terça-feira, 28 de junho de 2016

Saiba como prevenir os problemas bucais mais comuns na terceira idade

idosa-sorrindoA expectativa de vida nos países desenvolvidos e em desenvolvimento aumentou, as pessoas estão vivendo cada vez mais e, por conta disso, uma área da odontologia tem crescido também: a odontogeriatria, que cuida especificamente da saúde bucal da terceira idade.
O especialista em odontogeriatria Dr. Fernando Montenegro explica que a boca faz parte do corpo humano e que todos os sistemas são interdependentes. Se a pessoa tem um problema bucal, isso pode refletir em todo o organismo, por isso a saúde bucal é muito importante. 


"A inter-relação de problemas bucais com doenças cardiovasculares, com diabetes, com pneumonia aspirativa, com problemas estomacais é cada dia mais discutida na literatura científica e comprovada na prática clínica com pacientes mais velhos, ainda mais quando estes se encontram acamados ou em UTIs".

Além da questão da saúde do organismo, tem também a relação com a autoestima. "Ter dentes em bom estado, ou então usar próteses adequadamente adaptadas, garante que a pessoa possa mastigar os alimentos com os melhores nutrientes, além de ter uma boa aparência, o que vai mantê-la na sociedade".

Problemas mais comuns

Ele explica que a doença bucal mais comum na terceira idade é a periodontite, um problema de inflamação gengival que se agrava e leva à perda do osso de suporte dos dentes, deixando-os amolecidos. Mas é importante salientar que ela NÃO é característica do envelhecimento, e sim decorrente de um cuidado inadequado com os dentes por toda a vida, porque as pessoas não seguem adequadamente os cuidados preventivos, citados abaixo.
Outra afecção comum nos idosos são as cáries, especialmente as de raiz. "Nesses casos, o uso diário do flúor ajudaria e muito na prevenção, somado ainda à escovação e uso de fio dental".

O mau hálito, ainda que tenha muitas outras origens extrabucais, está intimamente ligado à não limpeza da parte posterior da língua com limpadores de língua plásticos e a uma não limpeza cuidadosa das próteses, mesmo totais, que o idoso use, por isso a higiene se faz fundamental.

Mas todasas doenças acima e ainda a candidíase bucal são em muito aumentadas quando a pessoa tem uma diminuição do fluxo salivar (chamada xerostomia), que é causada pelo efeito colateral bucal de cerca de 60% dos remédios que o idoso ingere normalmente. Conhecida por "boca seca", além de aumentar as cáries, doença periodontal, saburra na língua e mau hálito, impede uma mastigação adequada dos alimentos, o que obriga a pessoa a mudar a consistência de sua dieta, que vai causar problemas digestivos. Ele explica: suas próteses totais superiores caem com facilidade e aí eliminam as fibras da dieta, prejudicando a absorção de bons nutrientes e prejudicando o trânsito estomacal, com aumento da constipação intestinal, um problema muito comum nos idosos com esta patologia. A pessoa perde a percepção de gosto dos alimentos e aí coloca mais açúcar e mais sal no que come, influenciando no controle da diabetes e da pressão arterial. Formam-se mais colônias de bactérias na boca, que, além de permitirem maior chance de contaminação pulmonar (e pneumonia), acabam, via gengivas inflamadas, entrando na corrente sanguínea e atingindo órgãos vitais como o coração e todo o sistema circulatório. Por isso, a xerostomia é a mais devastadora das doenças bucais, mas seu tratamento é multidisciplinar, pois exige mudança/diminuição nas medicações, que só podem ser receitadas pelos médicos.
"Além disso, ainda existem as interferências periodontais de uma diabetes mal controlada, uma hipertensão que dificulta certos trabalhos odontológicos, estados anêmicos gerais que ajudam a causar traumas nos tecidos bucais e depressões do sistema imunológico do idoso, que, somados à xerostomia, causam um aumento exagerado do número de bactérias na boca".

