terça-feira, 31 de janeiro de 2017

28 plantas medicinais: dos poderes às contraindicações

fitoterapicos-mais-comuns-no-brasilDocumento inédito cataloga os fitoterápicos mais comuns no Brasil e promete dar fôlego e respaldo à classe dos produtos naturais.

Medicamentos feitos a partir de folhas, sementes, cascas, frutos e flores são sucesso de crítica e público há milênios e constituem parte importante da cultura de diversos povos. Quando pensamos no Brasil, a coisa toma uma proporção assustadora: nosso país possui a maior flora do planeta, com mais de 43 mil espécies descritas. “Dessas, 10 mil têm algum potencial terapêutico“, estima a nutricionista Vanderli Marchiori, presidente da Associação Paulista de Fitoterapia.


Apesar de tanta riqueza, políticas de incentivo a essa classe costumavam ser escassas por aqui. Mas as coisas começaram a mudar nos últimos dez anos, quando o Ministério da Saúde criou o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e introduziu 12 fármacos do gênero no Sistema Único de Saúde (SUS). “Essa é uma importante estratégia de atenção ao indivíduo e de inclusão social”, acredita o médico Renato Alves, diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica do ministério.

Para dar continuidade ao trabalho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de lançar o Memento Fitoterápico, obra que reúne informações científicas de 28 plantas medicinais. “Até então, não existia um documento oficial que orientasse o profissional de saúde a prescrevê-las”, conta o farmacêutico José Carlos Tavares, coordenador do comitê que redigiu o artigo e professor da Universidade Federal do Amapá.

A iniciativa ganhou elogios. “A publicação expande o conhecimento na área e valoriza a sabedoria popular”, afirma o farmacêutico César Augusto Caneschi, da Fundação Presidente Antônio Carlos de Ubá, em Minas Gerais.

A ideia é que o material, disponível no site da Anvisa, também quebre preconceitos que pairam sobre os fitoterápicos. Há quem diga, por exemplo, que as plantas são inofensivas, não acarretam efeitos colaterais e não servem para confrontar doenças mais sérias. Não é por aí. “Elas carregam substâncias que podem tratar uma série de problemas.

Porém, se usadas de maneira errada, causam, sim, reações adversas”, chama a atenção a bióloga Maria Thereza Gamberini, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Portanto, seu uso deve ser feito com responsabilidade e sob orientação médica, como é praxe entre os remédios sintéticos convencionais. Evite feiras e barracas de rua que vendem garrafadas e outros itens do gênero. “Procure estabelecimentos onde trabalhe um profissional da saúde como o técnico farmacêutico”, sugere o bioquímico Carlos Rocha Oliveira, coordenador da Pós-Graduação em Fitoterapia e Produtos Naturais da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.

Abaixo, mapeamos as 28 espécies que integram o documento. Se bem indicadas, elas podem prestar serviço em diversos contextos que assolam o corpo e a mente – de queimadura a ansiedade e colesterol alto.

Raízes fortes

A parte da planta que absorve os nutrientes da terra é matéria-prima de uma porção de fitoterápicos.

1. Cimicifuga (Actaea racemosa)

Também conhecida como black cohosh, é utilizada há séculos pelos povos da América do Norte.
Forma de uso – Cápsula, comprimido e extrato.

Indicação – Alívio dos sintomas da menopausa, como fogachos, suadouro, vermelhidão, alterações de humor, ansiedade e depressão.

Contraindicação – Alérgicos ou sensíveis a algum dos componentes da fórmula, grávidas e portadores de insuficiência hepática.

Exige prescrição médica.

2. Gengibre (Zingiber officinale)

Muito comum na culinária por seu gosto picante, o gengibre é prescrito por médicos da Índia e da China desde a Antiguidade.

Forma de uso – Cápsula, comprimido, extrato, tintura e pó.

Indicação – Alivia enjoo, náusea e vômitos, dificuldade de digestão e sensação de mal-estar ao viajar de navio, carro ou avião.

Contraindicação – Crianças e quem tem pedras na vesícula biliar, irritação estomacal ou hipertensão.

Isento de prescrição médica.

3. Kava-kava (Piper methysticum)

A raiz, descoberta pelo navegador inglês James Cook (1728-1779), promove o relaxamento muscular.

Forma de uso – Cápsula, comprimido ou extrato.

Indicação – Estágios leves e moderados de ansiedade e insônia. O uso, porém, está restrito a oito semanas, no máximo.

Contraindicação – Grávidas, mulheres que estão amamentando, crianças menores de 12 anos, indivíduos com depressão ou doenças no fígado, como hepatite e icterícia.

Exige prescrição médica.

4. Equinácea (Echinacea purpurea)

Opção terapêutica dos índios americanos para picadas de cobra e infecções, está nas farmácias dos Estados Unidos desde 1930.

Forma de uso – Cápsula, comprimido e raiz seca.

Indicação – Ajuda na prevenção e no combate (como coadjuvante) de resfriados.

Contraindicação – Pacientes com esclerose múltipla, aids, tuberculose e doenças autoimunes no geral. 

Alérgicos, grávidas e crianças também devem evitá-la.

Exige prescrição médica.

