terça-feira, 26 de novembro de 2013

Caminhada emagrece: detone 2500 calorias em uma semana

Um santo exercício

Quem acha que a caminhada é o exercício certo para quem não curte malhar não sabe do que essa atividade é capaz. E talvez não imagina que a modalidade pode se transformar em uma aliada poderosa para conquistar um corpo sequinho, forte e definido. O segredo para escapar do tédio e fazer a atividade trabalhar a seu favor é variar os tipos de treino no decorrer da semana. "Não adianta caminhar sempre na sua zona de conforto. O corpo precisa receber estímulos diferentes para continuar obtendo resultados", fala Renata Castro, professora de educação física e instrutora de caminhada e corrida do Projeto Mulher, em São Paulo. Para te ajudar, ela elaborou dois treinos sob medida para você: um para quem caminha na esteira e outro para quem prefere andar ao ar livre. Você também pode combinar os dois para deixar o programa ainda mais dinâmico. Cada um é dividido em seis sessões semanais, distribuídas assim: três treinos de força (com variação de velocidade ou de inclinação), dois regenerativos (você vai andar menos e mais leve) e um longo (para trabalhar resistência). "Dessa maneira, o corpo é obrigado a se adaptar a diferentes situações e gasta mais energia", explica Renata. Confira as planilhas montadas pela professora e escolha a que vai ajudar você a mandar embora 2500 kcal em uma semana e queimar todos os excessos.

Passo a passo

A professora Renata Castro dá as coordenadas para você aproveitar o máximo do exercício e ir mais longe sem desanimar nem se machucar

1) Nas subidas e nas descidas outdoor, pise primeiro com a região gordinha do pé (entre os dedos e a parte cava) para reduzir o impacto nas passadas e proteger os joelhos.

2) Quando acelerar, use os braços para ajudar no movimento, como se fossem alavancas.

3) Contrair a barriga durante a caminhada impede que você projete os quadris para trás e, assim, protege as costas. E ainda tem o efeito de vários abdominais, pois trabalha a musculatura em isometria.

4) O treino longo pode ser um pouco monótono, mas não desista. Se sentir cansaço, diminua a intensidade por 1 minuto e em seguida retome o ritmo. Vá alternando assim até completar o tempo total.
 

Entenda o treino



Segunda e quarta: treino de força com velocidade = 450 calorias (cada um)

Terça e quinta: treino regenerativo = 250 calorias (cada um)

Sexta: treino de força com inclinação = 450 calorias

Sábado: treino longo = 650 calorias
Escolha seu ritmo

Aprenda a determinar a intensidade do seu treino

Caminhada leve: você consegue conversar com facilidade, é como se fosse um passeio.

Caminhada moderada: mais acelerada, porém ainda dá para bater papo. Você usa os braços para ajudar no movimento.

Caminhada forte: você começa a ficar ofegante e movimenta bastante os braços e as pernas. É como se estivesse com pressa. Descanso ativo: você não fica parada, mas caminha sem esforço.

Você pode fazer o treino na esteira ou na rua.

Treino na esteira - Semana 1

Segunda e quarta: 10 min de caminhada leve + 24 min (alternar 1 min de caminhada forte + 2 min de caminhada leve) + 10 min de caminhada leve. Total: 44 min

Terça e quinta: 20 min de caminhada leve + 20 min de caminhada moderada. Total: 40 min

Sexta: 10 min de caminhada leve + 8 min de caminhada forte com inclinação 1% + 10 min caminhada forte com inclinação 2% + 8 min caminhada forte com inclinação 3% + 10 min de caminhada leve. Total: 46 min

Sábado: 20 min de caminhada leve + 70 min de caminhada forte. Total: 90 min

Treino na esteira - Semana 2

Segunda e quarta: 15 min de caminhada leve + 30 min (alternar 2 min de caminhada forte + 1 min de caminhada leve) + 15 min de caminhada leve. Total: 60 min

Terça e quinta: 20 min de caminhada leve + 20 min de caminhada moderada. Total: 40 min

Sexta: 15 min de caminhada leve + 30 min (alternar 4 min de caminhada forte + 6 min de caminhada forte com inclinação 3%) + 15 min de caminhada leve. Total: 60 min

