terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Vacina da febre amarela em crianças: restrições e quem deve tomar

Alguns cuidados adicionais precisam ser considerados na infância antes de optar pela vacinação contra essa doença

restricoes da vacina febre amarela A febre amarela pode ameaçar especialmente as crianças, que estão com o sistema imunológico ainda imaturo.

 Só que a vacina nessa faixa etária envolve algumas medidas e restrições – que foram abordadas em detalhe num novo documento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Pra começo de conversa, o texto reforça um ponto crucial: antes dos 6 meses de idade, nenhum bebê deve ser imunizado contra a febre amarela. Entre os 6 e os 9 meses, a injeção só é autorizada com a anuência de um médico e se realmente houver necessidade (se o pequeno, por exemplo, vive em uma área de alto risco de transmissão da infecção).

Além disso, os experts da SBP pedem atenção com a possível interação entre a vacina contra essa doença e outras que são tipicamente administradas na infância. Mais especificamente, o ideal é não oferecer o imunizante da febre amarela simultaneamente com a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) ou com a tetra viral (sarampo, rubéola, caxumba e varicela) em pequenos com menos de 2 anos.

“Para crianças que não receberam nenhuma dessas vacinas, a orientação é que tomem a dose da febre amarela e agendem a tríplice viral ou a tetra viral para pelo menos 30 dias depois”, explica o médico Renato Kfouri, presidente do Departamento Científico de Imunizações SBP, em um comunicado à imprensa. “As demais vacinas do calendário podem ser administradas no mesmo dia que a da febre amarela”, tranquiliza.

Outra coisa: como nos adultos, crianças e adolescentes com forte alergia ao ovo só podem receber a injeção após avaliação médica criteriosa e dentro de um ambiente com condições de atendimento de emergência. São particularidades que, no fim das contas, exigem uma conversa com o pediatra.

De maneira geral, a vacina é bem tolerada. Febre, dor de cabeça ou muscular, entre outros sintomas, acometem de 2 a 5% de quem a toma. Aquelas reações adversas graves só acontecem, de acordo com a SBP, em uma a cada 250 mil doses aplicadas.

E a dose fracionada?

Segundo o documento da SBP, ela só deveria ser dada a crianças com mais de 2 anos de idade – essa é, de fato, a recomendação vigente nas campanhas de vacinação em andamento. Nas menores, preconiza-se a dose plena.

O motivo? Faltam pesquisas sólidas da vacina com dose fracionada especificamente com os pequenos menores de 2 anos.

Aliás, uma criança que vai viajar a um país que exija aquele certificado internacional de vacinação, precisa tomar a dose normal. Caso contrário, ela não vai conseguir entrar nessa nação.

As mães que estão amamentando

Destaque para as mulheres que estão amamentando os menores de 6 meses. Se elas viverem em áreas com transmissão da febre amarela e ainda não tiverem recebido a vacina, a SBP afirma que uma dose fracionada poderia ser administrada. Mas… o aleitamento materno precisará ser suspenso por dez dias após a imunização.

Agora, mulheres nessas situações que não vivem numa região dessas devem seguir sem a vacina. De novo, principalmente se o seu filho tem menos de 2 anos, ligue para o pediatra e veja qual caminho seguir.
Fonte: Revista saúde

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Febre amarela: sintomas, transmissão e prevenção

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Sintomas

A febre amarela é uma doença infecciosa grave, causada por vírus e transmitida por vetores. Geralmente, quem contrai este vírus não chega a apresentar sintomas ou os mesmos são muito fracos. As primeiras manifestações da doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias. A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso. A maioria dos infectados se recupera bem e adquire imunização permanente contra a febre amarela.
Transmissão A febre amarela ocorre nas Américas do Sul e Central, além de em alguns países da África e é transmitida por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres. Sua manifestação é idêntica em ambos os casos de transmissão, pois o vírus e a evolução clínica são os mesmos — a diferença está apenas nos transmissores. No ciclo silvestre, em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito Haemagogus. Já no meio urbano, a transmissão se dá através do mosquito Aedes aegypti (o mesmo da dengue). A infecção acontece quando uma pessoa que nunca tenha contraído a febre amarela ou tomado a vacina contra ela circula em áreas florestais e é picada por um mosquito infectado. Ao contrair a doença, a pessoa pode se tornar fonte de infecção para o Aedes aegypti no meio urbano. Além do homem, a infecção pelo vírus também pode acometer outros vertebrados. Os macacos podem desenvolver a febre amarela silvestre de forma inaparente, mas ter a quantidade de vírus suficiente para infectar mosquitos. Uma pessoa não transmite a doença diretamente para outra.