5. Valeriana (Valeriana officinalis)

Os valepotriatos, substâncias da planta, agem no sistema nervoso central e aliviam o estresse.

Forma de uso – Cápsula, comprimido, extrato ou tintura.

Indicação – Sedativo moderado com efeito hipnótico. Também tem valor no tratamento de distúrbios do sono que estão associados à ansiedade.

Contraindicação – Alérgicos ou sensíveis a algum dos componentes da fórmula, crianças menores de 12 anos, grávidas e mulheres que estão amamentando.

Exige prescrição médica.

6. Garra-do-diabo (Harpagophytum procumbens) [Disponível no SUS]

O nome um tanto sinistro dessa planta de origem africana vem do formato de seus galhos e folhas.
Forma de uso – Cápsula ou comprimido.

Indicação – Dores moderadas nas articulações e incômodos agudos nas costas, com destaque para a região lombar da coluna.

Contraindicação – Pessoas com cálculos biliares, menores de 18 anos, grávidas, mulheres que estão amamentando, alérgicos ou sensíveis a algum dos compostos.

Isento de prescrição médica.

7. Alho (Allium sativum)

O bulbo que surge a partir da raiz é base de um dos fármacos com propriedades mais variadas.
Forma de uso – Tintura, extrato e cápsula.

Indicação – Ajuda a combater bronquite, asma, sintomas de gripe e resfriado, colesterol alto, hipertensão e aterosclerose (lesões nas paredes dos vasos sanguíneos).

Contraindicação – Grávidas, indivíduos com gastrite, úlceras, hipertireoidismo, distúrbios na coagulação, alérgicos ao alho e antes ou depois de cirurgias.

Isento de prescrição médica.

Sementes em cápsula

Elas podem germinar a solução para três problemas de saúde bastante comuns

8. Soja (Glycine max) [Disponível no SUS]

Os grãos originários do Oriente estão consagrados como alternativas para amenizar alguns incômodos da menopausa quando a reposição hormonal tradicional não surte o efeito desejado ou é contraindicada.
Forma de uso – Cápsula.

Indicação – Alívio dos sintomas da menopausa, caso do fogacho e do suor excessivo.

Contraindicação – Crianças menores de 12 anos e alérgicos ou sensíveis a algum dos componentes do fitoterápico.

Isento de prescrição médica.

9. Castanha-da-índia (Aesculus hippocastanum)

A escina, substância que marca presença nesta semente, fortalece os vasos sanguíneos.

Forma de uso – Cápsula, comprimido e gel.

Indicação – Fragilidade dos cabelos e insuficiência venosa, que pode ocorrer em quadros de varizes nas pernas ou hemorroidas.

Contraindicação – Crianças, alérgicos ou sensíveis a algum dos componentes do fitoterápico e pacientes com insuficiência renal ou hepática.

Isento de prescrição médica.

10. Guaraná (Paullinia cupana)

Fruto tipicamente brasileiro, é encarado como medicamento e tônico revigorante pelas tribos indígenas amazônicas há séculos.

Forma de uso – Cápsula e comprimido.

Indicação – Atua contra fraqueza e cansaço crônico e estimula o cérebro.

Contraindicação – Crianças, alérgicos, pessoas com hipertensão, arritmia cardíaca, gastrite, úlcera, cólon irritável, infecções renais, hipertireoidismo, cirrose e predisposição a espasmos musculares.

Isento de prescrição médica.

Do talo à folha

Da lista elaborada pela Anvisa, há apenas um fitoterápico que é fabricado a partir da planta inteira

11. Erva-de-são-joão (Hypericum perforatum)

Vegetais que florescem no mês de junho costumam receber esse nome no Brasil por causa das festas juninas. Mas a espécie com efeito medicinal vem da Europa.

Forma de uso – Cápsula, comprimido e tintura.

Indicação – Depressão leve e moderada.

Contraindicação – Crianças, grávidas, mulheres que estão amamentando, alérgicos ou sensíveis a algum componente do remédio e, principalmente, depressivos graves.

Exige prescrição médica.

Entre flores e frutos

Suas qualidades vão muito além de gosto, aroma e beleza: eles podem conter substâncias com potencial medicinal

12. Camomila (Matricaria chamomilla)

Existem diversas espécies disponíveis. As mais importantes delas são a camomila-vulgar e a camomila-romana. O camazuleno, óleo essencial de sua flor, responde por seus inúmeros pontos positivos.

Forma de uso – Infusão, extrato seco ou fluido, cápsula e comprimido.

Indicação – Alivia espasmos, ansiedade e atua como sedativo leve. Tem efeito anti-inflamatório na boca.
Contraindicação – Grávidas e alérgicos à planta.

Isento de prescrição médica.

13. Calêndula (Calendula officinalis)

A popular malmequer é largamente empregada em cosméticos e trata feridas, varizes, traumatismos, furúnculos…

Forma de uso – Infusão, tintura, extrato, gel, creme e pomada.

Indicação – Anti-inflamatório, cicatrizante e antisséptico para pele e mucosas.

Contraindicação – Alérgicos e sensíveis a algum componente do remédio, grávidas, mulheres que estão amamentando. Não deve ser aplicado em crianças sem supervisão de um especialista.