Como se vê, não se pode separar saúde bucal da saúde geral do indivíduo, nem considerar que problemas sistêmicos (de todo o organismo da pessoa) não tenham repercussões bucais de média e alta significância.

E quais os meios preventivos para chegar à velhice com boa saúde bucal?

- Ir ao dentista a cada seis meses.
- Evitar alimentos que causem cárie.
- Usar corretamente a escova de dentes, a cada refeição.
- Usar o fio dental com muita calma e, principalmente, uma vez ao dia.
- No caso da pessoa usar próteses, visitar o dentista frequentemente para verificar se as próteses e os implantes estão funcionando bem, especialmente nas duas primeiras próteses, onde uma perda de adaptação nas bases acaba levando a uma reabsorção óssea que cada vez mais dificulta seu uso.
- Limpar a língua com um limpador de língua plástico.
- Não existem cremes dentais ou bochechos "milagrosos". Só existe o real remover de restos dos alimentos em cada canto de sua boca e dentes.
- Usar flúor.

"Vale salientar que tudo em relação à saúde bucal diz respeito à prevenção. Às vezes a pessoa opta por retardar um tratamento de canal ou periodontal, por exemplo, mas isso só faz com que a chance de perder aqueles dentes seja bem maior que antes.

Fonte: Idmed

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Gravidez psicológica: um problema sério

gravida-deitada-com-mao-na-barriga
A gravidez psicológica, também conhecida como pseudogestação ou pseudociese, é um quadro no qual a mulher apresenta os mesmos sintomas da gravidez.
 
Embora não se apresente gestante. Para agravar a situação, ela começa a apresentar sintomas como a ausência de menstruação, enjoos, crescimento da barriga, escurecimento dos mamilos, crescimento dos seios e produção de leite. Embora tenha uma incidência baixa (uma para cada 20 mil gestações), este é um problema grave que deve ser tratado com seriedade.

O que é a gravidez psicológica? Como ela se desenvolve?
A palavra pseudociese foi cunhada a partir de duas palavras gregas: “pseudo”, falsa, e “kyesis”, gravidez. Trata-se, portanto, de uma aparente gestação, com sintomas diversos da gravidez, mas sem feto. É um fenômeno bem raro, ocorrendo em uma para cada 20 mil gestações. A ausência das regras (menstruações) pode ser explicada por mecanismos neuroendócrinos, acionados nas situações de estresse e depressão. O denominado eixo hipotálamo-hipófise-ovário interage e pode funcionar anormalmente em situações de estresse psicológico. A distensão abdominal decorrente do acúmulo de gases intestinais simula o ventre gravídico.

Existem pré-condições para que uma mulher desenvolva a gravidez psicológica?
Um perfil típico para a mulher que desenvolve pseudociese não existe. Mas autores consideram que os conflitos entre “ser ou não mãe” estão na base do problema. Mas ganhos secundários com a “falsa” gestação e necessidade de punição por sentimentos de culpa podem estar implicados. Para outros autores é necessário afastar componentes psicóticos, já que a gestação é uma alucinação. Penso que cada caso deve ser avaliado em termos da história da mulher, do casal, dos filhos já existentes, etc.
Quais são os sintomas da gravidez psicológica? Como o corpo da mulher se altera?
Os sintomas variam entre os casos. Os mais comuns incluem sensação de movimento fetal, aumento do ventre (distensão abdominal), enjoo, mudanças da mama e em alguns casos até dores de parto.

Como é feito o diagnóstico da gravidez psicológica?
Em geral, um simples teste hormonal de gravidez negativo afasta o diagnóstico. Por sua vez, o exame de ultrassom não deixa dúvidas quanto à ausência de gravidez. Curioso que o exame clínico inicial, nas primeiras semanas de gravidez, pode deixar o profissional na dúvida. Com a evolução da gravidez, no entanto, torna-se claro que é uma pseudociese.

