quarta-feira, 4 de julho de 2018

Surto de sarampo preocupa Amazonas. Manaus decreta situação de emergência

surto de sarampo em manaus: vacina Amazonas e Roraima

Essa doença contagiosa voltou a afetar a região Norte do país. Há risco de se espalhar para o resto do Brasil? E onde entra a vacina nessa história?



A prefeitura de Manaus decretou situação de emergência por 180 dias em razão do surto de sarampo registrado no estado, principalmente na capital. No Amazonas, até 20 de junho, foram confirmados 263 casos da doença, enquanto 1 368 permanecem em investigação e 125 foram descartados. Das 1 756 notificações registradas no estado, 82,1% (1 441) ocorreram em Manaus.

Para ser mais exato, o surto de sarampo atinge tanto Amazonas quanto Roraima. Até o último balanço, divulgado no dia 2 julho pelo Ministério da Saúde, já haviam sido confirmados nos dois estados perto de 500 casos da do problema em 2018.

Em Roraima, duas mortes foram registradas em decorrência da doença. No estado, a disseminação da enfermidade é associada por autoridades à chegada de venezuelanos refugiados.

A vacina contra o sarampo

Segundo o Ministério da Saúde, foram encaminhadas aos dois estados mais de 700 mil doses da vacina tríplice viral, usada para sarampo, caxumba e rubéola. Deste total, 487 mil foram para o Amazonas e 224 mil para Roraima.

No Amazonas, a campanha de vacinação foi adiantada para o mês de abril. O foco foi estabelecido na região metropolitana de Manaus, nas cidades com mais de 75 mil habitantes e nas áreas de fronteira.

Em Roraima, essa movimentação ocorreu em 15 municípios entre os meses de março e abril. Foram administradas 112 mil doses.

Há risco de o sarampo espalhar para o resto do Brasil?

Em março, SAÚDE conversou com o pediatra Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), sobre a possibilidade de essa infecção se alastrar para outros estados. Na ocasião, o então ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que a situação não era preocupante, porque todas as medidas estavam sendo tomadas.

Entretanto, Kfouri foi menos otimista, afirmando que, sem uma ótima cobertura vacinal, há sim uma probabilidade de o sarampo voltar a circular com força no Brasil – na matéria, você também vai entender mais sobre a doença e a vacina. Cabe destacar que, em 2016, nosso país recebeu o certificado de eliminação dessa moléstia pela Organização Panamericana de Saúde. Dito de outra forma, se você ou seu filho não receberam suas doses da vacina contra sarampo, converse com um médico.

Este conteúdo foi adaptado a partir deste e deste conteúdo da Agência Brasil.

Fonte: Revista saúde

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Placa bacteriana, o que ela apronta nos dentes

Cárie, periodontite e outras doenças na boca por causa de bactériasO acúmulo de restos de alimentos e micro-organismos está por trás do tártaro e de diversos problemas dentais — de cárie a gengivite

Apesar de toda a evolução na odontologia, ainda temos uma grande prevalência de cárie e doença periodontal (gengivite e periodontite), condições que podem acarretar até mesmo a perda dos dentes. Soa alarmante que esses problemas ainda atinjam uma parcela expressiva da nossa população. Uma das maiores vilãs nesse contexto é a placa bacteriana, também chamada pelos profissionais de biofilme. Ela é composta de células em descamação, bactérias, células de defesa e restos de alimentos.
A presença da p

Tártaro e outros perrengues

Outro mal que tem ligação direta com a placa bacteriana é a doença periodontal. Ela pode começar com uma inflamação leve na gengiva, a gengivite. E, nesse estágio, é facilmente tratada com a remoção da placa aderida ao dente.
No entanto, se nenhuma providência for tomada, a placa bacteriana sofre a ação dos íons de cálcio e se calcifica, tornando-se dura. É aí que surge o tártaro (ou cálculo dental).
Alguns fatores coadjuvantes colaboram para o quadro se agravar, resultando na periodontite, situação em que a inflamação afeta o tecido que dá suporte aos dentes. Entre eles temos o diabetes, a má oclusão ou mau posicionamento dos dentes e deficiências imunológicas. A periodontite é capaz de evoluir e levar à perda dos dentes.
Nas pessoas mais jovens, o tipo de placa bacteriana e o pH da cavidade oral costumam ser diferentes em relação aos dos adultos e idosos. Nos mais novos, as colônias de bactérias que povoam o meio bucal propiciam principalmente a cárie. Após a fase adulta, porém, a doença periodontal fica mais frequente.