Isento de prescrição médica.

14. Sene (Senna alexandrina)

Ele tem propriedades fitoterápicas estudadas desde o século 9.

Forma de uso – Cápsula, comprimido e extrato.

Indicação – Constipação intestinal ocasional.

Contraindicação – Crianças menores de 12 anos, grávidas, mulheres que estão amamentando ou em período menstrual, alérgicos à planta, indivíduos com desidratação, hemorroida, apendicite, insuficiência renal, hepática e cardíaca, constipação crônica e outros distúrbios intestinais.

Isento de prescrição médica.

15. Trevo-vermelho (Trifolium pratense)

Largamente encontrado na África, na Ásia e na Europa, faz parte da farmácia tradicional indiana.
Forma de uso – Cápsula, comprimido e extrato.

Indicação – Melhora dos sintomas da menopausa, dor nas mamas e tensão pré-menstrual (TPM).
Contraindicação – Grávidas, mulheres que estão amamentando, alérgicos e sensíveis, crianças menores de 12 anos e portadores de doenças hormonais (como os distúrbios na tireoide e diabete).

Exige prescrição médica.

16. Saw-palmetto (Serenoa repens)

Os frutos dessa pequena palmeira típica da América do Norte são lotados de ácidos graxos e fitosteróis.
Forma de uso – Cápsula, comprimido e extrato.

Indicação – Tratamento dos sintomas da hiperplasia prostática benigna, caracterizada pelo aumento da próstata por razões que não têm a ver com um câncer.

Contraindicação – Crianças, alérgicos à planta, pessoas com infecções no fígado e nos casos avançados da doença.

Exige prescrição médica.

Cascas grossas

A camada superficial do tronco guarda princípios ativos especiais para fazer frente a males que acometem o intestino e a pele

17. Barbatimão (Stryphnodendron adstringens)

Abundante no Cerrado brasileiro, era chamado pelos índios de ibá timbó, cujo significado é “árvore que aperta”. Isso tem a ver com a capacidade adstringente encontrada na casca da árvore. Sua semente é altamente tóxica.

Forma de uso – Creme e pomada.

Indicação – Ação cicatrizante.

Contraindicação – Não deve ser usada quando há necessidade de retirar fluidos corporais por meio de drenos inseridos na pele.

Isento de prescrição médica.

18. Cáscara-Sagrada (Rhamnus purshiana) [Disponível no SUS]

Essa planta norte-americana tem vocação para ajudar o intestino, mas não caia na história de que é solução milagrosa para emagrecer.

Forma de uso – Cápsula, comprimido, tintura, extrato e fluido.

Indicação – Constipação intestinal ocasional.

Contraindicação – Crianças, grávidas, mulheres amamentando, pessoas com cólicas, hemorroidas, náuseas, doença de Crohn, desidratação, constipação crônica, insuficiência renal, hepática e cardíaca.

Isento de prescrição médica.

19. Unha-de-gato (Uncaria tomentosa) [Disponível no SUS]

Os incas, antigo povo que habitava o Peru, já se valiam do extrato do vegetal para melhorar o aspecto de ferimentos e amenizar descompassos intestinais. Substâncias como a mitrafilina e a pteropodina respondem por suas capacidades terapêuticas.

Forma de uso – Cápsula, comprimido e extrato.

Indicação – Anti-inflamatório.

Contraindicação – Grávidas e mulheres que estão amamentando.

Isento de prescrição médica.

Folhas preciosas

É o grupo com mais representantes e aplicações farmacêuticas no Memento Fitoterápico brasileiro

20. Boldo-do-chile (Peumus boldus)

Os pastores dos Andes notaram que carneiros melhoravam da prisão de ventre quando consumiam a planta. Daí sua fama.

Forma de uso – Infusão, cápsula e comprimido.

Indicação – Melhora a digestão por aumentar a secreção de bile, fluido importante para a quebra dos alimentos.

Contraindicação – Crianças, alérgicos, grávidas, mulheres que estão amamentando e quando há doença em fígado, vesícula biliar ou pâncreas.

Isento de prescrição médica.

21. Maracujá (Passiflora incarnata)

O gênero passiflora abrange mais de 400 espécies vegetais. Seus poderes calmantes vêm dos flavonoides da folha.

Forma de uso – Planta in natura, cápsulas, extrato e tintura.

Indicação – Sedativo leve, tem ação contra a ansiedade.

Contraindicação – Grávidas e quando o indivíduo está tomando outros fármacos com efeito sedativo ou antidepressivo.

Isento de prescrição médica.

22. Goiabeira (Psidium guajava)

No interior do Brasil, o chá de suas folhas e ramos novos é tradicionalmente empregado para tratar enfermidades intestinais em crianças.

Forma de uso – Infusão, cápsula, extrato e comprimido.

Indicação – Tratamento de diarreia aguda não infecciosa e enterite (inflamação do intestino delgado) provocada pelo rotavírus.

Contraindicação – Alérgicos ou sensíveis à planta.

Isento de prescrição médica.

23. Espinheira-santa (Maytenus ilicifolia) [Disponível no SUS]

Quercetina, campferol e maetanino são os elementos responsáveis pelo alívio da azia. Seus poderes foram comprovados numa série de estudos realizados em universidades brasileiras.