Existe algum dano que a gravidez psicológica possa causar no organismo?
Não. O maior dano é para a mulher e seu entorno social. Trata-se de um grande drama familiar, com repercussões para todos os envolvidos.
Como é o tratamento?
O grande problema é a comunicação do fato à mulher e aos familiares. Não existe um tratamento formal, já que a alteração hormonal que leva à amenorreia (falta de regras) pode ser tratada posteriormente, dependendo do caso, e não é um grande problema em si. Já a confirmação da pseudociese é muito traumática. Ela pode ter atitudes extremas, tais como considerar o médico louco ou se considerar louca, ficar muito deprimida, ansiosa, etc., etc. Neste momento vale a pena contar com ajuda de psicólogo/psicoterapeuta e de familiares mais próximos.

Como a família deve se portar no apoio a uma mulher diagnosticada com gravidez psicológica?
Penso que a inclusão da família é fundamental, já que a expectativa frustrada de gravidez atinge a todos. A reação dos familiares é que pode variar. E, neste caso, cabe discernir quem está mais tranquilo e tem condições de apoiar a mulher. Já presenciei um caso em que ambos, marido e mulher, custaram a acreditar no diagnóstico médico de pseudociese. Às vezes, a psicoterapia pode ser oferecida aos familiares também.
Fonte: Idmed

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Temperaturas baixas agravam efeitos do cigarro

O inverno é associado a um maior número de internações por doença pulmonar obstrutiva crônica, uma consequência comum do tabagismo.
Temperaturas baixas agravam efeitos do cigarroA doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) — uma mistura de bronquite e enfisema pulmonar — é, na grande maioria das vezes, provocada pelo tabagismo. Mas sabia que ela costuma se manifestar com maior intensidade no inverno?

Pois é: em uma coletiva promovida pela farmacêutica GSK, o pneumologista Oliver Nascimento, da Universidade Federal de São Paulo, destacou que as temperaturas mais frias aumentam consideravelmente o número de crises da doença (esses surtos são chamados de exacerbações). Nesses momentos, o paciente fica com muita falta de ar, sente os pulmões pressionados e mal consegue se mover.

 
O que uma coisa tem a ver com a outra? Em primeiro lugar, as baixas temperaturas estão associadas a maiores índices de poluição. “Como as vias aéreas das vítimas dessa doença são sensíveis, podem entrar em colapso ao inalar poluentes atmosféricos”, diz Nascimento. Além disso, a maior incidência de infecções respiratórias e o próprio frio contribuem para o travamento dos pulmões.

Se você ainda duvida disso, fique sabendo que as regiões Sudeste e Sul do Brasil — as com inverno mais marcado por temperaturas baixas — apresentam um pico de internações por DPOC durante esses meses. Já as áreas do país em que o calor reina o ano inteiro têm taxas de hospitalização menores e mais homogêneas ao longo das estações.

Estima-se que 7,6 milhões de brasileiros sofrem com a DPOC. Pra piorar, 88% não sabem que possuem o problema — muitos fumantes, por exemplo, acham que tosse e falta de ar são consequências comuns do tabaco. É necessário reforçar o diagnóstico da enfermidade e tratá-la quanto antes para evitar uma grande perda na qualidade de vida.

 Fonte: Revista saúde

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Perigo no bicho de pelúcia

Perigo no bicho de pelúciaEssa fofura parece inofensiva, mas é um dos maiores esconderijos de ácaros, capazes de abalar a saúde respiratória da criançada.
 
Ursinhos de pelúcia são tão perigosos quanto o ditador alemão Adolf Hitler. Loucura? Pois uma campanha norueguesa fez a comparação para alertar sobre os ataques alérgicos que esses brinquedos podem causar nos pequenos. Apesar de agressiva, a ação publicitária tem motivo de ser. Segundo Renata Rocco, alergista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, os peludos acumulam pó e ácaros. Esses micro-organismos são os principais deflagradores de crises de asma e bronquite.
 