Prevenção é o melhor tratamento

Tanto para cárie como para doenças periodontais a prevenção é sempre o melhor caminho. A remoção mecânica da placa diariamente com o uso da escova de cerda macia e da pasta com flúor, além do fio dental, representa a chave do sucesso.  O auxílio com acessórios como escovas interdentais e bochechos (quando indicados pelo profissional) também pode ser útil.
Devemos ter em mente que o cirurgião-dentista está apto a orientar a higiene caso a caso e é o profissional capaz de diagnosticar precocemente a instalação desses problemas bucais.
Depois que se desenvolve, a doença periodontal, assim como a cárie, requer um tratamento por vezes sofisticado, tornando-se mais complexo à medida que o quadro se agrava. Nesse caso é fundamental a avaliação de um periodontista, o especialista nessa área. O exame clínico com sondagem e testes radiográficos são feitos para certificar-se do diagnóstico e nortear o plano de tratamento.
Lembre-se: a gengiva não deve sangrar. O dente, por sua vez, não deve doer nem apresentar alguma mobilidade. Esses são sinais de que alguma coisa não vai bem. Daí a necessidade de fazer um controle periódico nas visitas regulares ao dentista. É a maneira mais segura de garantir que a placa bacteriana não crie nenhum tipo de problema.
laca está entre as principais causas da cárie. Ao fermentar substâncias como os hidratos de carbono, as bactérias produzem ácidos que atacam o esmalte dos dentes, desmineralizando sua superfície e deixando-os suscetíveis ao problema.
Não é por menos que defendemos que a prevenção da cárie depende de cuidados básicos de higiene bucal, com a escovação e o fio dental, o que permite a remoção diária da placa bacteriana.
No caso da cárie, outro fator de risco tem a ver com a alimentação. Nesse sentido, sugerimos evitar a alta ingestão de açúcar, refrigerantes e bebidas ácidas.
 
Fonte: Revista saúde 

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Dossiê banho quente: ele traz prejuízos, mas dá para amenizar a situação

Saiba como evitar os danos que a alta temperatura da água provoca nos cabelos e na pele – e sem passar frio no chuveiro


Muita gente não abre mão de um banho bem quentinho quando o frio chega. O problema é que as temperaturas altíssimas da água, como os dermatologistas sempre ressaltam, são prejudiciais para a pele. “A água quente retira parte da barreira protetora da epiderme, o que provoca ressecamento, coceira e um aspecto mais grosso e áspero”, explica Adriano Loyola, dermatologista assessor do Departamento de Cosmiatria Dermatológica da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

A secura está ainda associada a doenças de pele típicas do inverno, como psoríase, dermatites e urticárias (esta é marcada por irritações que provocam vermelhidão e inchaço) em pessoas predispostas. Ninguém está dizendo que o banho precisa ser gelado, mas o ideal é que o chuveiro não aqueça além dos 37 graus.

“É uma temperatura semelhante à corporal. Por isso, para saber se a água está adequada, basta testar na pele do pulso”, ensina Loyola. Se ela estiver agradável e não deixar a mão “pelando”, tudo certo. Outro fator que ajuda a reduzir os estragos é encurtar o banho: de 5 a 10 minutos embaixo do chuveiro é o suficiente.

Fora isso, procure manter a delicadeza em nome da preservação do manto lipídico, a tal barreira protetora da pele. Isso vale para a intensidade da ducha, pois a alta pressão da água facilita a perda dessa camada, e para o uso da esponja. “Prefira produtos suaves, com ação hidratante, e evite esfregar vigorosamente a pele”, orienta o dermatologista.