Forma de uso – Cápsula, comprimido e infusão.

Indicação – Combate dificuldades de digestão, tem ação antiácida e protege a mucosa do estômago.
Contraindicação – Grávidas, mulheres que estão amamentando e crianças com menos de 6 anos.

Isento de prescrição médica.

24. Babosa (Aloe vera) [Disponível no SUS]

Existem mais de 200 espécies desta leguminosa originária da África, mas apenas quatro são seguras para consumo humano. Atenção: não há evidências de que suas garrafadas ajudem a superar o câncer.

Forma de uso – Gel e pomada.

Indicação – Cicatrizante de ferimentos na pele e em queimaduras de primeiro ou segundo grau.
Contraindicação – Alérgicos ou sensíveis a algum componente da babosa.

Isento de prescrição médica.

25. Alcachofra (Cynara scolymus) [Disponível no SUS]

Seu nome vem do árabe e significa, literalmente, “planta espinhuda”.

Cápsula, comprimido, infusão e extrato.

Forma de uso – Ajuda na digestão e evita gases.

Indicação – Coadjuvante na prevenção da aterosclerose (placas de gordura nos vasos), no controle de colesterol alto e no tratamento da síndrome do intestino irritável.

Contraindicação – Grávidas, mulheres que estão amamentando, alérgicos e quando há obstrução do ducto biliar.

Isento de prescrição médica.

26. Ginkgo (Ginkgo biloba)

A árvore nasce no Japão e na China, alcança até 40 metros de altura e vive mais de 4 mil anos.
Forma de uso – Cápsula, comprimido e extrato.

Indicação – Cãibra, vertigem e zumbidos decorrentes de problemas na circulação sanguínea.

Contraindicação – Crianças, grávidas, mulheres que estão amamentando, alérgicos ou sensíveis a algum componente da planta, pacientes com distúrbios de coagulação ou que tomam anticoagulantes.

Exige prescrição médica.

27. Cavalinha (Equisetum arvense)

Seus ramos alongados e delgados lembram o rabo de um cavalo – daí sua nomenclatura.
Forma de uso – Cápsula, comprimido, tintura com álcool e infusão.

Indicação – Diurético, ou seja, aumenta a secreção e a excreção de urina.

Contraindicação – Crianças, grávidas, mulheres que estão amamentando, alérgicos a algum componente da planta e pessoas a quem se recomenda a ingestão reduzida de líquidos, caso de portadores de insuficiência cardíaca ou renal.

Isento de prescrição médica.

28. Alecrim-bravo (Lippia sidoides)

Encontrado no Nordeste do Brasil, o alecrim-bravo (ou alecrim-pimenta) não é a mesma espécie do tempero culinário.

Forma de uso – Sabonete líquido, gel, infusão e tintura.

Indicação – Anti-inflamatório e antisséptico da cavidade oral, trata infecções na pele e no couro cabeludo causadas por fungos ou ácaros.

Contraindicação – Grávidas, mulheres que estão amamentando, crianças com menos de 2 anos, dependentes de álcool e diabéticos.

Isento de prescrição médica

Fonte: Revista saúde

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Asma contribui para a obesidade infantil

Médicos tentam desvendar a relação entre asma e ganho de peso.Pesquisadores americanos buscam esclarecer a relação entre a doença respiratória e os quilos extras


De acordo com o último levantamento realizado pelo Ministério da Saúde, mais da metade dos adultos brasileiros está acima do peso. Pois essa situação não é muito diferente entre os pequenos. Segundo o IBGE, 15% das crianças na faixa etária de 5 a 9 anos são obesas no país.
Recentemente, cientistas da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, decidiram investigar uma suspeita que por muitos anos passou praticamente despercebida nesse contexto: afinal, a asma teria algum peso nessas estatísticas alarmantes?

Para responder a questão, os cientistas analisaram dados de 2 171 crianças entre 5 e 8 anos que foram acompanhadas por uma década. A princípio, nenhuma era obesa, mas 18% delas estavam com sobrepeso – e 13% foram diagnosticadas com asma. Esses voluntários mirins foram recrutados originalmente para um estudo denominado CHS, dedicado a observar os impactos da poluição do ar em sua saúde respiratória e metabólica. Além disso, examinaram mais 2 684 crianças dos 9,7 até os 17,8 anos de idade.

Além de um registro anual de peso e altura, foram levados em consideração um questionário sobre determinados hábitos – como exposição ao tabagismo (em casa e na gestação) –, casos de doenças respiratórias na família e a prática de atividade física.

Ao fim do período, o índice de obesidade entre essa turma era de 15,8%. Com esse e outros dados em mãos, os experts concluíram que os asmáticos são até 51% mais propensos à obesidade, principalmente na primeira infância (que vai dos 0 aos 6 anos) e na adolescência. Para os que têm histórico de chiado na respiração – aquele ruído semelhante a um assobio – a probabilidade de obesidade sobe 42%.