"Mas eles prejudicam as crianças que têm uma predisposição genética para quadros alérgicos", esclarece a médica. Nesses casos, é bom não deixar a garotada arrastar o brinquedo pela casa e higienizá-lo vez por outra. "Isso evita o acúmulo de mais pó, o que só irá agravar as crises", avisa.
 

Não precisa dar adeus ao ursinho

Basta submetê-lo a um passo a passo de higiene periodicamente

Lave na máquina
Dê um banho no brinquedo uma vez por semana com sabão neutro. Para secar, pendure em local arejado.

Bote no congelador
Uma boa maneira de eliminar os ácaros é colocar o brinquedo em uma sacola plástica e resfriá-lo.

Exponha ao sol
Ele mata os ácaros. Mas atenção: suas carapaças, que também causam ataques alérgicos, permanecem ali.

Fonte: Revista saúde
 

terça-feira, 31 de maio de 2016

Por que há tanta tireoide lenta por aí

Por que há tanta tireoide lenta por aí
Excesso de sal, uso de remédios, poluição, estresse... Investigamos o que faz a glândula em formato de borboleta entrar em parafuso, situação cada vez mais comum hoje.
 
A presença de borboletas no estômago é um dos sinais clássicos da paixão. Os poetas encontraram no farfalhar de asas a metáfora perfeita para aquele rebuliço abdominal comum ao bater os olhos na pessoa amada. Mas, se fôssemos mais precisos (e um pouco menos literários) em matéria de corpo humano, teríamos de dizer que uma borboleta pousaria mesmo em outro órgão. Lá na região da garganta. É ali que fica a tireoide, glândula com o formato do inseto que orquestra o funcionamento do organismo — e influencia, inclusive, nossas emoções.

Foi pensando em resguardar a tireoide que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, mandou reduzir o teor de iodo do sal de cozinha. As taxas, que antes ficavam entre 20 e 60 miligramas por quilo, precisaram se adaptar à faixa, de 15 a 45 miligramas. O corte, segundo a entidade, teve a ver com o aumento de casos de hipotireoidismo, distúrbio que prejudica a produção dos hormônios pela glândula. "A doença desacelera o metabolismo, gerando fadiga, sonolência, depressão e raciocínio vagaroso. E o iodo em excesso é um gatilho para o seu surgimento", diz a endocrinologista Roberta Frota, do Hospital Nove de Julho, em São Paulo. A Anvisa resolveu agir com base em estatísticas preocupantes: o brasileiro consome, em média, 12 gramas de sal todos os dias. "É um exagero se considerarmos a recomendação da Organização Mundial da Saúde, de apenas 5 gramas", contextualiza Paula Bernadete Ferreira, especialista em regulação e vigilância sanitária da agência.

O abuso do condimento nas refeições elevou, por sua vez, a porção de iodo no prato dos cidadãos. "A iodação do sal foi calculada pensando em uma dieta de 9 gramas diárias de sal e está, portanto, defasada. Essa resolução da Anvisa não poderia ter sido mais adequada", elogia o endocrinologista Geraldo Medeiros, professor sênior da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Na época de sua aprovação, a medida, porém, dividiu opiniões. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia criticou a regra. "O foco deveria estar na quantidade de sal que o brasileiro ingere", analisa a endocrinologista Gisah Amaral, vice-presidente do Departamento de Tireoide da sociedade. "Ainda nos causa mais preocupação a falta de iodo, que pode trazer complicações, principalmente na gestação e nos primeiros anos de vida", justifica.