Sábado: 10 min de caminhada leve + 80 min de caminhada forte. Total: 90 min

Treino na esteira - Semana 3

Segunda e quarta: 10 min de caminhada leve + 40 min (alternar 1 min de caminhada forte + 1 min de caminhada leve + 2 min de caminhada forte + 1 min de caminhada leve) + 10 min de caminhada leve. Total: 60 min

Terça e quinta: 20 min de caminhada leve + 20 min de caminhada moderada. Total: 40 min

Sexta: 10 min de caminhada leve + 26 min de caminhada forte com inclinação 3% + 10 min de caminhada leve. Total: 46 min

Sábado: 10 min de caminhada leve + 75 min de caminhada forte + 10 min de caminhada leve. Total: 95 min

Treino na esteira - Semana 4

Segunda e quarta: 10 min de caminhada leve + 63 (alternar 1 min de caminhada forte + 1 min de caminhada leve + 2 min de caminhada forte + 1 de caminhada leve + 3 min de caminhada forte + 1 de caminhada leve) + 10 min de caminhada leve. Total: 83 min

Terça e quinta: 20 min de caminhada leve + 20 min de caminhada moderada. Total: 40 min

Sexta: 15 min de caminhada leve + 4 min de caminhada forte com inclinação 1% + 2 min de caminhada leve + 4 min de caminhada forte com inclinação 2% + 2 min de caminhada leve + 4 min de caminhada forte com inclinação 3% + 2 min de caminhada leve + 4 min de caminhada forte com inclinação 2% + 2 min de caminhada leve + 4 min de caminhada forte com inclinação 1% + 2 min de caminhada leve. Total: 45 min

Sábado: 10 min de caminhada leve + 80 min de caminhada forte + 10 min de caminhada leve. Total: 100 min

Treino na rua - Semana 1

Segunda e quarta: 10 min de caminhada leve + 48 min (alternar 1 min de caminhada forte + 2 min de caminhada leve + 2 min de caminhada forte + 1 min de caminhada leve) + 10 min de caminhada leve. Total: 68 min

Terça e quinta: 20 min de caminhada leve + 20 min de caminhada moderada. Total: 40 min

Sexta: 10 min de caminhada leve + 20 min (alternar 2 min de caminhada forte na subida + 2 min de caminhada forte na descida) + 10 min de caminhada leve. Total: 40 min

Sábado: 20 min de caminhada leve + 70 min de caminhada forte. Total: 90 min

Treino na rua - Semana 2

Segunda e quarta: 15 min de caminhada leve + 30 min (alternar 2 min de caminhada forte + 1 min de caminhada leve) + 15 min de caminhada leve. Total: 60 min

Terça e quinta: 20 min de caminhada leve + 20 min de caminhada moderada. Total: 40 min

Sexta: 15 min de caminhada leve + 36 min (alternar 6 min de caminhada moderada na subida + 3 min de caminhada moderada na descida) + 15 min de caminhada leve. Total: 66 min

Sábado: 20 min de caminhada leve + 70 min de caminhada forte + 10 min de caminhada leve. Total: 100 min

Treino na rua - Semana 3

Segunda e quarta: 10 min de caminhada leve + 48 min (alternar 2 min de caminhada forte + 1 min de caminhada leve + 1 min de caminhada forte + 2 min de caminhada leve) + 10 min de caminhada leve. Total: 68 min

Terça e quinta: 20 min de caminhada leve + 20 min de caminhada moderada. Total: 40 min

Sexta: 15 min de caminhada leve + 10 min (alternar 2 min de caminhada moderada na subida + 2 min de caminhada leve na descida) + 15 min de caminhada leve. Total: 40 min

Sábado: 20 min de caminhada leve + 75 min de caminhada forte + 10 min de caminhada leve. Total: 105 min

Treino na rua - Semana 4

Segunda e quarta: 15 min de caminhada leve + 12 min (alternar 5 min de caminhada forte + 1 min de descanso ativo) + 12 min (alternar 5 min de caminhada moderada + 2 min de descanso ativo) + 12 min (5 min de caminhada forte + 1 min de descanso ativo) + 15 min de caminhada leve. Total: 66 min

Terça e quinta: 20 min de caminhada leve + 20 min de caminhada moderada. Total: 40 min

Sexta: 15 min de caminhada leve + 48 min (3 minutos de caminhada forte + 3 min de caminhada moderada na subida) + 15 min de caminhada leve. Total: 78 min

Sábado: 20 min de caminhada leve + 80 min de caminhada forte + 10 min de caminhada leve. Total: 110 min
 
 
Fonte: Revista saúde - editora abril

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Salário-maternidade: direito da futura mamãe

matéria-salário-maternidadeSaiba tudo sobre o benefício: quem pode recebê-lo, quando pedir e qual o valor da remuneração.