A idade em que a asma deu as caras não se mostrou relevante no estudo. Por sua vez, medicamentos como bombinhas se mostraram essenciais para prevenir o ganho de peso. “Isso mostra que o diagnóstico precoce e o controle da asma são, sim, importantes para por um fim à epidemia de obesidade infantil”, declarou Frank Gilliland, um dos autores do estudo, em comunicado oficial.
O especialista ressalta ainda que toda essa dificuldade de respirar pode resultar em outras encrencas metabólicas na vida adulta, a exemplo de diabete do tipo 2. O desafio agora é entender melhor essa associação, já que até mesmo as crianças que praticavam atividade física estavam sujeitas a engordar além da conta.

Fonte: Revista saúde

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O exercício ideal para quem tem osteoporose

O exercício ideal para quem tem osteoporoseA fragilidade nos ossos não precisa ser motivo para ficar longe da atividade física. Basta ter alguns cuidados em mente.

 

Não faltam pesquisas atestando a importância de mexer o esqueleto para ter uma vida saudável. Mas e se a osteoporose, doença crônica que deixa o tecido ósseo frágil e poroso, dá as caras? Nesses casos, será que os exercícios não gerariam fraturas graves?
Fique calmo: desde que bem realizadas, as atividades físicas na verdade evitam que o quadro piore. Isso porque recompõem parte da massa óssea perdida em decorrência da doença.

Como em outras doenças, o mais importante é passar por uma avaliação médica antes de adotar uma rotina de treinos. Entre os profissionais, uma das principais preocupações na hora de prescrever a malhação é mesmo o risco de ossos quebrados.

Práticas com impacto, principalmente nos quadros mais avançados, exigem cuidado redobrado — qualquer tipo de sobrecarga deve ser encarado com cautela. Os experts sugerem que o ideal é combinar exercícios de força, como musculação, com modalidades aeróbicas de baixo impacto, caso da caminhada ou da dança.

Pessoas jovens e homens podem desenvolver osteoporose, mas ela é mais prevalente entre as mulheres acima dos 50 anos — uma em cada três terá uma fratura devido à condição. Nos homens a partir dessa faixa etária, a proporção é de um para cinco.
E não é só o osso que precisa de atenção. A osteoporose abala também o funcionamento dos músculos, o que compromete a agilidade, a postura e o equilíbrio. E, vale lembrar, muitas das fraturas entre os pacientes com osteoporose ocorrem porque eles tropeçam e caem no chão. Mais um motivo para investir na musculação ou em atividades similares.

Fonte: Revista saúde

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Chá gelado, picolé, açaí… 8 alimentos para refrescar o calor

O chá gelado é uma das opções para refrescar seu verão.Eles prometem hidratá-lo mesmo nos dias mais quentes. Conheça as vantagens de cada um — e como aproveitá-los — para curtir o verão com saúde

 

Vem chegando o verão e, com ele, a necessidade de se hidratar mais. E é bom caprichar mesmo porque a temperatura promete subir muito em janeiro e fevereiro. Uma pesquisa realizada pela agência meteorológica do Reino Unido mostra que 2017 será um dos anos mais quentes de que se tem notícia. A razão para isso é a combinação entre os efeitos do El Niño — fenômeno atmosférico que aquece águas dos oceanos e altera o clima global — e os gases do efeito estufa.

Para ajudá-lo a encarar o sol e a praia que estão a caminho, selecionamos uma lista de bebidas e alimentos que hidratam, refrescam e espantam o calor. Você vai conhecer prós e contras de cada para fazer as suas escolhas.

Águas aromatizadas ou saborizadas

Elas chegaram com tudo. Estão na moda e marcam presença em restaurantes e bares, sendo apreciadas principalmente por quem acha a água sem graça. Mas são saudáveis? As versões naturais, que você prepara em casa, sim.
“Especiarias como a canela conferem um sabor delicioso à água”, aponta Ana Ceregatti, nutricionista especializada em alimentação natural e vegetariana. Ela destaca que uma excelente opção é adicionar galhos de hortelã limpos e frescos e um pedaço pequeno de gengibre à bebida. Se esses itens forem orgânicos, melhor ainda.

A hortelã favorece a digestão e o gengibre contém o ativo gingerol, um antisséptico e anti-inflamatório natural. “Quem gosta de ervas e especiarias pode fazer as próprias combinações”, afirma Ana. Cuidado mesmo exigem as frutas cítricas, que oxidam em temperatura ambiente e, aí, deixam a água com sabor amargo, além de perderem suas propriedades nutricionais.

As industrializadas, ao contrário, abusam dos corantes artificiais, conservantes e acidulantes (usados para intensificar o sabor dos alimentos e bebidas). Algumas têm ainda adoçante e sódio.

Além das versões saborizadas artificialmente, o mercado possui agora farta oferta de uma bebida vendida com vitaminas, minerais e energéticos em cápsulas – cujo conteúdo deve ser adicionados ao líquido da garrafa. É mais um desses modismos de academia. “Parece água, mas não é. A promessa é de que esses produtos aumentem a energia ou acalmem”, descreve Cynthia Antonaccio, da Consultoria Equilibrium, de São Paulo.

Essas bebidas contêm princípios ativos e extratos que até podem ser uma opção interessante. Porém, é imprescindível contemplar a presença de açúcar em sua composição e o preço (que chega a 100 reais a unidade) antes de optar por qualquer uma.