Nem só o iodo deixa a tireoide lenta. Os cientistas possuem uma lista de suspeitos envolvidos nessa história. "Ainda não está totalmente demonstrada a relação entre hábitos e componentes químicos com o hipotireoidismo", ressalva Medeiros. Mas não faltam estudos procurando evidências sobre seu papel no colapso da glândula. Uma investigação, por exemplo, procurou estabelecer o impacto da poluição na tireoide. A pesquisa, da Faculdade de Medicina do ABC, na Grande São Paulo, acompanhou mais de 6 mil pessoas durante 15 anos. Elas foram divididas em dois grupos. O primeiro morava perto de um parque industrial petroquímico, enquanto o segundo habitava uma área residencial menos poluída. Em 1992, cerca de 2% dos indivíduos que viviam nas cercanias das fábricas — e travavam contato com poluentes — tinham hipotireoidismo. Em 2001, a quantidade de pessoas com a mesma doença nessa região subiu para 57%. Já na área com menos sujeira no ar, as taxas não tiveram modificações tão gritantes. "É como se a tireoide não soubesse se proteger dos agentes químicos e, ao tentar reagir, prejudicasse a si mesma", ensina a neuroendocrinologista Maria Angela Zaccarelli, autora do trabalho.

Se poluentes disparariam distúrbios na glândula em pessoas predispostas, o que dizer de remédios e produtos de limpeza? "Alguns medicamentos, como xaropes expectorantes, contêm iodo. E o mesmo vale para certos desinfetantes que, em contato com a pele, podem passar o mineral para o organismo", alerta a endocrinologista Tania Furlanetto, da Universidade Federal do Rio Grande o Sul. Nesses casos, a saída é consultar o médico e, na hora de limpar a casa, investir em luvas.

Potes plásticos e panelas antiaderentes também geram polêmica. "Existe uma suspeita de que esses utensílios soltariam compostos tóxicos que atingem a tireoide", desconfia o endocrinologista Luciano Giacaglia, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, na capital paulista. Outro inimigo em potencial se esconde sob a vida conturbada das grandes cidades. "Toda vez que o corpo passa por um estresse, há uma resposta do sistema imune, que pode afetar a glândula", especula Giacaglia. Enquanto a ciência levanta dados para bater o martelo, convém relaxar e, como sugerem pesquisas recentes, tentar escapar da poluição e maneirar no sal. Tudo para a borboleta continuar na ativa, isto é, fabricando seus hormônios.

Se hoje é farto, ontem faltava

A deficiência de iodo foi um grave problema de saúde pública no século 20. A carência do mineral estava por trás do bócio, um inchaço na região da garganta, e até retardo mental em bebês. Embora a iodação do sal no Brasil para mudar esse panorama tenha começado nos anos 1950, a primeira lei nacional sobre o assunto é de 1995. E os resultados são incontestes: os casos de bócio em crianças caíram de 20,7% em 1955 para 1,4% em 2000.

Nas asas do equilíbrio

A dosagem correta de iodo é um dos fatores mais importantes para manter uma tireoide saudável
Nem demais...
A tireoide usa o iodo para produzir os hormônios T3 e T4. Se a substância está em excesso, o órgão sofre um processo de inflamação. O sistema imunológico manda anticorpos para a região, que acabam atacando a própria glândula.
...Nem de menos
Se o iodo escasseia, a tireoide não tem matéria-prima para fabricar a dupla hormonal. Na tentativa de compensar a baixa produção, ela cresce de tamanho. A deficiência está relacionada a casos de bócio e problemas de desenvolvimento na infância.

Nódulo de tireoide na ponta da agulha

Novo método, ainda em fase de testes, elimina essas formações sem deixar cicatriz no pescoço
O surgimento de massas tumorais na glândula costuma incomodar, seja por questões estéticas, seja por problemas funcionais. Para retirar esses nódulos hoje, é preciso passar por uma cirurgia que deixa uma cicatriz na garganta. Mas um equipamento ainda sob estudos no Brasil promete resolver o problema com mais comodidade. "Introduzimos uma agulha bem fina na região do pescoço. Ela é guiada por ultrassom e emite um raio laser sobre os nódulos", explica o radiologista intervencionista Rodrigo Gobbo, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, pioneiro no uso da técnica. Esse laser queima a formação defeituosa, que então diminui e é eliminada pelo organismo.

