros subiu mais de 30 anos. À medida que a medicina e o acesso a uma saúde de qualidade avançam, é natural que o nosso corpo tenha melhores condições de seguir firme e forte. E isso vale tanto por dentro como por fora. “As pessoas querem envelhecer bem, o que, claro, inclui cuidar da aparência e da pele“, nota a dermatologista Adriana Vilarinho, da capital paulista.

E não vá pensando que o efeito desse cuidado se restringe a sorrisos na frente do espelho. Em uma pesquisa recente, a dermatologista Denise Steiner, professora da Universidade de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, pediu a 100 mulheres que completassem um questionário sobre qualidade de vida antes de se submeter a um tratamento estético. Depois da intervenção, as voluntárias repetiram a avaliação. “O procedimento aumentou a autoestima e levou a respostas mais positivas em relação ao dia a dia”, conta a médica.

Não é à toa que hoje há um verdadeiro arsenal de produtos e recursos tecnológicos voltados a atenuar as marcas do tempo. Agora, antes de investir nesses recursos, é importante saber que alguns fatores atuam contra a saúde da pele. Ou seja, para garantir uma cútis bacana mesmo, controlá-los faz parte do pacote de cuidados básicos. Vamos conhecer esses inimigos?

1- Sol

Quem abusa dele paga o preço. “Os raios solares danificam as fibras de colágeno, destroem paredes de vasos, alteram a pigmentação…”, diz o médico Adriano Loyola, da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Tem que passar protetor. O filtro deve ser aplicado a cada duas horas, em média. Utilize o equivalente a uma colher de chá.

2- Poluição

Gera um boom de radicais livres, moléculas que lesam as células. Segundo Luciana Samorano, dermatologista da Universidade de São Paulo (USP), o jeito é limpar bem e usar produtos com antioxidantes, como resveratrol e vitaminas C e E.

3- Excesso de açúcar

Alimentos que elevam a glicemia induzem o processo de glicação. “E ele interfere na renovação celular e na produção de colágeno na pele”, descreve Loyola. Logo, uma dieta equilibrada faz parte da receita para ter uma pele bacana.

4- Cigarro

“A nicotina atrapalha a produção natural de colágeno e danifica o DNA das células”, cita o médico da SBD. Fora que o biquinho feito ao fumar causa linhas ao redor da boca. Inevitável falar que o melhor é parar, certo?

5- Pouco sono

Loyola frisa que o descanso inadequado desregula nossos hormônios. “E alguns deles são fundamentais para auxiliar na recuperação da pele após danos ocasionados por fatores externos”, raciocina. Hora de selar a paz com a cama.

6- Falta de limpeza diária

Uma higiene caprichada faz muito mais do que remover resíduos perigosos na pele. Associada à tonificação, ela prepara o rosto para receber os ativos de tratamento, como ácidos e compostos antioxidantes. Use água e sabonete próprio para sua pele.

7- Estresse

Ele também induz a produção dos temidos radicais livres, afetando o bom fornecimento de colágeno. Mais uma razão para colocar cremes antioxidantes na prateleira.

8- Luz artificial

Sabe a luz emitida por celulares, tablets e computadores? Especula-se que ela também prejudique a cútis. O protetor solar com cor é a pedida certa para barrá-la.
Fonte: Revista saúde

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Câncer de estômago ganha primeiro tratamento dentro da imunoterapia

Câncer no estômago: novo remédio

O remédio, que incita o próprio corpo a atacar o câncer, já atua no combate a outros tipos da doença e tem menos efeitos colaterais do que a químio

 
O tipo mais comum de câncer de estômago, o adenocarcinoma gástrico, é bastante estudado e, mesmo assim, ainda é difícil eliminá-lo de vez do organismo. Agora, um novo medicamento foi liberado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para tratar justamente os casos que não responderam à quimioterapia e outros medicamentos.

Falamos do pembrolizumabe, princípio ativo desenvolvido pela farmacêutica MSD. O remédio faz parte do arsenal mais recente da imunoterapia, abordagem que estimula o sistema imune a atacar o próprio tumor. “O câncer cresce sem ser notado pelas células de defesa, e a imunoterapia tira essa espécie de capa de invisibilidade que recobre o tumor”, explica Ricardo Carvalho, oncologista do Hospital BP Mirante, de São Paulo.

No adenocarcinoma gástrico, esse crescimento passa ainda mais despercebido, uma vez que os sintomas são pouco específicos: enjoo, dificuldades de se alimentar, sensação de estufamento, perda de apetite… Isso é ruim, porque o diagnóstico precoce aumenta as chances de derrotar esse tumor, cuja mortalidade nos casos avançados chega a 70%, segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer).

Aí que entra o pembrolizumabe. O fármaco está indicado para tumores gástricos e gastroesofágicos (quando atingem o final do esôfago e o início do estômago) que já resistiram a dois ou mais tratamentos e carregam a molécula PDL-1, capaz de enganar o sistema imune, permitindo a proliferação do câncer. “As poucas opções de drogas que tínhamos para atuar nesse cenário eram pouco efetivas ou muito tóxicas”, comenta Carvalho. E é justamente o menor grau de toxicidade um dos grandes destaques da imunoterapia.

“Na imunoterapia, os efeitos colaterais parecem menores do que a químio, e são geralmente relacionados a uma resposta exagerada do sistema imune, como inflamações na tireoide, intestino e pulmão. Mas isso só aconteceu em 2% dos casos estudados até agora”, aponta Carvalho.