Chá gelado

Não dá para negar que um chá geladinho ajuda a driblar a sede. Mas, diante da variedade de produtos disponíveis, qual escolher? “A melhor opção será sempre a natural, sem açúcar e à base de ervas, flores e especiarias, como erva-mate, hibisco, camomila e gengibre”, explica Fernanda Gabriel, nutricionista da RG Nutri, consultoria de São Paulo.

Preparado com água e um ingrediente principal, esse tipo de bebida preserva antioxidantes e substâncias anti-inflamatórias. Cuidado apenas com a procedência da erva e com a quantidade de chá ingerida. Compre esses produtos em estabelecimentos de confiança, verifique se não estão mofados e se não apresentam sujidade.

“Essas ervas possuem princípios ativos que, se consumidos com frequência e em grande quantidade, podem fazer mal aos mais sensíveis. A dica é variar”, ensina Mariana Del Bosco, nutricionista e mestre em Ciências pela disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.


Já os chás industrializados, disponíveis em saquinhos, garrafas e até latas, são sem dúvida práticos. Porém, também são mais pobres do ponto de vista nutricional. A maioria tem pouca quantidade de polifenóis –compostos encontrados nos alimentos e que varrem as toxinas do organismo, por exemplo.

Tais compostos se perdem durante o processo de produção dessas bebidas, que têm sabor alterado com a adição de açúcar ou adoçantes. “Alguns chás industrializados contêm conservantes e corantes. Por isso, sempre indico os que são feitos com as ervas e, na ausência deles, os de saquinho”, receita Ana Ceregatti.

Caso você não deseje carregar por aí uma garrafinha com seu chá feito em casa, a nutricionista Cynthia Antonaccio dá uma dica importante: “Ao comprar as versões industrializadas, escolha pelo menos as que têm menos açúcar ou são light”.

Vale lembrar que a ingestão desse carboidrato não deve ultrapassar 10% do valor calórico total do dia, como recomendado pela Organização Mundial de Saúde. “Um adulto que consome em torno de 2 mil calorias ao dia pode ingerir, no máximo, 200 calorias provenientes do açúcar, que é algo em torno de 50 gramas”, exemplifica Fernanda Gabriel.

O perigo da garrafa
 De nada vale tomar todos os cuidados para escolher um chá natural e colocá-lo em uma garrafa qualquer de plástico. Certifique-se de que sua garrafa está livre de BPA, ou Bisfenol-A – composto presente na confecção de alguns tipos de policarbonato. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), estudos preliminares mostram que esse composto pode causar problemas hormonais.

Água de coco

Um das deliciosas vantagens do verão é aproveitar praias, parques e praças — e se lambuzar com uma refrescante água de coco. Fernanda Gabriel, da RG Nutri, confirma que o líquido é naturalmente rico em água e minerais que auxiliam na hidratação. “Além da água da fruta, podemos consumir a carne do coco. Ela é gostosa e carrega fibras e gorduras que garantem a saciedade por mais tempo”, fala.

Em um copo de 200 mililitros dessa bebida há 93% de água. O restante é composto por açúcar, proteínas, sais minerais e fibras. Por isso, Ceregatti endossa o consumo do líquido in natura. Ela explica que o produto em caixinha contém frutose – adicionada na maioria dos industrializados (sucos etc) para destacar o sabor da bebida.

“É melhor comprar o coco fresco, abri-lo e fazer cubos de gelo com sua água”, diz. Esses cubos servirão para preparar sucos naturais e até smoothies, preservando as propriedades da fruta.

Fernanda Gabriel até admite o consumo da água em caixinha como alternativa para os dias de pressa e para quem não encontra a fruta com facilidade. Mesmo assim, a ingestão deve ser moderada – justamente pela presença de açúcar e conservantes nessa versão.

Sucos naturais e industrializados

Mais uma vez, as nutricionistas preferem os naturais ou a versão integral em caixinha. “Por serem feitos com ingredientes frescos, eles mantêm os nutrientes”, ensina Fernanda. Ela reforça que, entre os industrializados, é bom ficar de olho na presença de açúcar e evitar os néctares e refrescos, que apresentam um percentual pequeno de fruta na composição.

Para ser considerada um suco, a bebida precisa ter pelo menos 50% de polpa da fruta e água (sem nenhuma substância estranha). Já o néctar deve conter até 30% de fruta, açúcar e aditivos químicos, como corantes. Nesse balaio, não dá pra negligenciar os refrescos (com 8% de fruta e muito açúcar) e o suco concentrado (ele tem menos açúcar que o néctar, é mais barato e leva corantes, aromatizantes e conservantes). Já o produto integral não carrega conservantes nem é adoçado artificialmente.

No entanto, se no momento de escolha você só tiver o néctar, não precisa se martirizar. E uma dica da nutricionista Cynthia Antonaccio: “Ao optar pelo néctar, escolha aqueles que seriam iguais ao que você prepara em casa”, diz. Como assim? “Por exemplo: dificilmente você fará um suco puro de maracujá ou de limão. Então, não tenha medo se, às vezes, recorrer a esses produtos. Mas analise para ver se vale a pena”, explica.