Fonte: Revista saúde

terça-feira, 24 de maio de 2016

Cansaço pode ser doença

Cansaço pode ser doençaQuando a moleza persiste por meses e vem acompanhada de sonolência e dores, alguma coisa mais séria está tomando conta do corpo. Descubra por que os médicos estão redefinindo a canseira crônica.

A pernambucana Maria Helena Lapenda, de 56 anos, pode dizer que caiu literalmente de cama por causa de... cansaço. Mas não qualquer cansaço. As noites de sono não conseguiam repor suas energias, levantar-se exigia um esforço imenso e, para completar, uma sensação dolorosa se espalhava pelos ombros, pela cabeça e pelos membros, comprometendo movimentos mínimos como o de levar um garfo à boca. "Eu trabalhava dois dias e precisava ficar o resto da semana na cama. Estava acabada até para falar", conta a secretária. Depois de anos de idas e vindas entre hospitais e de ser rotulada de preguiçosa pela família, Maria Helena recebeu seu diagnóstico: síndrome da fadiga crônica.

Essa condição, caracterizada por uma canseira incapacitante, começou a ser estudada no fim dos anos 1980 e, desde então, foi pontuada de controvérsias. Isso porque, por mais que o médico vasculhe o paciente, não encontra alterações fisiológicas significativas, o que dificulta não só a detecção como a própria compreensão de quem vive com esse peso sobre as costas, a cabeça... Os mistérios que rondam a síndrome, que afetaria até 1,5% da população mundial, estão fazendo os especialistas revisitarem sua definição. E o pontapé do debate envolve a própria nomenclatura. O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos propõe uma mudança: em vez de síndrome da fadiga crônica, mais fiel seria adotar o termo "doença da intolerância sistêmica ao esforço".

Os experts creem que agregar a palavra "doença" ampliará a atenção e a seriedade cobradas pelo problema. "O preconceito e a falta de informação são os maiores obstáculos enfrentados pelos portadores hoje", afirma Leonard Jason, estudioso do assunto e professor de psicologia da Universidade DePaul, em Chicago (EUA). Obstáculos que impedem o diagnóstico correto - algo ainda mais crítico no Brasil.

Ao comparar dados epidemiológicos do Reino Unido com os de nosso país, o pesquisador sul-coreano Hyong Jin Cho, da Universidade da Califórnia (EUA), constatou que a prevalência era quase a mesma (2 e 1,6%, respectivamente). Só que o diagnóstico era dado na proporção de 11 para 1. Ou seja, milhares de brasileiros perambulam sem receber o laudo e o acompanhamento adequados. Um dos motivos é a interpretação subjetiva da fadiga e outro, a falta de testes laboratoriais específicos. "Além disso, diversas condições têm o cansaço como sintoma, caso do hipotireoidismo e da carência de vitaminas. Aí é preciso fazer uma série de exames para descartar outros problemas", argumenta o reumatologista Roberto Heymann, da Universidade Federal de São Paulo.


A questão que intriga os cientistas (e os pacientes) é de onde brota o cansaço sem fim. Uma das hipóteses mais aceitas diz que a doença, de base genética, está ligada a falhas no eixo que liga o sistema nervoso à fabricação de alguns hormônios, como o cortisol, que coordena nossa reação ao estresse. O psiquiatra Mario Francisco Juruena, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, explica que o baixo nível dessa substância faz com que metade dos portadores de fadiga crônica apresente também um quadro de depressão atípica. "Além do desânimo, ela vem associada a compulsão por doces e outros alimentos de alto teor calórico, sedentarismo, sono excessivo e alta sensibilidade emocional", descreve o especialista, que passou seis anos investigando o tema na Inglaterra.