Prevenção

Como a transmissão urbana da febre amarela só é possível através da picada de mosquitos Aedes aegypti, a prevenção da doença deve ser feita evitando sua disseminação. Os mosquitos criam-se na água e proliferam-se dentro dos domicílios e suas adjacências. 

Qualquer recipiente como caixas d'água, latas e pneus contendo água limpa são ambientes ideais para que a fêmea do mosquito ponha seus ovos, de onde nascerão larvas que, após desenvolverem-se na água, se tornarão novos mosquitos. Portanto, deve-se evitar o acúmulo de água parada em recipientes destampados. Para eliminar o mosquito adulto, em caso de epidemia de dengue ou febre amarela, deve-se fazer a aplicação de inseticida através do "fumacê”. Além disso, devem ser tomadas medidas de proteção individual, como a vacinação contra a febre amarela, especialmente para aqueles que moram ou vão viajar para áreas com indícios da doença. Outras medidas preventivas são o uso de repelente de insetos, mosquiteiros e roupas que cubram todo o corpo.


A população de e São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia receberá a dose fracionada da vacina de febre amarela. A meta é vacinar 95% de 19,7 milhões. O objetivo é evitar a circulação e expansão do vírus. A dose padrão da vacina continuará sendo administrada em alguns grupos conforme a tabela abaixo.
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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

A maçã que engorda

Esqueça o chocolate ou a bolacha: expert sugere que a obesidade pode ser causada por uma maçã bem específica, inventada no século 21

 
Antes de tudo, confesso minha total dependência dessa maçã. Quando pus as mãos na minha primeira maçã do tipo, olhava com ares desconfiados. Mas, como fazemos com os alimentos, arriscamos um pouco, percebemos suas características e finalmente ficamos adictos.

Vou dar algumas dicas: essa maçã pertence ao século 21, mudou completamente a vida de milhões de pessoas… e não é um alimento, embora já seja usada para abastecer a geladeira e garantir o almoço ou o jantar. Calma que, se ainda não está me entendendo, já vai descobrir ao que me refiro.

Atualmente, muito se discute sobre quais alimentos responderiam pela obesidade no planeta. Os eleitos são os mais variados possíveis, como chocolates, refrigerantes, biscoitos, massas, hambúrguer. O pintor colombiano Fernando Botero, famoso por seus quadros de mulheres rechonchudas no século 20, estaria com uma visão futurista da obesidade em um período onde os alimentos acima não eram consumidos como hoje? Certamente não.

Além disso, a moda das dietas não para de se renovar. A cada estação surge uma – mas nenhuma oferece resultados prolongados ou sustentáveis a enorme maioria da população. Do contrário, o mundo estaria mais magro, certo?

Se a responsabilidade pela obesidade não é de um ou outro alimento (e nem mesmo só da alimentação como um todo), quem paga essa conta então? Resposta: aquela maçã!
Agora saque seu celular do bolso. Ele pode até não ter a tal maçã desenhada na parte da trás, mas muito provavelmente é um smartphone. Era a isso o que me referia.

O mundo moderno se encontrou nos dispositivos eletrônicos móveis que pagam contas sem irmos ao banco, chamam o taxi sem caminharmos até o ponto, fazem compras sem visitarmos o supermercado. Ah, e quase esqueci: também fazem ligações de qualquer canto do planeta e a qualquer hora sem a necessidade de um orelhão (para a geração mais nova, estou falando de um aparelho fixado em locais públicos e que você põe MOEDAS para conversar com seus amigos. Acredite, isso existe!).

Nosso gasto de energia diário caiu aproximadamente 600 calorias nas últimas duas décadas. Sabe quando você vai até a academia, sobe na esteira, sua aos montes e, ao final, aparece que gastou 600 calorias? Parabéns! Você atingiu o gasto calórico de um sedentário de 20 anos atrás, quando os smartphones não existiam. É evidente que esse exercício programado, com intensidade controlada, traz outros benefícios, porém a conta do gasto energético é essa aí mesma. 