No período de licença-maternidade, as futuras mamães têm direito ao salário-maternidade. Ele é um benefício pago a empregada, a trabalhadora avulsa, a empregada doméstica registrada, a segurada especial, a contribuinte individual que se encontra afastada de sua atividade cotidiana por motivo de parto, aborto não criminoso, adoção ou guarda judicial para fins de adoção. Para esclarecer as dúvidas sobre o assunto, conversamos com Eli Alves da Silva, advogado, conselheiro da OAB/SP e Presidente da Comissão de Direito Material do Trabalho da OAB/SP.

Quem tem direito?
Todas as mulheres que trabalham e/ou contribuem para a Previdência Social (INSS), como, empregadas registradas; empregadas domésticas registradas; autônomas (contribuintes individuais); trabalhadoras que prestam serviço a várias empresas, mas são contratadas por sindicatos e órgãos gestores de mão de obra (trabalhadoras avulsas); pessoas com mais de 16 anos que não tem renda própria, mas contribuem para a Previdência Social (contribuintes facultativas); trabalhadoras rurais que produzem em regime de economia familiar, sem utilização de mão de obra assalariada (seguradas especiais) e mães adotivas.

Sou dona de casa. Posso receber o benefício?
Nesse caso, a mulher só terá direito ao salário-maternidade se for uma contribuinte do INSS.

Pedi demissão e descobri que estou grávida. Tenho direito a remuneração?
Se a mulher pediu demissão ou foi demitida, e, descobriu que estava grávida até 12 meses após ter saído da empresa, ela tem direito ao salário-maternidade. Ela receberá o correspondente a média dos 12 últimos salários-de-contribuição, apurados em período não superior a 15 meses.

Minha empresa faliu. Posso requerer o salário mesmo assim?
Sim. Nesse caso, a grávida pode requerer o benefício ao INSS.

Qual é o valor da remuneração?
Isto depende do salário que a mulher recebe. Para quem tem salário fixo, o salário-maternidade é referente ao valor real da remuneração. Segundo Eli, é nesse momento que as progenitoras devem ficar atentas. “É necessário exigir que o valor real da remuneração conste na carteira de trabalho. Isso terá reflexo quando a mulher for receber o salário-maternidade, já que, o que vai ser considerado é o que está registrado”, observa. Por isso, nada de fazer um acordo com o seu chefe e registrar um valor diferente do que aquele que você ganha na carteira de trabalho. Já empregadas domésticas têm direito a receber o correspondente ao valor do último salário-de-contribuição, observados nos limites máximos e mínimos do salário de contribuição para a Previdência Social. As trabalhadoras avulsas vão receber o correspondente a sua última remuneração equivalente a um mês de trabalho, as autônomas e facultativas receberão o correspondente a um doze avos da soma dos últimos doze salários de contribuição. Para as trabalhadoras rurais, o benefício é referente ao salário mínimo, exceto se a pessoa contribuir facultativamente.

Tenho direito ao salário-maternidade por quanto tempo?
O tempo do salário-maternidade é de 120 dias, e, não há previsão na lei para prorrogação do benefício. Somente em casos excepcionais é que o período anterior ou posterior ao parto pode ser aumentado por duas semanas, mediante ao atestado médico específico. Quando se trata de uma guarda judicial para fins de adoção, isto é, no período de pré-adoção, a futura mãe tem direito ao salário maternidade por 120 dias, independente da idade da adotado, limitado até 12 anos. Em casos de abortos espontâneos ou previstos em lei, como aborto decorrente de estupro, a mulher também tem direito ao salário-maternidade de 14 dias. Já quando, acontece uma fatalidade e a criança nasce morta, o direito ao salário-maternidade é de 120 dias.