Uma curiosidade da condição, que afeta ligeiramente mais mulheres do que homens, é que muitas vezes ela se manifesta após uma infecção por bactéria ou vírus, especialmente o da gripe. Os sintomas comuns (febre, coriza, dor de garganta...) vão embora, mas ficam de presente a canseira e a falta de ânimo. Só que não dá pra responsabilizar apenas agentes microscópicos pelo revés. Há todo um cenário psicológico que favorece a doença do cansaço. "Muitos pacientes passaram por uma grande situação de estresse na infância, como a perda de entes queridos, maus-tratos físicos ou abuso sexual", conta Juruena.
É por essa razão que atualmente o tratamento do problema não depende só de medicamentos como antidepressivos e ansiolíticos e de suplementos vitamínicos. Costuma cobrar também sessões de psicoterapia. "Ainda não se fala em cura, já que não conhecemos todos os fatores que determinam a síndrome, mas seus sintomas são tratáveis e é possível garantir a qualidade de vida", afirma a psicóloga Rafaela Teixeira Zorzanelli, professora do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Outra medida que desponta com bons resultados é a chamada terapia do exercício gradual (GET, na sigla em inglês), um programa de atividades físicas personalizadas. Um estudo recém-publicado por cientistas britânicos na revista médica The Lancet Psychiatry mostra que vencer o medo de se movimentar e aderir devagar, devagarinho aos exercícios podem responder por até 60% de melhora no tratamento. A GET começa com pequenos movimentos (sentar-se na cama e se levantar, por exemplo) e evolui para uma modalidade mais consistente, como caminhadas leves.

E é exatamente isso o que Maria Helena está fazendo — com sucesso, diga-se. "Conseguir andar na praia aqui perto de casa é a minha maior conquista. É como se eu começasse a viver de novo", comemora. Combinar acompanhamento médico, certos remédios e programas que trabalhem a mente e o corpo parece ser o plano perfeito para vencer a luta contra essa doença misteriosa e extenuante por natureza.

Muito além do fim do pique

Conheça os sintomas da síndrome da fadiga crônica, condição que pode mudar de nome em breve. O indivíduo se enquadra nela se apresentar pelo menos quatro dos sinais listados abaixo num período igual ou maior que seis meses
  • Cansaço persistente e sem que ele seja resultado de um grande esforço
  • Dificuldade de concentração
  • Perda constante de memórias recentes
  • Oscilação de humor entre tristeza e euforia
  • Estresse e ansiedade crônicos
  • Sonolência diurna
  • Dores musculares pelo corpo sem causa aparente
  • Dores nas articulações (sem evidência de artrite)
  • Dor de cabeça intensa
  • Fadiga insuportável após esforço físico
  • Inchaço nos gânglios linfáticos
  • Inflamação na garganta

A fadiga também pode ser sinal de:

Hipotireoidismo
O déficit na produção dos hormônios da tireoide afeta todo o metabolismo e gera uma tremenda leseira.

Insuficiência cardíaca
O coração perde a capacidade de bombear o sangue e o corpo carece de oxigênio e nutrientes.

Diabete
Além da desidratação provocada pela perda de urina, as células não recebem glicose direito - daíadeus, energia!

Depressão
As alterações químicas no cérebro interferem no sono, no humor e na disposição física e mental.

Apneia do sono
Marcado por interrupções na passagem do ar, o distúrbio rende uma baita canseira diurna.

Fonte: Revista saúde

terça-feira, 17 de maio de 2016

Como bactérias criam resistência a antibióticos?

Bactéria azulEntenda as táticas empregadas por elas para driblarem os medicamentos e saiba o que você pode (e deve) fazer para ajudar a conter essa ameaça à saúde pública.
Antibióticos são remédios que combatem infecções destruindo partes específicas das bactérias que as causam. Para sobreviver ao ataque, algumas delas se adaptam e criam resistência à medicação. Aí, essa bactéria praticamente imune ao remédio consegue disseminar seu "superpoder". Por isso que tomar antibiótico sem o pedido médico é tão perigoso para a sua saúde e a da população em geral. Veja abaixo todos detalhes desses processos.


