quinta-feira, 23 de julho de 2015

Emagreça com suco de uva

Estudo brasileiro mostra que tomar dois copos por dia turbina a queima de calorias e favorece a perda de barriga
 
Emagreça com suco de uva
 
Poções mágicas para emagrecer não existem. Mesmo. Mas pode ser que você fique tentado a encarar o suco de uva dessa maneira depois de conhecer os resultados de uma pesquisa realizada recentemente no sul do país. No trabalho, assinado pela biomédica Caroline Dani e a bioquímica Cláudia Funchal, ambas do Centro Universitário Metodista, em Porto Alegre, 40 pessoas acima de 60 anos - algumas com sobrepeso -  foram orientadas a consumir, todos os dias, 400 mililitros de suco de uva. Nada sobre-humano: um copo no almoço e outro no jantar. Em apenas um mês, as pesquisadoras notaram o efeito dessa atitude na balança. "Os voluntários emagreceram, em média, 3 quilos. Um deles chegou a perder 5 quilos", revela Caroline.
Mas como ela sabe que foi mesmo a inclusão do suco o que fez diferença no processo de emagrecimento? Afinal, as pessoas podiam ter cortado o refrigerante, os doces e as frituras e suado à beça na esteira. "Isso não aconteceu. Inclusive, pedimos aos participantes que não alterassem sua dieta nem a frequência dos exercícios físicos", esclarece a biomédica.

Ciência por trás do trunfo

 A uva é um alimento de composição bem especial, parecida com a das poderosas berries americanas. "No Brasil, que não produz a cranberry e o mirtilo, por exemplo, ela é provavelmente a fruta com o maior teor de polifenóis a nossa disposição", avalia a farmacêutica e bioquímica Mirian Salvador, da Universidade de Caxias do Sul (UCS).
É justamente nesses compostos antioxidantes que estudiosos como Caroline Dani apostam as fichas quando o sumo da uva brilha no laboratório. "Essas substâncias têm a capacidade de impedir o acúmulo de gordura no organismo", afirma. "Também são termogênicas", completa. Isso significa que, uma vez dentro do corpo, elas dão um gás no metabolismo, acelerando a queima das calorias. Não para por aí: os benditos polifenóis incitam a sensação de saciedade e, assim, evitariam ataques de gula. O interessante é que, para ter acesso a eles, o melhor mesmo é preferir a bebida em vez da fruta. "No suco, há maior concentração desses antioxidantes. Ao comer a uva, muito do que ingerimos é a polpa, que não é tão rica nos polifenóis", justifica o biomédico Gildo Almeida da Silva, pesquisador da Embrapa uva e vinho.
 A melhor parte é que o suco do experimento gaúcho, cheio de antioxidante, é encontrado no supermercado. Mas precisa ser de verdade, isto é, sem conservantes, corantes e um monte de água - como os néctares e refrescos que abundam por aí. Quando os voluntários da pesquisa de Porto Alegre passaram a comprar essa bebida 100% natural, mais importante que a quantidade de quilos eliminados foi a diminuição de tecido adiposo em uma região crítica para a saúde: o abdômen. "Sabemos que um dos fatores de risco cardiovascular, sobretudo entre os homens, é a tal da gordura abdominal", lembra Caroline, que chegou a identificar uma redução aproximada de 10% na circunferência de alguns participantes. Só não vá confundir as bolas. Ninguém está dizendo que indivíduos obesos ficaram esbeltos se outros hábitos saudáveis não forem incorporados. 

De olho no exagero

Deu vontade de trocar até água por suco de uva? Resista, por favor. "Ele tem bastante carboidrato", aponta Mirian. Logo, o exagero pode atrapalhar a perda de peso - um exemplo perfeito que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Outro grupo que precisa ter cautela é o dos diabéticos, porque os sucos são ricos no açúcar da fruta e pobres em fibras. A combinação dispara a glicose no sangue rápido demais. Para evitar a enrascada, a solução é convocar o suco como acompanhamento de uma refeição ou um lanche. Poções miraculosas, só em contos de fadas. Mas, com os devidos cuidados, essa pode ser a bebida dos sonhos de um coração saudável e um corpo em forma.