Quando posso requerer o benefício?
As mães podem solicitar o serviço a partir do oitavo mês de gestação ou 28 dias antes do parto, mediante ao atestado médico, ou a partir da data de nascimento do bebê, constando a cópia autenticada da certidão de nascimento da criança. Em caso de adoção, é a partir da nova certidão de nascimento, onde não aparece mais os nomes dos pais biológicos, que a mãe passa a ter direito ao salário-maternidade.

Como requerer o salário-maternidade?
Geralmente é o setor de Recursos Humanos das empresas, que cuida da parte burocrática ligada aos benefícios destinados aos empregados, que solicitam o benefício. Mas, se não for o caso, as novas mamães podem procurar uma agência do INSS ou realizar o requerimento por Internet.
É importante que as mulheres não cuidem da documentação em cima da hora. Deixar tudo preparado evita stress e ajuda a manter a estabilidade emocional da gestante. Depois disso, é só curtir o tempo com o pequeno, sem se preocupar com demais questões.

Fonte: bebe.com

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Atividade física: remédio para o coração

Pesquisas não param de apontar uma relação estreita entre a prática cotidiana de exercícios e a prevenção de males cardiovasculares. Mas quais são os mecanismos por trás desse efeito? Para esclarecer o assunto, conversamos com o médico Nabil Ghorayeb, especialista em cardiologia do esporte, membro da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, a Socesp, e, coordenador clínico do Sport Check-up do Hospital do Coração (HCor), em São Paulo. Confira a entrevista exclusiva:
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De que maneira a atividade física protege o coração?
São vários os mecanismos por trás dos benefícios. Há desde alterações no metabolismo em geral e perda de peso até o aumento na produção de substâncias que protegem os vasos sanguíneos, caso das citocinas que ajudam a inibir a formação de placas, passando pela melhor modulação da pressão arterial e pela redução das taxas de glicose e de triglicérides. A prática cotidiana de exercícios — ou seja, meia hora de atividade 5 vezes por semana — está diretamente envolvida com o aumento na produção das tais citocinas que impedem a deposição de gordura no endotélio, o tapete celular que recobre as artérias. É possível afirmar que a atividade física ajuda a prevenir a aterosclerose. Mas, vale destacar, esse resultado só se dá após 14 semanas de treinos regulares.
Por falar em gordura, como ficam os níveis de colesterol? Os exercícios favorecem o controle?
Embora os efeitos sejam discretos, estudos mostram que a atividade física reduz cerca de 10% das taxas de LDL, o chamado colesterol ruim, isto é, aquele que serve de gatilho para a formação de placas nas artérias. Em contrapartida há o aumento – de até 10% em um ano – do HDL, o bom colesterol, que impede os depósitos gordurosos nos vasos. Também devemos salientar que entre esportistas a alimentação costuma ser mais equilibrada, o que soma muitos pontos a favor.
E por que o equilíbrio das taxas de glicose também é benéfico ao coração?
Quando nos exercitamos, os níveis de insulina ficam mais estáveis na circulação. Isso ocorre graças ao aumento da captação de glicose pelas fibras musculares. Esse mecanismo é considerado fator de proteção contra males cardiovasculares porque, quando há excesso de açúcar no sangue, existe maior risco para lesões arteriais e, consequentemente, para a deposição de gordura e formação de placas.
Para proteger o coração é importante combater o sedentarismo a partir de qual idade?
Desde a infância. Estimular a prática lúdica de esportes logo nos primeiros anos é garantia de longevidade. Sem contar que a criança cresce com mais afinidade para exercitar-se e isso pode ajudar a evitar que desista da atividade física quando chegar à vida adulta.
Por que o sedentarismo é tão comum entre os brasileiros?
Tem tudo a ver com a falta de estímulo. É corriqueiro ver por aí pessoas que ingressam nas academias e rapidamente abandonam os treinos. Por isso, é fundamental enfatizar que deve haver prazer durante as atividades. É importante que se escolha aquilo que dê mais satisfação, seja dança, caminhada, corrida, musculação. Aliás, a prática de exercícios em grupo costuma ser uma ótima estratégia para evitar desistências.
Qual o elo entre a prática de exercícios e o bem-estar emocional, que também conta pontos a favor da saúde cardiovascular?
Volto a dizer que é fundamental que a atividade física seja escolhida de acordo com a preferência. Cada um deve se dedicar ao que gosta. Os exercícios disparam a produção de substâncias que promovem o relaxamento e a alegria, o que também é indispensável para proteger o coração. As pessoas que praticam esportes são mais divertidas e têm maior grau de sociabilização, ou seja, melhor convivência em grupo, além de mais ânimo no trabalho.