Eu não descarto a necessidade de educação alimentar. Na França, a batata frita se chama frite. E uma matéria recente de lá demonstrou que as crianças desconheciam qual alimento era utilizado para fazer a tal frite. Educação é combater a desinformação com fatos comprovados e dar autonomia para escolhas alimentares bem embasadas e responsáveis, sejam elas quais forem.

Me lembro até hoje de uma amiga que fez uma horta em casa para que os filhos conhecessem os alimentos que comeriam já no jardim. Tinha rabanete, cenoura etc. Até que um dia uma praga destruiu as plantas.
Apesar da má notícia, julgo que isso foi uma educação completa! Ora, a horta precisa de cuidado diário, água e, assim como uma criança, de atenção às pragas e doenças que naturalmente ocorrem.

A tecnologia nos alimentos

Todos nós adoramos tecnologia, exceto na comida. Quando falamos de alimentos, queremos ver a árvore. Eu, particularmente, adoro consumir meu iogurte com mel, mas o mel não é recomendado para crianças, porque ainda não ensinaram a abelha a pousar em lugares livres de coliformes fecais antes de depositar esse líquido viscoso no favo. Conclusão: o fato de ser natural não representa segurança alimentar.
A tecnologia que tanto gostamos em nossa vida moderna nem sempre é saudável, assim como o alimento in natura, sem tecnologia, não representa garantia de saúde.

Antes de cortar ou eleger algum alimento como responsável pela obesidade ou por qualquer outra coisa, pense na maçã que está em seu bolso e lembre de gastar a energia que ela economiza em sua vida. Emagrecer é mindset (ou uma mudança de pensamento), não uma cruzada contra um único responsável.

Fonte: Revista saúde

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

5 mitos sobre vacinação amplamente difundidos hoje em dia

vacina gripe e outrasEm meio a polêmicas atuais, livro propõe reflexões sobre a nossa relação com micróbios. E desconstrói mentiras perigosas sobre a vacinação


Foi depois de virar mãe que a escritora americana Eula Biss começou a se preocupar com germes, doenças e vacinas

E dessa inquietação nasceu o livro Imunidade, fruto de suas investigações em um território que vai da ciência à literatura.
Passeando entre episódios pessoais, acontecimentos históricos e fenômenos culturais das últimas décadas, a autora monta um retrato peculiar da nossa relação conflituosa com vírus, bactérias e companhia e vasculha de onde vem o pé atrás que uma parcela da sociedade insiste em manter em relação à imunização. Um assunto que ganha evidência com a popularização do movimento antivacina, que não dispõe de qualquer amparo científico.

Em vez de tecer uma mera apologia das vacinas, Eula nos convida a enxergar a imunidade em um contexto mais amplo, o social – aquele em que as escolhas de uma pessoa afetam a vida das outras. E, ao longo da obra, aborda as cinco fake news abaixo.

5 mitos sobre imunização

Vacina causa de autismo: o boato ganhou força com um artigo forjado por um médico britânico que já caiu em descrédito. Não há prova alguma dessa associação.

É veículo de doenças: a transmissão de algumas infecções acontecia no início do século 20 com a reutilização de seringas. Já faz tempo que são descartáveis (e seguras).

Serve de instrumento político: sobram teorias da conspiração ligando as vacinas a métodos de controle populacional – nenhuma sobrevive a um exame crítico.

É só para criança: a maior parte dos imunizantes é aplicada na infância, mas existem várias indicações na fase adulta e na maturidade, caso da própria gripe.

Contém toxinas: grupos acusam laboratórios de incluírem agentes químicos nocivos nas vacinas. Não há estudo que confirme malefícios do gênero.

*** Não caia nas ladainhas sobre vacinação: elas são uma das principais armas de promoção de saúde.

Fonte: Revista Saúde

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Por que certas pessoas têm cárie mesmo escovando bem os dentes?

Eis aí uma injustiça com um fundo de verdade. Mas os hábitos de higiene ainda são primordiais para evitar buracos na arcada dentária

dente com cárie 
É oficial: alguns azarados terão mais cáries do que o resto da população, ainda que escovem os dentes e passem fio dental direitinho. E são vários motivos por trás disso.

Comecemos pelos micro-organismos que vivem na boca. A tal microbiota da região, assim como a intestinal, passa por um período de formação na primeira infância, quando os dentes estão começando a nascer.

“É um momento crucial. Se alguma bactéria agressiva for transmitida para a criança, ela poderá ter um perfil de microbiota que favorece as cáries durante a vida”, aponta Fábio Sampaio, odontologista da Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa.