Esclarecemos algumas dúvidas que podem surgir antes de você incluir o suco de uva na rotina

 Fonte: Revista saúde

quinta-feira, 16 de julho de 2015

E a dor de cabeça vai embora com o suor

É o que aponta um estudo sobre o efeito dos exercícios aeróbicos regulares com quem tem enxaqueca. Eles diminuem – e muito – a quantidade de crises desse suplício
E a dor de cabeça vai embora com o suor 
São vários os cenários que podem disparar um episódio de enxaqueca. Em algumas pessoas, basta uma noite de insônia para o cérebro pulsar dolorosamente e o estômago embrulhar. Outros começam a sentir os incômodos (e a sofrer com qualquer fontes de luz ou de som) ao beber um cálice de vinho. Ainda bem que os profissionais de saúde vêm encontrando formas de tornar as vítimas desse problema mais resistentes a esses e outros gatilhos. E elas não se restringem a fármacos e novas tecnologias, como indica uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Nela, 30 voluntários com enxaqueca crônica – que enfrentam o tormento pelo menos 15 dias por mês – passaram a caminhar por 40 minutos, três vezes na semana, além de receberem medicamentos. Já outros 30 pacientes ficaram apenas tomando remédios. Após três meses, a turma sedentária, só de aderir ao tratamento, cortou o número de dias com dor pela metade. Entretanto, o pessoal que deixou a preguiça de lado reduziu a quantidade de crises em mais de quatro vezes.

Analgésico natural

"O exercício torna o cérebro menos predisposto à dor", sintetiza Thais Rodrigues Villa, orientadora do estudo e neurologista do Ambulatório de Investigação e Tratamento de Dor de Cabeça da Unifesp. Segundo ela, suar a camisa ajudaria a equilibrar a produção de neurotransmissores como a endorfina na massa cinzenta dos enxaquecosos. E essa substância, além de promover a sensação de relaxamento, atua como um analgésico natural. Tem mais: as práticas esportivas fazem o organismo liberar óxido nítrico, uma molécula que evita variações no calibre das artérias. Mas o que isso tem a ver com enxaqueca? Ora, as chateações típicas do quadro também estão associadas a mudanças súbitas na pressão dos vasos que irrigam a cachola.

Menos ansiedade

"Os participantes ativos ainda relataram, ao término da pesquisa, uma melhora nos quadros de ansiedade e depressão", conta a fisioterapeuta Michelle Dias Santos Santiago, autora do trabalho. Aliás, isso também ajuda a explicar o potencial da caminhada contra a enxaqueca. Vamos de passo em passo. Se por um lado pontadas constantes deixam a vida mais sombria, por outra a tristeza profunda baixa a capacidade de resistirmos a incômodos. "É comum os deprimidos terem, como consequência, enxaqueca", crava o psiquiatra Marcos Gebara, diretor da Regional Sudeste da Associação Brasileita de Psiquiatria. Acontece que os exercícios diminuem o risco de a melancolia se instalar pra valer – logo, indiretamente nos protegem das cefaleias.

O elo com a obesidade

A investigação de Michelle trouxe outro achado que, embora óbvio a princípio, merece ser comentado: os sujeitos que largaram o sedentarismo emagreceram. E, acredite se quiser, há indícios de que a obesidade agrava os casos de enxaqueca. Um deles vem da Universidade de Perúgia, na Itália, onde o neurologista Alberto Verrotti revisou uma série de experimentos ao redor do mundo antes de chegar à conclusão de que a frequência e a intensidade das crises tendem a aumentar conforme o índice de massa corporal (IMC) cresce. Apesar de não se conhecer a razão desse elo – talvez a inflamação decorrente do excesso de banha desregule o cérebro a ponto de fazê-lo reclamar – , Verrotti escreve no artigo que "os médicos deveriam dar atenção à perda de peso [...] e estimular mudanças de estilo de vida diante da enxaqueca".

Da genética para o cotidiano

"O fato de o estudo da Unifesp ter sido feito no Brasil valoriza suas descobertas", avalia a neurologista Norma Fleming, do Hospital Universitário Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro. É que, como a enxaqueca tem causas genéticas, a transposição dos resultados para a nossa população se torna mais confiável – ou seja, a atividade física deve mesmo amansar a vida dos brasileiros com o problema. Porém, não dá pra se exercitarem de qualquer jeito. Michelle ressalta que é contraindicado se mexer com sol forte, durante as crises ou sem orientação. E esses pontos valem para outros tipos de cefaleia.
Mas, ok, também existe dor de cabeça que é estimulada pelo esforço físico. O que fazer nesse caso? Aí, é preciso buscar especialistas para corrigir movimentos e posturas, acertar na intensidade... "Uma ótima recomendação é não desistir de se exercitar", afirma Abouch Krymchantowski, neurologista e diretor do Centro de Tratamento da Dor de Cabeça do Rio de Janeiro. Embora não existam tantos estudos ligando a vida ativa a um menor risco de sofrer com outros tipos de cefaleia que não a enxaqueca, abandonar o sofá com certeza travará o gatilho para inúmeras encrencas – dolorosas ou não.