Fonte: Revista saude editora abril

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Vitamina D, muito além dos ossos


Vai longe o tempo em que essa substância era conhecida apenas pelos benefícios ao esqueleto — o que, diga-se, já é um grande feito. Hoje se multiplicam estudos apontando o elo da vitamina D com a prevenção de males como o diabete e o câncer.

Mas será que os brasileiros apresentam níveis adequados do nutriente? Todo mundo deveria recorrer à suplementação? Para responder estas e outras questões, entrevistamos o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia.


SAÚDE: A vitamina D tem se destacado, nos últimos anos, em uma porção de estudos mundo afora. O senhor poderia apontar o motivo dessa crescente valorização?

Durval Ribas Filho: Novos achados mostram a atuação da vitamina em receptores específicos presentes em inúmeras células do organismo e a colocam em um patamar diferenciado. Inclusive já há quem a classifique como um tipo de hormônio justamente pela sua participação em funções que vão do fortalecimento dos ossos ao equilíbrio nos níveis de insulina na corrente sanguínea.

SAÚDE: O senhor poderia explicar esse elo com a insulina e o diabete?

Durval Ribas Filho: Embora o mecanismo por trás disso ainda não esteja totalmente claro, há pesquisas epidemiológicas que relacionam a carência de vitamina D com a hiperglicemia, daí a hipótese de que a substância atue no equilíbrio e na ação da insulina. Existem pistas de que o nutriente interfira com a resposta insulínica ao estímulo da glicose, seja pela ligação da 1,25hidroxi-vitamina D com o receptor VDR da célula pancreática ou pela ação no fluxo de cálcio intra e extracelular, o que contribui para a redução da secreção desse hormônio. Não à toa, vários trabalhos atestam sua importância na diminuição do risco do diabete do tipo 2.

SAÚDE: E sobre a obesidade, qual o papel da vitamina D?

Durval Ribas Filho: Ainda não dá para afirmar que a falta do nutriente sirva de gatilho para o ganho de peso. Mas alguns trabalhos já mostraram que a escassez tem um vínculo com o aumento da lipogênese. Outra hipótese a se considerar é a de que os baixos níveis da vitamina levam ao estímulo dos núcleos hipotalâmicos da fome e da saciedade e reduzem o gasto energético.

Vale mencionar também que diversas pesquisas relacionam a deficiência durante a gestação com uma tendência para a obesidade da criança. Nesse caso, o mecanismo tem a ver com a diminuição da sensibilidade da insulina.


SAÚDE: Ainda falando sobre excesso de peso, os obesos costumam apresentar déficit da substância?

Durval Ribas Filho: Sim. Isso acontece porque os adipócitos sequestram o nutriente da circulação. As células de gordura têm certa afinidade com a substância justamente por ela fazer parte do grupo das vitaminas lipossolúveis. Aliás, os obesos precisam passar por uma avaliação rigorosa e receber suplementação para evitar danos relacionados com a carência, com destaque para a fragilidade dos ossos e a baixa imunidade.

SAÚDE: O senhor pode falar sobre o papel da vitamina D na imunidade?

Durval Ribas Filho: Esse benefício também tem sido bastante investigado. E já está comprovado que a vitamina estimula a ação das células imunológicas e favorece as nossas defesas.


SAÚDE: Outra novidade é a ação contra o câncer, não é?

Durval Ribas Filho: Isso mesmo. Um grande estudo, realizado recentemente, o Women's Health Initiative (WHI), mostra uma associação entre a deficiência e o aumento dos casos de tumores nos pulmões. Mas, ainda não dá para detalhar o mecanismo por trás dessa função. É bem provável que a vitamina D favoreça a diminuição do crescimento celular, mediada por fatores de crescimento, o que resulta no efeito protetor e preventivo para as neoplasias.
 

SAÚDE: Apesar de tantas benfeitorias, o panorama de deficiência no Brasil é bem ruim, não?
Durval Ribas Filho: Infelizmente a carência é elevada. O BRAZOS, ou Brazilian Osteoporosis Study, mostra que a grande parte da população está com níveis abaixo do recomendado, que é de 600 a 1000 Unidades Internacionais para os adultos.