Outro ponto é a dieta açucarada desde cedo. A lógica aqui é que o paladar, acostumado com a doçura, passa a exigi-la em níveis cada vez maiores. “E o indivíduo que come mais açúcar vai ter maior risco de cáries mesmo com uma higiene boa”, destaca Sampaio.
Veja: o açúcar – seja o puro seja o adicionado em itens industrializados ou em preparos caseiros – é o principal alimento dos micróbios do mal que habitam nossa boca. E nem sempre conseguimos eliminá-lo por completo ao limpar a arcada dentária.

De olho na saliva

A boca seca é outro fator de risco para as danadas aparecerem. Como a saliva tem efeito protetor, sua ausência abre caminho para a desmineralização do esmalte do dente, espécie de etapa anterior à cárie.

Tanto que é pior comer doces tarde da noite. “Perto da hora de dormir, o fluxo de saliva diminui”, explica Renata Paraguassu, cirurgiã-dentista da SucessOdonto Prime, no Rio de Janeiro.

O sumiço do líquido pode ser causado por várias condições, do uso de certos remédios ao hábito de respirar só pela boca. “A pessoa pode fazer um teste que analisa o fluxo salivar e, a partir daí, investigar os motivos”, conta Renata.

Papel genético

No início de 2017, um estudo da Universidade de Zurique, na Suíça, identificou possíveis genes responsáveis pela formação do esmalte, camada protetora do dente. Essa estrutura é o primeiro ponto de ataque das bactérias. A hipótese dos pesquisadores, testada em roedores, é a de que mutações nesses pedaços do DNA fragilizariam essa cobertura e, assim, pavimentariam a estrada para os futuros buracos.

“Já observamos que, por motivos genéticos ou traumas pontuais, algumas crianças e até adultos apresentam problemas na estrutura do esmalte”, aponta Marcelo Bonecker, odontopediatra da Universidade de São Paulo. “Ao invés da superfície ficar lisa e brilhante, como deve ser, acaba porosa e irregular, o que facilita o acúmulo de bactérias e açúcar na superfície do dente”, emenda.

Esses casos são detectados no consultório odontológico – ora, as alterações são bem visíveis aos olhos dos profissionais. A partir daí, começa um trabalho preventivo para impedir que novas cáries deem as caras.
“O tratamento varia de acordo com a fragilidade do esmalte. Ele pode envolver aplicações de flúor no consultório ou até, em casos mais profundos, o uso de uma película de resina para criar uma barreira mecânica no local”, detalha Bonecker.

É cedo, entretanto, para dizer que os genes encontrados por aqueles cientistas suíços são os culpados por essa vulnerabilidade. “O estudo foi feito com animais e o achado precisará ser confirmado com novas pesquisas”, destaca Sampaio. “A propensão existe, mas, por se tratar de uma doença multifatorial, é difícil estabelecer as causas para isso”, adianta.
Além disso, em um país com prevalência tão alta de cárie por questões como distribuição de flúor e pouca higiene, culpar o azar por problemas de saúde bucal é no mínimo um exagero.

O principal é o estilo de vida

Comer muito açúcar e não escovar o dente são, sem a menor sombra de dúvida, os grandes culpados pelas cáries. Como a placa bacteriana é o estopim que leva à cárie, dificilmente alguém que se alimente de maneira equilibrada e tenha uma boa higiene desenvolverá a encrenca.

E um recado para quem negligencia a escova e se vangloria de não sofrer com cáries: “Você poderá ter mau hálito e doença periodontal, males causados por outros tipos de bactérias”, alerta Sampaio. Sim, a falta de higiene e de visitas regulares ao dentista sempre vai cobrar seu preço.

Fonte: Revista saúde

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Exame de sangue moderno prevê novo câncer na mama, diz estudo

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Além de facilitar o acompanhamento da doença, a tecnologia evitaria que algumas mulheres tomassem remédio por mais tempo do que o necessário


Um estudo americano indica que, no futuro, uma nova tecnologia pode facilitar (e muito) a vida de pacientes que já superaram um câncer de mama. Por meio de um simples exame de sangue, será possível antever o surgimento de um segundo tumor na região – e, assim, realizar o tratamento apropriado antes de isso acontecer.
 