O que dispara as dores

Jejum prolongado

É um dos gatilhos da enxaqueca. Entre os motivos, ele pode ser resultado da queda na glicemia típica dessa privação

Falta de sono

Tempo demais acordado eleva a pressão sanguínea e o ritmo dos batimentos cardíacos, o que acarreta incômodos.

Barulho e luminosidade

Apesar de pouco frequentes como gatilho, a luz e os ruídos agravam as dores ao longo de uma crise.

Alimentos ricos em tiramina

Queijo, vinho e chocolates são cheios dela. Mas só algumas pessoas sentem a cuca latejar ao consumi-los.

Beber demais ou fumar 

O álcool pode expandir demais o calibre dos vasos, ocasionando dor. Já o tabaco reduz a oxigenação cerebral.

Estresse intenso  

Nesse cenário, o pescoço e as costas ficam contraídos. E isso vai refletir lá na cabeça, o que provoca cefaleias.
 
Fonte: Revista saúde

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Os erros mais comuns de quem usa lentes de contato

Os erros mais comuns de quem usa lentes de contatoAprenda a fugir das armadilhas
 
Dormir sem tirá-las, ignorar o prazo do fabricante, nunca trocar o estojo, pegar colírio emprestado... Quem nunca? Só que deslizes como esses podem encrencar seus olhos.
 

Comprar sem consultar o oftalmologista

Você é daqueles que, ao pegar a receita de óculos, correm para a internet e encomendam o primeiro par de lentes em promoção? Pois já errou de cara. O uso e a escolha do acessório dependem de avaliação médica. “É o oftalmo que irá analisar se há contraindicações e qual o material e a curvatura adequados”, diz o oftalmologista Fernando Abib, diretor da Sociedade Brasileira de Lentes de Contato (Soblec). Existe inclusive um teste de adaptação às lentes, feito em consultório, para acertar no modelo.

Deixar de lavar bem as mãos

Parece banal, mas uma pesquisa recém-publicada pela Academia Americana de Optometria envolvendo 119 usuários de lentes revela que esse descuido é um dos principais fatores de contaminação do material. E é fácil entender o porquê: nossas mãos carregam milhares de micróbios capazes de pular para o utensílio e, de lá, para os olhos. “O ideal é colocar ou retirar as lentes em um ambiente limpo, com torneira, sabão e toalha por perto”, ressalta a médica Keila Monteiro de Carvalho, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Nos casos de emergência, em que você não dispõe de um bom banheiro, nem pense em higienizar as mãos com aquele álcool em gel que fica na bolsa. “Em contato com os olhos, ele pode causar queimaduras na córnea”, alerta Keila. O jeito, aí, é usar só água corrente mesmo.

Usar as lentes com os olhos vermelhos

Assim como a febre é sinal de que o corpo não está bem, a vermelhidão indica que há algo de errado nos globos oculares. Em geral, isso acontece por alguma irritação, infecção ou alergia – e ela pode ser provocada inclusive pelas próprias lentes. “Como elas são um corpo estranho, colocá-las nessas circunstâncias tende a agravar o problema”, diz Keila. Por isso, até que se descubra a causa da vermelhidão, a ordem é suspender o uso e procurar o oftalmo. E o mesmo se aplica se os olhos estiverem ardendo, doendo ou lacrimejando demais.

Limpar de qualquer jeito

Não adianta apelar para água, soro fisiológico ou saliva. Só existe um líquido capaz de higienizar direito as lentes: as soluções próprias para limpeza. “As lentes absorvem as proteínas do olho. Apenas esses produtos eliminam esse excesso, bem como bactérias”, explica a oftalmologista Meibal Junqueira, do Instituto de Moléstias Oculares, em São Paulo.