A ação dos antibióticos:


1. Sem guarnição
Alguns medicamentos abalam a parede e a membrana celular da bactéria, estruturas que funcionam como muros protetores e que regulam a entrada de água e outras moléculas. Logo, se surgem buracos nelas, o micróbio fica bastante vulnerável.



2. Genética afetada
Os fármacos podem agir diretamente no material genético do bicho. Sua ação induz a ocorrência de erros no DNA, que vão deixá-lo em parafuso. Outras drogas se dirigem aos ribossomos, que fabricam as proteínas necessárias para a bactéria. Sem elas, não há como sobreviver.



3. Restrição na dieta
O ser microscópico é dotado de um mecanismo que transforma o ácido paraminobenzoico (PABA) em ácido fólico - vitamina essencial na criação do código genético bacteriano. Determinados antibióticos bloqueiam a conversão do PABA. É como se matassem a bactéria de fome.



A resistência das bactérias:


1. Efeito chaminé
Certas bactérias, ao entrarem em contato com um remédio, superativam a chamada bomba de efluxo, uma chaminé que expulsa substâncias nocivas a elas.



2. Reforma esperta
É comum que enzimas e receptores alvejados pelos antibióticos se modifiquem após os primeiros ataques. Aí, as armas dos médicos não conseguem mais agir.


3. Atiradoras de elite
Enzimas específicas, que neutralizam o antibiótico antes de ele chegar ao seu destino, passam a ter uma ação de destaque entre os germes resistentes.


Como a resistência de uma bactéria se espalha:


1. Passa-anel
Um micróbio transmite partes de seu DNA que conferem proteção contra uma droga para outros que estão nas proximidades.



2. Pilhagem
O inimigo ainda consegue pegar trechos genéticos de bactérias já resistentes mortas e os inclui em seu próprio genoma.



3. Infecção da infecção
Vírus chamados de bacteriófagos, ao invadir uma bactéria, tomam para si pedaços de genes resistentes e os transmitem adiante, infectando outras.



4. Seleção natural
Um fármaco elimina as bactérias frágeis, porém uma ou outra mais forte pode sobreviver. Aí, ela se reproduz e, aos poucos, vira uma maioria difícil de erradicar.


De quem é a culpa:


1. Droga sem prescrição
Tomar antibiótico para qualquer coisa - sem o pedido médico - é um dos maiores perigos. Outro chabu é largar o tratamento pela metade.



2. Descarte inadequado
Remédios arremessados na pia, na privada ou no lixo podem entrar em contato com bactérias, tornando-as mais fortes. Leve-os a farmácias.



3. Lixo hospitalar
O sistema de esgotos dos hospitais, se não recebe o devido tratamento, lança germes resistentes no ambiente.



4. Lavouras e criadouros
Muitos produtores exageram na hora de aplicar medicações que afastam as bactérias em animais e até nas plantações.




As nossas mãos estão sempre em contato com superfícies repletas de micróbios perigosos. E não existe melhor maneira de acabar com eles do que limpando dedos, unhas e palmas. 



Dados reveladores do Conselho Global de Higiene:

  • 83% dos 16 mil entrevistados pensam que sua casa oferece baixo ou nenhum risco de infecção, mas...
  • 45% dos objetos da moradia podem estar contaminados com bactérias.
  • Só 36% sabem que micróbios causadores de dores de barriga estão nos domicílios.
  • Apenas 29% dizem que a bucha do banho tem muitas bactérias. Pasme: ela é campeã de sujeira.
  • 16% não lavam as mãos após visitar o banheiro. Eca!


Revolução ao acaso


Foi meio sem querer que o bacteriologista escocês Alexander Fleming (1881-1955) descobriu, em 1928, a penicilina, o primeiro antibiótico da história. Ao voltar de férias, ele notou que um tipo de fungo, o Penicillium chrysogenum, havia invadido seu laboratório e, curiosamente, inibido o crescimento de bactérias cultivadas ali. Esse caso fortuito viria salvar milhões de vidas de infecções antes letais.

Fonte: Revista saúde