Para garantir, dá para usar um sabonete do tipo Syndet, que é feito com detergentes sintéticos em vez do sabão tradicional, com sebo e soda cáustica. “Ele tem maior potencial para refazer a barreira cutânea”, diferencia Loyola. Peça indicações a seu médico.

Para não detonar os cabelos

Os fios também se ressentem da quentura. “O calor aumenta a atividade das glândulas sebáceas do couro cabeludo, o que causa oleosidade e proliferação de fungos causadores da caspa”, alerta Loyola. Nas pontas, os cabelos ficam mais ressecados, o que pode deixar as madeixas opacas e quebradiças.

Além de tomar cuidado com a temperatura da água e do secador, outra orientação é utilizar o xampu mais adequado para seu tipo de cabelo e hidratá-lo com condicionador e produtos específicos apenas nas pontas.

O pós-banho

Quando sair do chuveiro, prefira toalhas felpudas, que absorvem bem a água e não agridem a pele. E, no frio, é fundamental pensar em hidratantes, de preferência ainda no banheiro, pois os poros estão mais abertos e o vapor facilita a penetração do creme.
“Pessoas de pele normal e seca podem apostar em produtos mais encorpados, com ativos potentes, como ureia, gérmen de trigo, macadâmia, óleo de avelã, pantenol, ceramidas e manteigas”, lista Loyola.
 
Fonte: Revista saúde

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Açúcar faz tão mal quanto álcool e cigarro, diz artigo médico na 'Nature'

Resultado de imagem para noticiário sobre acucar pior que cigarroConsumo de alimentos doces triplicou no mundo nos últimos 50 anos. Ingestão excessiva está ligada a diabetes, câncer e doenças cardíacas.

O consumo de açúcar pode ser tão prejudicial quanto o abuso de álcool e cigarro, segundo artigo publicado por médicos na revista científica “Nature” nesta quarta-feira (1º). Isso porque a ingestão excessiva de sacarose e frutose, que triplicou no mundo nos últimos 50 anos, está ligada ao surgimento de doenças crônicas não-contagiosas, como diabetes, câncer e problemas cardíacos.

Em setembro do ano passado, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que, pela primeira vez na história, as doenças crônicas não-transmissíveis representam um ônus maior para a saúde pública mundial que as doenças infecciosas.

Esses males já são responsáveis pela morte de 35 milhões de pessoas por ano, segundo as Nações Unidas – 80% em países pobres ou em desenvolvimento, onde refrigerantes são muitas vezes mais baratos que água potável ou leite.

Em geral, o álcool e o cigarro são regulados pelos governos como forma de proteger a saúde da população, mas não há controle sobre a alimentação. Segundo os autores do artigo, Robert Lustig, Laura Schmidt e Claire Brindis, a regulação das autoridades deveria incluir o aumento de impostos sobre produtos industrializados acrescidos de açúcar (como refrigerantes, sucos, achocolatados e cereais), a limitação de vendas no horário escolar e em ambientes de trabalho e a imposição de limites de idade para a compra.

Mas essas regras são mais complicadas, de acordo com os pesquisadores, pois os alimentos são considerados bens essenciais, ao contrário do álcool e do tabaco.

Atualmente, há no planeta 30% mais indivíduos obesos que desnutridos, de acordo com os médicos. E a dieta ocidental, com muitos alimentos processados, tem contribuído para essas crescentes taxas. Apenas 20% dos obesos têm um metabolismo e uma vida normais – os demais sofrem com problemas como hipertensão, diabetes, apneia do sono, gordura no fígado e disfunções ortopédicas ou articulares.

As autoridades de saúde costumam considerar o açúcar como "calorias vazias", mas evidências científicas mostram que sacarose e frutose demais podem desengatilhar processos tóxicos no fígado ou reações capazes de causar uma série de doenças crônicas.

Controle do açúcar pelo mundo
 
Segundo os autores do artigo na "Nature", EUA e Europa ainda veem a gordura e o sal como os grandes vilões da alimentação, mas a atenção deve começar a se voltar para os produtos com adição de açúcar (moléculas de frutose acrecidas em comidas processadas).