Não respeitar o prazo das lentes     

Elas têm, na verdade, duas datas de validade: uma para quando estão lacradas e outra a partir da abertura da embalagem. Isso quer dizer que, se você tem uma lente quinzenal, precisa jogá-la fora ao final de 15 dias, mesmo que só tenha usado uma única vez. “Se passar do prazo indicado, ela perde a segurança e eficiência”, crava a oftalmologista Helena Oliveira, do Hospital de Olhos, na capital paulista.

Negligenciar o estado do estojo      

De que adianta lavar as mãos e usar o produto de limpeza se o lugar onde as lentes dormem vive sujo? “Muitos pacientes chegam ao consultório com contaminação por causa do estojo malcuidado”, conta Meibal. É por isso que a especialista indica uma lavagem com água e sabão neutro, seguida de uma boa secada. E nada de se apegar demais: trate de renovar o estojo a cada três meses.

Esquecer-se de trocar o produto

Se você é do tipo que usa lentes de contato apenas em ocasiões especiais, não pense que terá menos trabalho. Deixá-las mergulhadas por muito tempo na mesma solução reduz a eficácia do produto contra os micro-organismos. Mesmo quando estiverem fora de uso, o correto é fazer a higiene das lentes e a troca da solução a cada quatro dias. A quem recorre a elas esporadicamente, o mais recomendado hoje é lançar mão dos modelos de descarte diário.

Dormir com as lentes

Embora existam modelos que permitam isso, pregar os olhos com elas é desaconselhado pelos médicos. Um estudo publicado pela revista Ophthalmology mostrou que quem dorme com o acessório, mesmo que eventualmente, aumenta em 6,5 vezes o risco de lesões oculares.  “Esse hábito priva a córnea de oxigenação”, explica o oftalmologista César Lipener, da Universidade Federal de São Paulo. Cenário perfeito para o acúmulo de secreção e infecções.

Botar qualquer colírio

Como as lentes ressecam a vista, é comum que as pessoas pinguem umas gotinhas nos olhos. Mas não vale pegar emprestado o colírio do amigo ou comprar um mais em conta. Existem lubrificantes que impregnam as lentes. Use apenas o tipo indicado pelo oftalmologista.

Viajar de avião com as lentes

O recado vai para viagens longas, é claro. A baixa umidade e o ar condicionado potente deixam os olhos numa secura só. Portanto, convém privilegiar os óculos nessa situação. “Quando as lentes forem a única opção, é prudente aumentar a lubrificação dos olhos com colírios específicos”, diz Helena. E essa orientação se estende a quem não vai viajar, mas trabalha no computador – a atenção na tela reduz o número de piscadas.

Descuidar-se na praia

Brisa, areia e mar. Eis a combinação perfeita para... contaminar suas lentes. A praia é um terreno que propicia a invasão de partículas e micróbios nos globos oculares. Se não der mesmo para ir de óculos, tenha bastante cuidado. “Evite, por exemplo, o mergulho no mar. Você pode perder as lentes ou pegar alguma bactéria”, aponta Fernando Abib. Atenção também com o vento, que pode jogar areia nos olhos. Óculos de sol ajudam nesse sentido.

Pensar que o uso incorreto traz só problema inofensivo

Quando usadas de forma displicente, as lentes de contato podem acarretar graves consequências – inchaços na pálpebra, déficits de visão e, em casos extremos, até cegueira. “Mesmo pessoas cuidadosas estão expostas a riscos. Temos que lembrar que as lentes interagem com a córnea o tempo todo”, avisa Lipener. Por isso, mesmo que você não note problema algum, jamais abra mão da visita ao oftalmo a cada seis meses, combinado?

Fonte: Revista saúde 

terça-feira, 23 de junho de 2015

Apneia também é coisa de mulher

Sim, os homens são mais reféns da sinfonia noturna. Mas isso não quer dizer que o público feminino deixa de soprar acordes ruidosos
 
 
apneia mulher
A falta de estudos sobre a apneia nas mulheres motivou uma equipe do Instituto do Sono, em São Paulo, a desvendar as possíveis causas das barulhentas paradas no entra e sai de ar durante a noite no grupo feminino. Após analisarem os dados de 407 voluntárias, eles encontraram dois fatores principais que estão atrás dos roncos. "O primeiro é a menopausa, quando ocorre a diminuição dos hormônios estrogênio e progesterona, que têm um efeito protetor no sistema respiratório", conta a ginecologista Helena Hachul de Campos, orientadora do trabalho. O segundo fator é a circunferência abdominal: as mulheres com mais de 87,5 centímetros de cintura apresentavam maior propensão aos roncos – tanto é que 75% das que tinham o ventre inflado portavam apneia. Uma boa desculpa para emagrecer, não? "Perder peso, aliás, é uma das medidas indicadas para diminuir a gravidade do distúrbio, que está relacionado a problemas no coração e cérebro", diz o psicobiólogo Daniel Polesel, um dos autores da pesquisa.