Para a bexiga

Outra aprovação recente do pembrolizumabe no Brasil é para o carcinoma urotelial, o tipo mais comum de câncer de bexiga, que atinge mais homens acima dos 65 anos e está relacionado especialmente ao cigarro. “A mortalidade desse câncer, embora relativamente pequena, manteve-se estável nos últimos anos, porque não tivemos grandes avanços no tratamento”, contextualiza Carvalho.

Até por isso, o remédio, que demonstrou resultados considerados satisfatórios nos estudos, entra no Brasil como primeira linha do tratamento. Mas apenas para indivíduos que não podem fazer a quimioterapia com cisplatina – que é a melhor tática, porém só pode ser usada por metade dos portadores desses tumores em decorrência de sua toxicidade.

Medicamento promissor

Em 2017, o pembrolizumabe recebeu aprovação nos Estados Unidos para tratar tumores de acordo com certas características biológicas independentemente da localização deles. No mesmo ano, passou a ser usado no Brasil para o tratamento do melanoma, a forma mais grave do câncer de pele, e de um tipo de câncer de pulmão.

Segundo a fabricante, há mais de 370 estudos clínicos (ou seja, com seres humanos) sendo conduzidos pelo mundo para analisar a eficácia do remédio contra 30 tipos de tumor. Na próxima edição do congresso da ASCO, a Sociedade Americana de Oncologia Clínica, serão apresentados 140 trabalhos sobre o tema.
Fonte: Revista saúde

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Alimentação contra a perda da massa muscular

O que comer para ganhar músculo e evitar a sarcopenia

Especialistas mostram o papel dos nutrientes na prevenção e no combate da sarcopenia, o déficit de força e músculos.

Cada vez mais em evidência com o envelhecimento da população, a sarcopenia é caracterizada por uma perda da massa muscular que ocorre naturalmente com o avançar da idade, um processo que tem repercussões na saúde e na capacidade funcional. As principais estratégias para prevenir e tratar a condição envolvem a prática de exercícios físicos (em especial as atividades que trabalham força muscular) e a alimentação adequada, principalmente no que concerne ao consumo de proteínas.

Um estudo denominado PROT-AGE, realizado pela European Union Geriatric Medicine Society, recomenda a ingestão proteica diária de 1 a 1,2 grama por quilo de peso para pessoas acima de 65 anos. Isso seria a quantidade desejável para manter a massa muscular em dia. Para idosos fisicamente ativos, sugere-se que esse consumo seja superior a 1,2 g/kg por dia. Além do fator atividade física, a presença de doenças agudas ou crônicas faz aumentar a necessidade de proteína: a orientação é de 1,2 a 1,5 g/kg do peso – exceção é feita à doença renal crônica em tratamento conservador.

A quantidade de proteína ingerida nas refeições é um aspecto fundamental no controle da sarcopenia. Isso porque, em comparação com os mais jovens, os idosos necessitam de maior quantidade desse nutriente para promover o adequado estímulo à síntese proteica muscular – com a idade, há uma espécie de resistência natural à capacidade de o organismo usar recursos para construir e repor as proteínas do músculo. Por isso, no mesmo estudo PROT-AGE, temos a recomendação de que idosos devem ter refeições contemplando de 25 a 30 gramas de proteínas.

Além da quantidade ofertada, a qualidade da proteína também deve ser levada em consideração. Pesquisas evidenciam que proteínas com alto conteúdo de leucina e de rápida digestão, como as do soro do leite, são mais efetivas para promover a restauração e o crescimento muscular. Associadas aos exercícios, são particularmente bem-vindas para reduzir o risco de sarcopenia.

Para que a proteína seja devidamente destinada à musculatura, também é necessário que a ingestão de energia esteja adequada. Ainda que o aporte calórico em idosos possa ser menor que o de pessoas mais jovens, é de suma importância manter refeições com um bom valor energético e monitorar o peso e a composição corporal a fim de verificar e alterar o plano alimentar, se preciso.

No que diz respeito a outros nutrientes, como os carboidratos e gorduras, as recomendações de ingestão não diferem com o envelhecimento, devendo seguir o que estabelece a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em relação às gorduras, deve-se priorizar o consumo de ácidos graxos insaturados (azeite de oliva, pescados, nozes e castanhas etc) e evitar que mais de 10% das calorias sejam provenientes de gordura saturada (manteiga, óleo de palma, miúdos…).

Da mesma maneira, a obtenção de vitaminas e minerais deve obedecer aos padrões da Ingestão Dietética de Referência (DRIs), não havendo a necessidade de suplementação caso a dieta já esteja suprindo as necessidades.

A hidratação adequada também é fundamental, tendo em vista que, com o envelhecimento, há redução do conteúdo de água corporal, bem como da sensação de sede. Logo, idosos entram no grupo de risco para desidratação e desequilíbrio eletrolítico (um desbalanço entre minerais cruciais a diversas funções do organismo). A ingestão hídrica recomendada é de 20 a 45 mililitros por quilo de peso diariamente. Contudo, esse valor sofre variações dependendo da situação, como nível de atividade física ou aumento da temperatura do ambiente.

O acompanhamento com um nutricionista minimiza o risco de sarcopenia assim como contribui para o manejo da condição. Na elaboração do plano alimentar, o profissional irá considerar fatores como condições socioeconômicas, estado de saúde, capacidade de mastigação, intolerâncias alimentares, entre outros. Desse modo, poderá individualizar as condutas para que o atendimento seja coerente, acessível e reflita na melhor expectativa e qualidade de vida do indivíduo.

*Audrey Yule Coqueiro é nutricionista, doutoranda em nutrição pela Universidade de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (Sban). Marcelo Macedo Rogero é nutricionista, professor da Universidade de São Paulo e membro da Sban
Fonte: Revista saúde