Em outubro do ano passado, a Dinamarca optou por taxar alimentos ricos em gordura saturada, apesar de a maioria dos médicos não acreditar mais que essa substância seja a principal culpada pela obesidade. Agora, o país considera tributar os doces.

Outras nações europeias e o Canadá tentam impor pequenos impostos sobre alimentos adoçados. E os EUA já consideram taxar o refrigerante – um cidadão americano consome em média 216 litros por ano, dos quais 58% contêm açúcar.

A cidade de São Francisco, na Califórnia, proibiu recentemente a inclusão de brinquedos oferecidos em refeições fast-food. Outro limite possível para proteger as crianças seria proibir comerciais sobre produtos com adição de açúcar, destacaram os autores.
 
Fonte: Revista saúde

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Os 8 grandes inimigos da pele

Conheça os fatores capazes de acelerar o envelhecimento cutâneo e aprenda a se proteger deles

pele jovem


Nas últimas sete décadas, a expectativa de vida dos brasileiros subiu mais de 30 anos. À medida que a medicina e o acesso a uma saúde de qualidade avançam, é natural que o nosso corpo tenha melhores condições de seguir firme e forte. E isso vale tanto por dentro como por fora. “As pessoas querem envelhecer bem, o que, claro, inclui cuidar da aparência e da pele“, nota a dermatologista Adriana Vilarinho, da capital paulista.

E não vá pensando que o efeito desse cuidado se restringe a sorrisos na frente do espelho. Em uma pesquisa recente, a dermatologista Denise Steiner, professora da Universidade de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, pediu a 100 mulheres que completassem um questionário sobre qualidade de vida antes de se submeter a um tratamento estético. Depois da intervenção, as voluntárias repetiram a avaliação. “O procedimento aumentou a autoestima e levou a respostas mais positivas em relação ao dia a dia”, conta a médica.

Não é à toa que hoje há um verdadeiro arsenal de produtos e recursos tecnológicos voltados a atenuar as marcas do tempo. Agora, antes de investir nesses recursos, é importante saber que alguns fatores atuam contra a saúde da pele. Ou seja, para garantir uma cútis bacana mesmo, controlá-los faz parte do pacote de cuidados básicos. Vamos conhecer esses inimigos?

1- Sol

Quem abusa dele paga o preço. “Os raios solares danificam as fibras de colágeno, destroem paredes de vasos, alteram a pigmentação…”, diz o médico Adriano Loyola, da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Tem que passar protetor. O filtro deve ser aplicado a cada duas horas, em média. Utilize o equivalente a uma colher de chá.

2- Poluição

Gera um boom de radicais livres, moléculas que lesam as células. Segundo Luciana Samorano, dermatologista da Universidade de São Paulo (USP), o jeito é limpar bem e usar produtos com antioxidantes, como resveratrol e vitaminas C e E.

3- Excesso de açúcar

Alimentos que elevam a glicemia induzem o processo de glicação. “E ele interfere na renovação celular e na produção de colágeno na pele”, descreve Loyola. Logo, uma dieta equilibrada faz parte da receita para ter uma pele bacana.

4- Cigarro

“A nicotina atrapalha a produção natural de colágeno e danifica o DNA das células”, cita o médico da SBD. Fora que o biquinho feito ao fumar causa linhas ao redor da boca. Inevitável falar que o melhor é parar, certo?

5- Pouco sono

Loyola frisa que o descanso inadequado desregula nossos hormônios. “E alguns deles são fundamentais para auxiliar na recuperação da pele após danos ocasionados por fatores externos”, raciocina. Hora de selar a paz com a cama.

6- Falta de limpeza diária

Uma higiene caprichada faz muito mais do que remover resíduos perigosos na pele. Associada à tonificação, ela prepara o rosto para receber os ativos de tratamento, como ácidos e compostos antioxidantes. Use água e sabonete próprio para sua pele.

7- Estresse

Ele também induz a produção dos temidos radicais livres, afetando o bom fornecimento de colágeno. Mais uma razão para colocar cremes antioxidantes na prateleira.