SAÚDE: Como explicar isso em um país ensolarado?

Durval Ribas Filho: Em parte é pelo uso de filtro solar e pelo temor relacionado ao câncer. Nossa pele é o único sítio capaz de produzir vitamina D. A luz ultravioleta favorece a fabricação da pró-vitamina que após 24 horas torna-se o nutriente de fato. Também vale mencionar que o pouco de vitamina D vindo da alimentação nem sempre faz parte do cardápio do brasileiro.

SAÚDE: E qual seria a sua dica para alcançar as recomendações?

Durval Ribas Filho: A luz solar é a melhor fornecedora da vitamina e a sugestão é expor os braços ou pernas durante 15 minutos, de preferência pela manhã, antes das 10 horas. Também é fundamental adquirir o nutriente por meio de alimentos como o óleo de peixe, a gema de ovo, o leite, além dos pescados que acumulam mais gordura, caso do salmão, do atum e da sardinha.

SAÚDE: E quando é o caso de suplementação?

Durval Ribas Filho: O uso de suplemento costuma ser recomendado para algumas faixas etárias, como os idosos que não sintetizam direito a substância. Obesos e gestantes também costumam necessitar dele. Mas, antes de prescrever, é necessário que o paciente passe por exames minuciosos de sangue para definir a real necessidade.

SAÚDE: Há riscos se o consumo for excessivo?

Durval Ribas Filho: O exagero na vitamina pode trazer desconfortos como náuseas, vômitos e constipação intestinal, além de favorecer a formação de cálculo renal e arritmias cardíacas.

Fonte: Revista saude - editora abril

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Por uma pele livre de câncer

Câncer de pele
 Não dá para negar que esse câncer, o mais frequente entre os brasileiros, vem ganhando atenção especial por aqui. Nossa nação foi a primeira a banir as câmaras de bronzeamento artificial, comprovadamente capazes de incitar o problema, e estabeleceu uma regulamentação mais rigorosa para protetores solares. 
 
A comunidade científica também demonstra preocupação com o tema. Tanto que o pesquisador Teiti Yagura concluiu um estudo no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo sobre como a radiação solar fomenta alterações cancerígenas no código genético das células. "Já sabíamos que ela consegue deformar o DNA", afirma Yagura, hoje na Universidade de Kyoto, no Japão. "Agora vimos que, quando recebe raios ultravioleta A, aqueles que incidem durante todo o período diurno, o DNA absorve essa energia e, então, geraria uma molécula nociva que pode, em tese, lesá-lo", explica. 
 
No Congresso Mundial de Câncer de Pele, sediado em São Paulo, foram discutidas alternativas que previnem ou até controlam esses danos provocados pelo excesso de exposição ao astro rei. "Recentemente apareceram armas inovadoras que auxiliarão a combater os tumores de pele", garante Antonio Carlos Buzaid, chefe geral do Centro Avançado de Oncologia do Hospital São José, na capital paulista. Confira algumas das principais virando a página - mas tenha em mente que se proteger do sol sempre será o melhor remédio contra essa enfermidade. 
 

Um remédio contra o tipo mais violento de tumor de pele

Só 4% dos cânceres que afligem a derme são melanomas. Ainda bem. Embora menos comum, tal variadade é muito perigosa - fique de olho em pintas assimétricas, de borda irregular, com mais de uma cor, ou que cresceram nos últimos tempos. Quando não flagrada no início, torna-se mortal. E é para esses casos que veio o ipilimumabe, droga já aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. "A medicação deixa o sistema imune agressivo e, logo, propenso a atacar o tumor", esclarece Buzaid. Nos estudos, o fármaco elevou a sobrevida dos pacientes e, em algumas situações, até os curou. "Apesar de possuir efeitos colaterais, ele costuma ser bem tolerado", acrescenta Buzaid. No momento, os médicos aguardam os resultados de uma pesquisa que testou o ipilimumabe em melanomas menos avançados. 
 