5 maneiras de tratar o ronco

Listamos as formas de lidar com a apneia – o médico vai prescrevê-las conforme a situação

CPAP

Uma máscara cobre o nariz e a boca e joga o ar para as vias respiratórias.

Aparelho oral

Projeta a mandíbula ou abaixa a língua para aumentar a entrada de oxigênio.

Dispositivo nasal

Feito de metal, ele dilata as narinas e ajuda a extinguir o hábito de respirar pela boca.

Cirurgia

É a melhor saída em caso de defeito anatômico na faringe, por exemplo.

Fonoaudiologia

Exercícios vocais ajudam a impedir que os músculos da garganta relaxem demais. 

sexta-feira, 19 de junho de 2015

6 motivos para você comer ovo sempre

6 motivos para você comer ovo sempreEle já foi o vilão da alimentação por causa do colesterol e, apesar de a ciência demonstrar que seus teores não se revertem em malefício dentro do corpo, ainda há quem receie botá-lo no prato. Uma nova leva de estudos, porém, vem destruir qualquer temor: o ovo pode até fazer bem ao coração. E seu status de aliado da saúde vai além: ele bate de frente com o ganho de peso, o diabete e a perda de memória.

Consumido sempre, ele tira a fome, evita perda de memória e protege o coração.

1. Favorece a perda de peso 

O ovo acaba de ser apontado como um dos principais alimentos capazes de aumentar a saciedade e prevenir ataques de gulodice – especialmente se for incluído no café da manhã. A sensação de barriga cheia se justifica facilmente: o produto da galinha é uma excelente fonte de proteínas, nutriente que suprime o apetite por mais tempo. Mas não adianta ingeri-lo no desjejum e deixar de adotar outras medidas a fim de manter ou perder peso. Para economizar nas calorias do próprio ovo matinal, por exemplo, use pouquíssimo (ou nenhum) óleo no preparo e evite acompanhamentos como bacon e presunto. Foi esse combo que contribuiu para a má fama do ovo no decorrer dos anos.

2. Conserva os músculos

Já viu aqueles ratos e ratas de academia que levam um pote de claras pra comer no trabalho? Pois, exageros à parte, eles estão cobertos de razão em escolher essa porção do ovo para alimentar a musculatura. Tudo por causa das já citadas proteínas, que abundam na parte branquinha. A principal delas é a albumina – que serve de matéria-prima inclusive para suplementos. "O ideal é que a clara seja consumida após o treino, porque é bem nesse período que ocorre a degradação e a formação dos músculos", orienta o educador físico Herbert Lancha Júnior, professor da Universidade de São Paulo (USP). "A recomendação é consumir até duas claras depois do exercício, de preferência com uma fonte de carboidrato, como tapioca ou pão integral", ensina a nutricionista Paula Crook, da PB Consultoria em Nutrição, na capital paulista.

3. Resguarda as artérias

Se um dia o ovo foi apedrejado, o motivo estava no fato de sua gema ser um reduto de colesterol. A acusação acabou caindo por terra quando se descobriu que, ao mesmo tempo que fornecia o componente, o alimento também continha substâncias que bloqueavam sua chegada à corrente sanguínea. "Hoje se sabe que apenas um terço do colesterol da dieta é realmente absorvido", esclarece o cardiologista Raul Dias dos Santos, do Instituto do Coração, o InCor, em São Paulo. Parece estranho dizer isso, mas o colesterol dos alimentos não se traduz necessariamente em mais colesterol trafegando pelos vasos. No caso dos ovos, um estudo da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, até indica que o consumo diário daria uma força para o aumento da fração boa do colesterol, o HDL.