8- Luz artificial

Sabe a luz emitida por celulares, tablets e computadores? Especula-se que ela também prejudique a cútis. O protetor solar com cor é a pedida certa para barrá-la.
Fonte: Revista saúde

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Câncer de estômago ganha primeiro tratamento dentro da imunoterapia

Câncer no estômago: novo remédio

O remédio, que incita o próprio corpo a atacar o câncer, já atua no combate a outros tipos da doença e tem menos efeitos colaterais do que a químio

 
O tipo mais comum de câncer de estômago, o adenocarcinoma gástrico, é bastante estudado e, mesmo assim, ainda é difícil eliminá-lo de vez do organismo. Agora, um novo medicamento foi liberado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para tratar justamente os casos que não responderam à quimioterapia e outros medicamentos.

Falamos do pembrolizumabe, princípio ativo desenvolvido pela farmacêutica MSD. O remédio faz parte do arsenal mais recente da imunoterapia, abordagem que estimula o sistema imune a atacar o próprio tumor. “O câncer cresce sem ser notado pelas células de defesa, e a imunoterapia tira essa espécie de capa de invisibilidade que recobre o tumor”, explica Ricardo Carvalho, oncologista do Hospital BP Mirante, de São Paulo.

No adenocarcinoma gástrico, esse crescimento passa ainda mais despercebido, uma vez que os sintomas são pouco específicos: enjoo, dificuldades de se alimentar, sensação de estufamento, perda de apetite… Isso é ruim, porque o diagnóstico precoce aumenta as chances de derrotar esse tumor, cuja mortalidade nos casos avançados chega a 70%, segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer).

Aí que entra o pembrolizumabe. O fármaco está indicado para tumores gástricos e gastroesofágicos (quando atingem o final do esôfago e o início do estômago) que já resistiram a dois ou mais tratamentos e carregam a molécula PDL-1, capaz de enganar o sistema imune, permitindo a proliferação do câncer. “As poucas opções de drogas que tínhamos para atuar nesse cenário eram pouco efetivas ou muito tóxicas”, comenta Carvalho. E é justamente o menor grau de toxicidade um dos grandes destaques da imunoterapia.

“Na imunoterapia, os efeitos colaterais parecem menores do que a químio, e são geralmente relacionados a uma resposta exagerada do sistema imune, como inflamações na tireoide, intestino e pulmão. Mas isso só aconteceu em 2% dos casos estudados até agora”, aponta Carvalho.

Para a bexiga

Outra aprovação recente do pembrolizumabe no Brasil é para o carcinoma urotelial, o tipo mais comum de câncer de bexiga, que atinge mais homens acima dos 65 anos e está relacionado especialmente ao cigarro. “A mortalidade desse câncer, embora relativamente pequena, manteve-se estável nos últimos anos, porque não tivemos grandes avanços no tratamento”, contextualiza Carvalho.

Até por isso, o remédio, que demonstrou resultados considerados satisfatórios nos estudos, entra no Brasil como primeira linha do tratamento. Mas apenas para indivíduos que não podem fazer a quimioterapia com cisplatina – que é a melhor tática, porém só pode ser usada por metade dos portadores desses tumores em decorrência de sua toxicidade.

Medicamento promissor

Em 2017, o pembrolizumabe recebeu aprovação nos Estados Unidos para tratar tumores de acordo com certas características biológicas independentemente da localização deles. No mesmo ano, passou a ser usado no Brasil para o tratamento do melanoma, a forma mais grave do câncer de pele, e de um tipo de câncer de pulmão.

Segundo a fabricante, há mais de 370 estudos clínicos (ou seja, com seres humanos) sendo conduzidos pelo mundo para analisar a eficácia do remédio contra 30 tipos de tumor. Na próxima edição do congresso da ASCO, a Sociedade Americana de Oncologia Clínica, serão apresentados 140 trabalhos sobre o tema.
Fonte: Revista saúde

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Alimentação contra a perda da massa muscular

O que comer para ganhar músculo e evitar a sarcopenia

Especialistas mostram o papel dos nutrientes na prevenção e no combate da sarcopenia, o déficit de força e músculos.