O gel que apaga manchas cancerígenas

"Em uma pele muito exposta ao sol, às vezes surgem manchas avermelhadas e ásperas", ensina o dermatologista Beni Grinblat, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Denominadas queratoses actínicas, elas evoluem em 20% dos casos para um tipo de tumor. De modo a impedir essa progressão, a empresa Leo Pharma criou um gel à base de mebutato de ingenol, disponível no Brasil a partir de 2013. "O creme elimina as células alteradas, é fácil de ser aplicado pelo dermatologista e tudo indica que traz bons resultados", diz Francisco Paschoal, dermatologista da Faculdade de Medicina do ABC, na Grande São Paulo. Como todo remédio, ele demanda prescrição. 
 

Onde você menos imagina

O melanoma pode surgir na planta dos pés, nas nádegas, no couro cabeludo e em outras áreas onde o sol não bate. "Por isso é importante autoexaminar todo o corpo", reforça Gwen Corrigan, enfermeira do americano MD Anderson Cancer Center. Um espelho de mão ou o parceiro ou a parceira ajudam nessa tarefa. 
 

O filtro que repara o DNA das células

Além de bloquear raios solares, o protetor Eryfotona, da Isdin, conta com uma substância batizada de repairsome, que reverte parte dos estragos nos genes advindos de horas e mais horas na praia. "Nos testes, as amostras de pele com repairsome sofreram menos alterações no seu DNA", aponta Paschoal. Ou seja, o produto atua tanto na prevenção como na restauração da cútis torrada. Hoje, ele é recomendado para quem teve um câncer de pele ou para pessoas com alto risco de desenvolver a chateação. Daí a razão do FPS 100. "Isso não quer dizer que seu fator de proteção solar é duas vezes maior do que o de um filtro com FPS 50 e que as pessoas podem se expor à vontade", ressalva Eliandre Palermo, da SBD e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. No futuro, talvez o filtro seja indicado para todos, mas isso depende de estudos. 

Bronzeamento nada saudável

Ficar horas ao ar livre sem nenhuma proteção contra o sol queima o código genético de duas maneiras:
 
Processo de deformação 
1. Estrutura abalada 
O DNA é formado por, entre outras moléculas, timinas, que se conectam a adeninas. E os raios ultravioleta, quando penetram no núcleo celular, quebram essa ligação.
 
2. DNA entortado 
A energia da radiação solar ainda faz com que uma timina se ligue a outra idêntica, desfigurando o DNA. Se a célula não corrige o defeito direito, surgem mutações cancerígenas.
 
Oxigênio transformado 
 
1. Fogo no palheiro 
O DNA capta os raios ultravioleta A. Aí, ele repassa a energia para partículas de O2, que se tornam nocivas e ganham o nome de oxigênio singlete.
 
2. O incêndio 
Essas moléculas agressivas, se não barradas pelas defesas do corpo, atacam os genes. Isso, em teoria, também daria em mutações que são o estopim para tumores.
 

Uma nova droga faz o organismo se rebelar contra o melanoma:
 

Câncer de pele
 
 
1. Um alvo difícil 
O tumor muitas vezes nem é visto como um inimigo pelo corpo. Ou seja, apenas um ou outro anticorpo o enfrenta.
 
2. Pra piorar 
Após 48 horas do início do ataque, entram em cena os linfócitos reguladores, células que desativam os poucos soldados que assaltavam o câncer.
 
3. Uma tropa insaciável 
O ipilimumabe se liga ao linfócito regulador, inibindo sua atividade. Com isso, os anticorpos não são desligados, identificam o malfeitor e partem com tudo para cima dele.
 

Como o repairsome, princípio ativo do novo protetor, conserta o DNA:  

Controle de danos


1. Acesso à célula 
A camada externa do repairsome é feita de lipossoma. Essa substância se funde com a membrana da célula, liberando a enzima fotoliase no seu interior.
 
2. A restauração 
A fotoliase então entra no núcleo e, ao receber luz do ambiente, começa, digamos, a reconstruir o DNA parcialmente comprometido.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Pílula e cigarro não combinam!

Quem fuma e toma anticoncepcionais corre um risco muito maior de problemas nos vasos. Entenda o porquê e se proteja.

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Se você ainda não se convenceu a largar o cigarro, eis mais um motivo para apagá-lo de vez da sua vida: estudos mostram que as fumantes correm mais riscos cardiovasculares quando também usam a pílula anticoncepcional.