4. Protege a visão

Abra bem os olhos antes de descartar a gema do ovo. É lá que você encontra duas substâncias caras aos globos oculares: a luteína e a zeaxantina. Estamos falando de pigmentos com propriedades antioxidantes capazes de se acumular na retina, o tecido no fundo dos olhos que converte as imagens em impulsos lidos pelo cérebro. Em um estudo da Universidade de Massachussets, nos Estados Unidos, os experts viram que o consumo de duas a quatro gemas por dia durante cinco semanas teve um efeito contra a degeneração da mácula, a porção central da retina e responsável pela captação dos detalhes.

5. Encara o diabete

A notícia veio contra tudo o que se falava até então: estudiosos da Universidade da Finlândia Oriental analisaram, por quase 20 anos, 2 332 homens de 42 a 60 anos e observaram que os fãs de ovos estavam menos propensos ao diabete tipo 2. "Nosso achado contrasta com levantamentos anteriores, que ainda associavam o consumo de ovos a um pior estilo de vida", relata o professor de epidemiologia da nutrição Jyrki Virtanen. O menor risco de diabete foi encontrado em pessoas que ingeriram cerca de quatro unidades por semana. "O alimento tem um conjunto de componentes vantajosos, incluindo substâncias anti-inflamatórias, que atuariam contra o descompasso da glicose", afirma Virtanen. Para o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, da USP de Ribeirão Preto, é difícil bater o martelo sobre esse papel preventivo. "A pesquisa depende de questionários preenchidos pelos participantes, sujeitos a equívocos, e não consegue excluir fatores que influenciariam o desfecho", argumenta. Mas e quem já tem diabetes e precisa ficar ficar mais atento ao colesterol? Um novo trabalho australiano avaliou a ingestão de ovos em 140 diabéticos e constatou que duas unidades por dia, ao longo de um mês e meio, não pioram o perfil de gordura no sangue. Mesmo diante desse resultado, convém ponderar com seu médico. "Ovo não é remédio, mas pode ser bem-vindo dentro de uma alimentação adequada", diz Couri.

6. Preserva a memória

A gema (olha ela de novo!) é um dos principais reservatórios de colina, uma vitamina que, lá no cérebro, tem a nobre função de ajudar a cuca a processar e a guardar lembranças. Ela é ingrediente para a formação de um neurotransmissor chamado acetilcolina. "E a maioria das vias neurais responsáveis pela memória depende da acetilcolina", explica a nutricionista e mestra em neurociências Selma Dovichi, professora da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Segundo as orientações atuais, a necessidade diária de colina é de 425 miligramas para as mulheres e 550 para os homens. "Uma gema de ovo oferece aproximadamente 238 miligramas", conta Selma. É praticamente metade da quantidade recomendada. Alguns estudos já sugerem que a ingestão de colina está associada a uma melhor performance cognitiva. Para coroar, a luteína e a zeaxantina da gema (de novo, de novo!) também parecem interferir positivamente na massa cinzenta.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Menos carne, mais vegetais: igual a mais saúde

Reduzir o consumo de carne vermelha e se inspirar uma pitada nos vegetarianos faz parte da receita para viver mais e escapar de infartos, derrames e tumores.
 
menos carne mais vegetais gancho

Fãs de bifes, picanhas e hambúrgueres, tratem de repensar suas preferências à mesa. Ninguém vai pedir para vocês virarem a casaca para o vegetarianismo, mas convém conhecer os últimos achados científicos sobre o impacto de economizar na carne vermelha para o bem da sua saúde. Achados, diga-se, um tanto sólidos, como os de um estudo recém-publicado pelo Imperial College London, na Inglaterra. Depois de acompanhar mais de 450 mil pessoas de dez  países por uma década, os pesquisadores constataram que os adeptos de uma dieta semivegetariana – na qual só 30% dos alimentos eram de origem animal – encaravam um risco 20% menor de morrer por doenças cardiovasculares em comparação com quem seguia um cardápio mais carnívoro. Repare que não se fala aqui em adotar um menu baseado apenas em folhas e afins, mas em conceder menos espaço ao que vem do boi... e mais espaço ao que nasce na terra ou dá em árvore.

Carne vermelha todo dia, maior mortalidade

Outro levantamento, esse da Escola de Saúde Pública de Harvard, nos Estados Unidos, endossa essa conclusão. Na análise de 121 mil americanos, a mortalidade por câncer, infarto e derrame aumentou 13% entre pessoas que consumiam carne vermelha todo santo dia e em 20% entre aquelas que abusavam de embutidos, como salsichas. Sim, a balança da ciência pende para os que dão valor à salada. O que não significa riscar a carne da lista de compras. "Os resultados desses trabalhos não sugerem proibição, mas moderação", frisa a oncologista Maria Del Pilar Estevez Diz, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.