Cada vez mais em evidência com o envelhecimento da população, a sarcopenia é caracterizada por uma perda da massa muscular que ocorre naturalmente com o avançar da idade, um processo que tem repercussões na saúde e na capacidade funcional. As principais estratégias para prevenir e tratar a condição envolvem a prática de exercícios físicos (em especial as atividades que trabalham força muscular) e a alimentação adequada, principalmente no que concerne ao consumo de proteínas.

Um estudo denominado PROT-AGE, realizado pela European Union Geriatric Medicine Society, recomenda a ingestão proteica diária de 1 a 1,2 grama por quilo de peso para pessoas acima de 65 anos. Isso seria a quantidade desejável para manter a massa muscular em dia. Para idosos fisicamente ativos, sugere-se que esse consumo seja superior a 1,2 g/kg por dia. Além do fator atividade física, a presença de doenças agudas ou crônicas faz aumentar a necessidade de proteína: a orientação é de 1,2 a 1,5 g/kg do peso – exceção é feita à doença renal crônica em tratamento conservador.

A quantidade de proteína ingerida nas refeições é um aspecto fundamental no controle da sarcopenia. Isso porque, em comparação com os mais jovens, os idosos necessitam de maior quantidade desse nutriente para promover o adequado estímulo à síntese proteica muscular – com a idade, há uma espécie de resistência natural à capacidade de o organismo usar recursos para construir e repor as proteínas do músculo. Por isso, no mesmo estudo PROT-AGE, temos a recomendação de que idosos devem ter refeições contemplando de 25 a 30 gramas de proteínas.

Além da quantidade ofertada, a qualidade da proteína também deve ser levada em consideração. Pesquisas evidenciam que proteínas com alto conteúdo de leucina e de rápida digestão, como as do soro do leite, são mais efetivas para promover a restauração e o crescimento muscular. Associadas aos exercícios, são particularmente bem-vindas para reduzir o risco de sarcopenia.

Para que a proteína seja devidamente destinada à musculatura, também é necessário que a ingestão de energia esteja adequada. Ainda que o aporte calórico em idosos possa ser menor que o de pessoas mais jovens, é de suma importância manter refeições com um bom valor energético e monitorar o peso e a composição corporal a fim de verificar e alterar o plano alimentar, se preciso.

No que diz respeito a outros nutrientes, como os carboidratos e gorduras, as recomendações de ingestão não diferem com o envelhecimento, devendo seguir o que estabelece a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em relação às gorduras, deve-se priorizar o consumo de ácidos graxos insaturados (azeite de oliva, pescados, nozes e castanhas etc) e evitar que mais de 10% das calorias sejam provenientes de gordura saturada (manteiga, óleo de palma, miúdos…).

Da mesma maneira, a obtenção de vitaminas e minerais deve obedecer aos padrões da Ingestão Dietética de Referência (DRIs), não havendo a necessidade de suplementação caso a dieta já esteja suprindo as necessidades.

A hidratação adequada também é fundamental, tendo em vista que, com o envelhecimento, há redução do conteúdo de água corporal, bem como da sensação de sede. Logo, idosos entram no grupo de risco para desidratação e desequilíbrio eletrolítico (um desbalanço entre minerais cruciais a diversas funções do organismo). A ingestão hídrica recomendada é de 20 a 45 mililitros por quilo de peso diariamente. Contudo, esse valor sofre variações dependendo da situação, como nível de atividade física ou aumento da temperatura do ambiente.

O acompanhamento com um nutricionista minimiza o risco de sarcopenia assim como contribui para o manejo da condição. Na elaboração do plano alimentar, o profissional irá considerar fatores como condições socioeconômicas, estado de saúde, capacidade de mastigação, intolerâncias alimentares, entre outros. Desse modo, poderá individualizar as condutas para que o atendimento seja coerente, acessível e reflita na melhor expectativa e qualidade de vida do indivíduo.

*Audrey Yule Coqueiro é nutricionista, doutoranda em nutrição pela Universidade de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (Sban). Marcelo Macedo Rogero é nutricionista, professor da Universidade de São Paulo e membro da Sban
Fonte: Revista saúde