Segundo o artigo, o teste deverá ser feito cinco anos após o diagnóstico da doença. Líder da pesquisa, o médico Joseph Sparano, do Centro para Cuidado do Câncer Montefiore Einstein (EUA) afirma que, se o resultado da nova avaliação for negativo, as chances de não ter um novo câncer de mama nos próximos dois anos são de impressionantes 98%. Isso é importantíssimo, uma vez que mulheres que já foram flagradas com esse mal uma vez possuem um risco maior de voltar a sofrer com ele.
O exame foi batizado de CellSearch, e procura por células cancerosas espalhadas no sangue. Ele até já está disponível nos Estados Unidos, mas sua real eficácia era questionável pela ausência de evidências científicas. Essa pesquisa, ao que parece, vai dar mais força ao teste – e estimular mais experimentos com ele.

O estudo em si

Foram incluídas no trabalho 547 mulheres que, cinco anos antes, passaram por cirurgia e quimioterapia para vencer um câncer de mama. Cerca de 66% delas, aliás, vinham tomando desde então bloqueadores de hormônios femininos (a chamada hormonioterapia). Trata-se de uma estratégia comum nos casos em que o tumor é estimulado pelo estrogênio.
A partir daí, elas fizeram o tal exame de sangue e foram acompanhadas por mais dois anos. Conclusão: quando a avaliação acusava a presença de células de câncer no sangue, a probabilidade de um tumor de mama reaparecer nesses período era 22 vezes maior!
Só tem um porém: mesmo se o resultado era positivo (ou seja, apontava unidades cancerosas na circulação), 65% das mulheres acabaram não tendo um novo tumor. De acordo com Sparano, no entanto, isso não inviabiliza o exame. “Não acompanhamos as pacientes por tempo suficiente”, disse, em entrevista ao New York Times. Em outras palavras, é possível que esse segundo câncer de mama se desenvolvesse após dois anos.
Outra ponderação importante é a de que a tecnologia analisada não consegue identificar o risco de um novo câncer em mulheres cuja doença não fora causada pelo estrogênio.

Como esse exame pode ajudar

Atualmente, recomendações internacionais pedem para considerar o uso da hormonioterapia por até dez anos após o surgimento do câncer de mama sensível ao estrogênio. O problema é que essas drogas trazem efeitos colaterais indesejáveis (parecidos com os da menopausa).
Portanto, se esse exame indicasse um baixo risco de a doença voltar a surgir, a mulher poderia abreviar a necessidade de bloqueadores de hormônio para, por exemplo, cinco anos. Fora que ele auxiliaria no acompanhamento da própria enfermidade sem exigir procedimentos invasivos ou avaliações de imagem. 
 
Fonte: Revista saúde 

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Teste do pezinho agora descobre a imunodeficiência primária

Uma nova tecnologia pega carona nesse famoso exame feito logo após o parto para detectar a condição por trás de graves infecções em crianças

imunodeficiência primária IDP exame teste do pezinho pós-parto criança doença 
Ataques frequentes de micróbios a pulmões, ouvidos, intestino ou outros cantos do corpo… 

São eles que costumam despertar a suspeita da imunodeficiência primária (IDP), condição genética pouco conhecida, mesmo entre profissionais de saúde.
Como o nome do problema indica, há uma falha no sistema de defesa, incapaz de conter infecções. Para mudar o cenário atual, marcado por diagnósticos tardios, o Grupo Brasileiro de Imunodeficiências (Bragid) trouxe um novo exame ao país. Por meio de dados coletados no teste do pezinho, ele flagra a IDP logo após o parto.

Segundo o médico Antonio Condino Neto, pesquisador da Universidade de São Paulo e membro do Bragid, a tecnologia está disponível em clínicas particulares, mas a ideia é que, em breve, vá para a rede pública. Segundo o especialista, se descoberta logo cedo, a condição é controlável e as complicações podem ser evitadas.

5 mil

É o número de casos de imunodeficiência primária registrados no Brasil.

15 mil

É a quantidade de pessoas que devem sofrer com a falta de diagnóstico.

Sinais de alerta da IDP

  • Oito ou mais episódios de otite por ano
  • Duas ou mais pneumonias no último ano
  • Feridas recorrentes na boca
  • Monilíase (o popular sapinho) por mais de dois meses
  • Diarreia crônica ou infecções intestinais de repetição
  • Histórico de imunodeficiências na família

Fonte: Revista saúde - Editora Abril