Para começo de conversa, sobram evidências de que o tabagismo em si já detona as artérias. “O cigarro dispara processos inflamatórios que afetam as paredes dos vasos, além de estar por trás do aumento na frequência cardíaca”, explica o cardiologista Carlos Costa Magalhães, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, a Socesp. Isso sem contar o estrago que faz à pele, levando ao envelhecimento precoce, e — o que é pior — seu perigoso elo com o surgimento do câncer e de outras complicações nos pulmões.
Acontece que, quando falamos no sistema cardiovascular, a pílula pode piorar e muito os danos. A responsabilidade disso recai sobre os princípios ativos que compõem esses medicamentos — são moléculas que imitam hormônios como o estrógeno e a progesterona. Tais substâncias favorecem a retenção de líquidos e o desajuste na pressão arterial, sobretudo em quem tem predisposição para essas condições.

Se é o seu caso, fique calma, os cardiologistas avisam que um rigoroso acompanhamento médico reduz a probabilidade de encrencas e até mesmo as hipertensas podem utilizar a pílula desde que o ginecologista aponte a opção mais segura. “Também é fundamental adotar um estilo de vida saudável, com a prática regular de atividade física e um cardápio equilibrado, de preferência recheado de vegetais e com pouco sódio”, sugere Magalhães.

A mesma prudência é necessária ao grupo das que sofrem com varizes. É que essa situação, por si só, já sinaliza que a circulação sanguínea não acontece de forma adequada. Daí, se juntar o tabagismo e a pílula, a probabilidade de se formarem coágulos tende a crescer. 

“Quando trombos, vindos das pernas, se deslocam pelas veias há o risco de ocorrer uma embolia pulmonar”, afirma o médico. E, se esses coágulos estiverem em artérias localizadas na parte superior do corpo, o perigo de um acidente vascular cerebral (AVC) é grande.

Tudo porque a mistura entre cigarro e pílula desequilibra o processo de coagulação do sangue. Se você tem algum indício de que o sangue não flui como deveria… já sabe. Magalhães avisa que, para algumas mulheres, a saída é realmente buscar outros métodos contraceptivos. Nesses casos, a camisinha e o DIU podem ser os melhores aliados.

Fonte: Revista saude - editora abril

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Ocitocina: muito além de hormônio do amor

Esse hormônio produzido principalmente no cérebro não tem como única tarefa promover afeição entre as pessoas. Conheça algumas das influências recém-estudadas da ocitocina em nosso comportamento e funções corporais.

 1. INCENTIVAR A RIVALIDADE NO SEXO MASCULINO

Na Universidade de Haifa, em Israel, homens que receberam doses intranasais de ocitocina passaram a analisar imagens e fatos apresentados pelos pesquisadores de maneira mais competitiva. É possível que a substância fomente essa atitude para que os marmanjos protejam os familiares de ameaças com afinco.


2. FIXAR MEMÓRIAS (ATÉ AS NEGATIVAS)

Já há algum tempo se sabe que a ocitocina auxilia a armazenar lembranças. Mas cientistas da americana Universidade Northwestern mostram agora que ela ajuda inclusive a guardar traumas no cérebro. Logo, em excesso, poderia deflagrar fobias e ansiedade intensa.


3. DAR INÍCIO AO TRABALHO DE PARTO E FORTALECER O ELO ENTRE PAIS E FILHOS

Quando chega a hora de o bebê nascer, o nível de ocitocina no organismo da mãe dispara. "É ela que estimula as contrações uterinas", explica Celso Franci, fisiologista da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. A molécula ainda firma o estreito vínculo da prole com os pais.


4. ESTABELECER LAÇOS AMOROSOS

Sobra ocitocina em um casal apaixonado - tanto que ela ganhou o apelido de hormônio do amor. Nesse cenário, a substância parece reforçar o sentimento de carinho. "Há estudos em animais que a relacionam até com comportamentos monogâmicos", completa Franci.


SERÁ QUE VAI VIRAR REMÉDIO?

A ocitocina despertou a atenção das indústrias farmacêuticas, que vêm avaliando seu potencial contra distúrbios mentais. Contudo, por atuar em tantos processos distintos, talvez provoque reações adversas que dificultem sua comercialização - a já citada ansiedade é um exemplo. Resta esperar análises específicas para verificar o real efeito de pílulas à base dessa molécula.

Fonte: Revista saude - editora abril