Recomendação semanal

Pelos cálculos atuais, a recomendação é não exceder meio quilo de carne de vaca, ovelha ou porco por semana. É pouco mesmo: algo como um bife segunda, quarta e sexta. Só que essa redução deve ser acompanhada pelo incremento nas porções de verduras e legumes. "Para obter os benefícios demonstrados nas pesquisas, o mais importante seria ampliar a ingestão dos vegetais", avalia a endocrinologista Mirela Jobim de Azevedo, chefe do Serviço de Nutrologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. E o motivo você já deve saber ou suspeitar: as hortaliças e as frutas reúnem um arsenal inesgotável de substâncias que financiam nossa longevidade.

Menor mortalidade entre os vegetarianos

Não dá pra negar que o padrão vegetariano leva vantagem em termos de prevenção. Até porque, em geral, indivíduos que privilegiam esse tipo de dieta tendem a ser mais magros, praticam exercícios, bebem menos e não fumam. Tudo isso ajuda a entender os resultados de um megaestudo assinado pela Universidade Loma Linda, nos Estados Unidos. Após avaliar 73 mil pessoas por cinco anos, observou-se que as taxas de mortalidade, a despeito da causa, eram menores entre os vegetarianos. Em outro braço dessa pesquisa, divulgado há pouco, os cientistas perceberam que essa turma tem um risco 22% menor de sofrer um câncer colorretal. Mas o interessante aqui é que essa proteção dobra se o sujeito comer... peixe. No trabalho, os pescovegetarianos enfrentam uma probabilidade 43% menor de ter a doença. A hipótese para justificar o benefício recai sobre o ômega-3, a prestigiada gordura dos pescados. Olha aí um substituto para o bife de vez em quando.

E os embutidos?

Certo, você já entendeu por que deve visistar mais a feira (e a peixaria). O que há de errado, então, com a carne vermelha? Segundo a nutróloga Andréa Pereira, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, o problema em extravasar no alimento se deve ao fato de ele ser uma baita fonte de gordura saturada, cujo excesso é um reconhecido fator de risco cardiovascular. Já os embutidos e as versões processadas carregam muito nos conservantes, como o nitrito e o nitrato. "Anos e anos de ingestão contribuem para o surgimento de tumores", alerta a médica.

Carnívoros x vegetarianos

Como a palavra de ordem é o bom senso, o correto é priorizar sempre a carne fresca e com menor percentual de gordura. "Com os cortes magros se obtêm os benefícios e o mínimo de danos", ressalta Aline Marcadenti, professora de nutrição da Universidade Federal de Ciências e Saúde de Porto Alegre. Ora, justiça seja feita, não dá pra esconder que a carne vermelha tem lá suas virtudes, como proteínas, ferro e vitamina B12. "Mesmo fazendo a substituição por fontes vegetais, fica mais complicado para o organismo aproveitar todos esses elementos", afirma Andréa. "Não à toa, alguns vegetarianos têm que repor esses nutrientes por meio de cápsula."
Essa é uma questão que move um debate acalorado entre carnívoros, vegetarianos e profissionais da saúde. De acordo com a endocrinologista Mirela Jobim de Azevedo, não há risco em retirar a carne do cardápio, desde que sejam mantidos ovos e laticínios – no caso dos veganos, que eliminam todo alimento de origem animal, a possibilidade de déficits nutricionais realmente se agrava, o que cobraria a orientação de um especialista.
Existem, porém, trocas pra lá de plausíveis. "Cerca de 100 gramas de carne poder ser substituídas por uma concha de feijão, o que resolve a necessidade de ferro", exemplifica o médico Eric Slywitch, diretor da Sociedade Vegetariana Brasileira. Mas e a vitamina B12, importante para o cérebro e exclusiva dos animais? Segundo Slywitch, mesmo comendo carne, muita gente não absorve o nutriente a contento. E o pior é que temos pouquíssimos produtos fortificados no mercado. "O ideal é que houvesse mais alimentos enriquecidos com a vitamina, da mesma forma que acontece com o iodo no sal e com o ácido fólico em farinhas", dis Slywitch.
Botar em prática uma alimentação saudável não é a tarefa mais fácil do mundo. Mas tudo pode engrenar se a sua conta for equilibrada: corta um bifinho aqui, entram um grão e uma verdura ali... Ou, visto de outro jeito, se você fizer economia no açougue e gastar mais na feira.