Picolé e sorvete de massa

Por mais tentadores que sejam, cabe lembrar que os sorvetes de massa possuem um monte de açúcar e, em boa parte dos potes, a famigerada gordura trans, criada pela indústria para melhorar o sabor e a durabilidade dos alimentos na gôndola. Acontece que estudos científicos comprovaram que essa molécula é muito prejudicial à saúde.

Por isso, a opção das nutricionistas é o picolé — em geral, preparado com suco da fruta e açúcar. “Se tiver que escolher, opte por um de frutas, mas não pense nele como lanche”, ensina Ceregatti. Nas refeições intermediárias, coma o vegetal in natura mesmo para matar a fome.

A nutricionista Cynthia Antonaccio admite a ingestão de sorvete de massa como uma indulgência à qual você recorre vez ou outra. “Sem peso ou culpa, mas consciente do que está ingerindo”, arremata.

Açaí na tigela

Não abre mão dessa delícia originária da Amazônia e está no grupo dos que precisam controlar a ingestão de açúcares? Então fique de olhos abertos: a maioria das versões vendidas nas ruas têm adição de xarope de milho, como esclarece Ana Ceregatti.
“Arriscaria que 99% dos que são vendidos têm esse ingrediente. Ele é pior que o açúcar refinado, porque sobrecarrega o organismo de forma geral”, explica. De acordo com ela, é importante checar o rótulo para adquirir os que contenham a polpa de açaí.

Fernanda Gabriel diz que nem por isso a fruta deve sair do cardápio. “Ela é rica em antioxidantes e proporciona saciedade. Mas a polpa congelada, na maioria das vezes, é adoçada. Assim, é melhor escolher acompanhamentos como frutas, coco ralado e opções sem açúcar”.

Garantimos: não é necessário adicionar xaropes como o de guaraná na tigela. As frutas e os cereais já dão um gosto especial. Mas se está sentindo falta de um docinho, considere o açúcar mascavo ou mesmo o de coco.

Raspadinha

A procedência da água usada para fazer essa guloseima praiana é comumente negligenciada. Mas é aí que mora o perigo. Se não for potável, ela pode ser veículo de transmissão de várias doenças, ocasionando de diarreia à hepatite A.

“Também é importante saber que tipo de suco foi usado para prepará-la e se foi adicionado algum xarope”, acrescenta Ceregatti. A nutricionista explica que um suco natural é o ingrediente perfeito para uma raspadinha deliciosa. “Bata água de coco com suco de uva no liquidificador. Ponha em um saco e leve ao freezer até endurecer. Se preferir, use suco de maçã concentrado”, ensina.

Para os que não abrem mão das versões vendidas nas areias e ruas brasileiras, vale ficar atento às calorias. Isso porque ingredientes como leite condensado tornam essa opção bastante calórica. “Se forem feitas com esses produtos, as raspadinhas devem ser incluídas na alimentação com moderação”, pondera Fernanda Gabriel.

Água mineral

“A água deve ser ingerida pura e estar sempre disponível. Ela é a nossa principal fonte de hidratação”, atesta Del Bosco. “Uma dica para saber se você está bebendo a quantidade ideal é observar a cor da urina, que deve ser clara”, conclui.

Nas ruas, o principal cuidado é comprar uma água mineral de fonte ou empresa reconhecida. “Sempre a adquira em um comércio formal, que forneça nota fiscal. Nesses locais, o risco de levar um produto adulterado é menor”, afirma Antonaccio. Como as águas são extraídas de fontes naturais, pegue as que você já está acostumado — mais por uma questão de sabor do que por qualquer outro detalhe.

O sódio encontrado nas versões minerais é natural das fontes das quais ela são extraídas. Sua quantidade é muito pequena frente às recomendações diárias (um copo de água há 0,15% da indicação de consumo). “Sendo assim, não vai prejudicar o funcionamento do corpo”, afirma Fernanda Gabriel.

O consumo frequente de água mineral, ao contrário do que se fala, não causa danos ao organismo em pessoas saudáveis. Evite apenas ingeri-la durante as refeições.
Vale lembrar que nosso corpo precisa de aproximadamente 2 litros de água por dia para regular a temperatura, transportar minerais e vitaminas e por aí vai. E uma ótima notícia: o consumo adequado ajuda até a acabar com aquela falsa sensação de fome. Portanto, hidrate-se!

 Fonte: Revista Saúde

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Aspirina contra o câncer

A aspirina vem sendo estudada contra diversos problemas, entre eles o câncerCom mais de 100 anos de história, o popular comprimido que afina o sangue também reduziria o risco de as pessoas sofrerem com câncer.

  

Já consagrado na proteção contra doenças cardiovasculares, o uso diário do ácido acetilsalicílico está ganhando uma nova indicação. Agora, ele também pode ser receitado como uma medida extra na prevenção do câncer de intestino.
O U.S. Preventive Services Task Force, entidade que faz recomendações de políticas de saúde pública para o governo americano, atualizou suas diretrizes sobre o assunto e passou a sugerir a prescrição do fármaco para todas as pessoas com 50 a 59 anos de idade, com uma expectativa de vida superior a uma década e que não apresentem alto risco de sofrer hemorragias — quem não se encaixa no perfil não se beneficiaria.
“Tomar esse remédio regularmente baixa em quase 25% o risco de desenvolver esse tipo de tumor no longo prazo”, relata a oncologista Maria Del Pilar Estevez Diz, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. Porém, antes de correr para a drogaria e comprar um estoque dos comprimidos brancos, é importante buscar a orientação do médico e não deixar de realizar os exames de rastreamento, caso da colonoscopia.