Sem carne, mas com prazer

Criatividade pe peça-chave para aumentar o consumo de vegetais sem sentir saudade do churrasco e do bife acebolado

Hambúrguer

Grão-de-bico, lentilha e abóbora podem entrar no lugar da carne. Depois de cozinhá-los, faça uma pasta, molde e leve ao forno. Para dar sabor, aposte em pimentas, páprica ou fumaça líquida, que dá gostinho de carne assada.

Cogumelos

A rigor, são fungos, não vegetais. Substituem muito bem a carne em massas e risotos. Cada vez mais comuns no mercado, os tipos shimeji, shiitake e paris dão um toque especial e ainda têm consistência que lembra tiras de filé.

Na brasa

Não tenha vergonha de pedir espaço na churrasqueira para um espeto de vegetais. Cebola, batata, abobrinha, tomates e pimentões assados no fogo ficam de dar água na boca. E, se sobrar espaço, que tal um abacaxi com canela?

Fonte: Revista saúde

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Um intestino sensível demais

intestino irritávelDor na barriga, ventre inflado, constipação ou, pelo contrário, idas urgentes ao banheiro. Se tudo isso lhe soa familiar, comece a suspeitar da síndrome do intestino irritável.
 
Você mal cruza os garfos e já sente a barriga inchar. Tem de correr para o banheiro e ficar algum tempo esperando até tudo ir embora, inclusive as cólicas. E é a quarta vez no mês que o episódio se repete ? e olha que não comeu nada tão forte ou pesado. Aí o suplício some e você já está se esquecendo... Até que ele volta com tudo, após um prosaico pão com manteiga no café da manhã. Se você protagoniza essa história, é provável que tenha um intestino sensível demais. Ou irritável, como preferem os médicos.

Presente em até 20% da população mundial, a síndrome do intestino irritável (SII) é uma condição ainda não totalmente compreendida pela comunidade científica. Isso porque, quando se examina o sistema digestivo de quem tem o problema, não se veem alterações anatômicas ou lesões. Só em 1994 foram estabelecidos os critérios de diagnósticos. E esses critérios, bem como as condutas de controle, acabam de ser revistos em um trabalho publicado no renomado The Journal of the American Medical Association.

O artigo aponta o dedo para os principais sintomas: diarreia ou constipação sem motivo aparente e inchaço temporário da barriga acompanhado de dores, normalmente depois das refeições. Em geral, a síndrome começa a se manifestar após um evento estressante, físico ou emocional. "O gatilho pode ser uma infecção intestinal ou um trauma, como um assalto", conta a gastroenterologista Sandra Beatriz Marion, da pontifícia Universida de Católica do paraná. Vem o primeiro episódio e ela nunca mais abandona o sujeito.

Não há, porém, motivo para pânico. O problema é crônico, mas não evolui para quadros graves como tumores. "Menos de 10% dos pacientes têm um comprometimento sério na qualidade de vida", calcula Carlos Fernando Francescone, chefe do Serviço de Gastroenterologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Apesar disso, a medicina labuta para que a síndrome não seja um estorvo tão frequente na vida do cidadão ? afinal, ninguém quer sofrer quando vai ao banheiro.

No passado, a síndrome do intestino irritável era chamada de colite nervosa por causa da sua intensa associação com situações estressantes. Só que os médicos repararam, por meio de exames, que os pacientes não tinham inflamação (identificada pelo "ite" da nomenclatura nem lesões no intestino grosso. Aí mudaram o nome. "A SII não se resume a um problema de ordem psicológica, uma vez que é caracterizada por alterações funcionais no órgão", ressalta Maria do Carmo Friche Passos, presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia. Contudo, o fator emocional costuma ser o grande desencadeador das crises. Como fases boas e ruins se alternam na vida, a síndrome pode ter um comportamento mais aleatório. O indivíduo passa as férias à base de cerveja e petiscos sem ter nem uma cólica sequer, mas basta voltar à rotina do trabalho e trânsito que o martírio reaparece com tudo.

Fonte: revista saúde