Esperança frente a tumores cerebrais

Em experimento na Universidade de Portsmouth, na Inglaterra, cientistas aplicaram uma versão líquida do ácido acetilsalicílico junto com outras duas drogas em células de glioblastoma, um dos cânceres de cérebro mais comuns e devastadores.
E a nova formulação foi dez vezes mais efetiva do que qualquer combinação de quimioterápicos disponível atualmente. “Nós não esperávamos resultados tão surpreendentes. Estamos conduzindo novos estudos para comprovar os achados iniciais”, conta o oncologista Geoffrey Pilkington, líder da investigação. Velhos remédios, novíssimos usos.

Qual a proeza do ácido acetilsalicílico?

Os especialistas não decifraram totalmente o mecanismo de ação da aspirina na prevenção dos tumores que atingem o intestino grosso e o reto. “Ela diminuiria a ocorrência de pólipos, pequenas formações que podem anteceder uma lesão maligna”, informa Maria Del Pilar. Ainda é incerto se o medicamento teria o mesmo efeito em outros tipos de câncer.

 Fonte: Revista saúde

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Um mini-dispositivo contra a apneia

O Airing promete mais conforto. Será?Com 5 centímetros e 25 gramas, o novo aparelho, chamado de Airing, quer mudar o jeito de tratar o distúrbio por trás dos roncos.

 

Criado por uma startup americana, o aparelhinho se encaixa nas narinas e joga um jato de ar constante na garganta, o que impede as interrupções na respiração típicas da apneia. “Ele se vale da nanotecnologia e de microventiladores para manter a faringe aberta de noite”, descreve a neurologista Dalva Poyares, presidente da Associação Brasileira de Medicina do Sono.

O sonho é substituir o CPAP, considerado a principal forma de controlar a doença atualmente — nesse caso, é necessário usar uma máscara para obter o mesmo efeito. “Mas ainda é preciso iniciar uma série de testes antes da aprovação do produto”, afirma Dalva. Os inventores buscam dinheiro em sites de financiamento coletivo para continuar o aprimoramento do Airing. Em três meses, a campanha já superou a meta de arrecadação em 896%!

Compare o CPAP com o Airing

Cpap: no método padrão-ouro, a máscara cobre o nariz e a boca e joga um fluxo de oxigênio na garganta. Apesar de ser mais confortável hoje, muita gente acha incômodo e até desiste de usá-la ao dormir.
Airing: seu objetivo é igual ao do CPAP. Inserido no nariz, ele trabalha por oito horas seguidas e deve ser descartado após o uso. A expectativa é que a unidade custe menos de 3 dólares.

Fonte: Revista saúde

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Adolescentes obesos mastigam diferente

Estudo brasileiro associa o excesso de gordura corporal a uma mastigação inadequada - o que poderia inclusive contribuir para o ganho de peso.

 Mastigação

Um estudo realizado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) teve o objetivo de avaliar a forma como os adolescentes acima do peso mastigam a comida. Para isso, os cientistas recrutaram 230 voluntários com idade entre 14 e 17, sendo 115 meninos e meninas com peso normal e o restante com sobrepeso ou obesidade. Todos estavam livres de cáries ou outras condições que afetassem a saúde bucal.

Para conseguir identificar alguma diferença entre os grupos, foram feitas gravações em vídeo dos adolescentes enquanto eles mastigavam. A partir da análise de uma fonoaudióloga, descobriu-se que a turma com quilinhos a mais tinha maior dificuldade para triturar os alimentos, além de alteração na musculatura da mandíbula.

Nas meninas acima do peso, foi observada uma tendência a mastigar de um lado só. Isso pode levar, entre outros problemas, a alterações estruturais de um dos lados do arco dentário, e também a perdas nutricionais. Já os meninos fora de forma mastigam mais rápido do que o normal. Uma pena: quando demoramos mais tempo com o alimento na boca, o cérebro libera hormônios responsáveis pela saciedade, o que pode reduzir a ingestão de comida.

Adolescentes com sobrepeso ou obesidade apresentaram ainda hábitos que podem prejudicar a digestão, como adicionar muito molho à comida ou beber líquidos junto com o alimento. Ambas as atitudes fazem com que se mastigue menos e que a comida seja engolida antes do tempo. Diante disso, o desconforto estomacal é um sintoma corriqueiro.

Os experts não sabem se todas essas alterações estão relacionadas às causas da obesidade ou aos seus efeitos. Ou seja, será que a obesidade de alguma forma altera o padrão de mastigação ou é essa forma de morder a comida que contribui para o acúmulo de gordura corporal? Mesmo sem a resposta para essa questão, os cientistas reforçam a importância de observar a maneira como o jovem mastiga para, se for o caso, sugerir uma ou outra correção – nem que seja só comer com mais calma.

 Fonte: Revista saúde