sexta-feira, 29 de maio de 2015

Menos carne, mais vegetais: igual a mais saúde

Reduzir o consumo de carne vermelha e se inspirar uma pitada nos vegetarianos faz parte da receita para viver mais e escapar de infartos, derrames e tumores.
 
menos carne mais vegetais gancho

Fãs de bifes, picanhas e hambúrgueres, tratem de repensar suas preferências à mesa. Ninguém vai pedir para vocês virarem a casaca para o vegetarianismo, mas convém conhecer os últimos achados científicos sobre o impacto de economizar na carne vermelha para o bem da sua saúde. Achados, diga-se, um tanto sólidos, como os de um estudo recém-publicado pelo Imperial College London, na Inglaterra. Depois de acompanhar mais de 450 mil pessoas de dez  países por uma década, os pesquisadores constataram que os adeptos de uma dieta semivegetariana – na qual só 30% dos alimentos eram de origem animal – encaravam um risco 20% menor de morrer por doenças cardiovasculares em comparação com quem seguia um cardápio mais carnívoro. Repare que não se fala aqui em adotar um menu baseado apenas em folhas e afins, mas em conceder menos espaço ao que vem do boi... e mais espaço ao que nasce na terra ou dá em árvore.

Carne vermelha todo dia, maior mortalidade

Outro levantamento, esse da Escola de Saúde Pública de Harvard, nos Estados Unidos, endossa essa conclusão. Na análise de 121 mil americanos, a mortalidade por câncer, infarto e derrame aumentou 13% entre pessoas que consumiam carne vermelha todo santo dia e em 20% entre aquelas que abusavam de embutidos, como salsichas. Sim, a balança da ciência pende para os que dão valor à salada. O que não significa riscar a carne da lista de compras. "Os resultados desses trabalhos não sugerem proibição, mas moderação", frisa a oncologista Maria Del Pilar Estevez Diz, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.

Recomendação semanal

Pelos cálculos atuais, a recomendação é não exceder meio quilo de carne de vaca, ovelha ou porco por semana. É pouco mesmo: algo como um bife segunda, quarta e sexta. Só que essa redução deve ser acompanhada pelo incremento nas porções de verduras e legumes. "Para obter os benefícios demonstrados nas pesquisas, o mais importante seria ampliar a ingestão dos vegetais", avalia a endocrinologista Mirela Jobim de Azevedo, chefe do Serviço de Nutrologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. E o motivo você já deve saber ou suspeitar: as hortaliças e as frutas reúnem um arsenal inesgotável de substâncias que financiam nossa longevidade.

Menor mortalidade entre os vegetarianos

Não dá pra negar que o padrão vegetariano leva vantagem em termos de prevenção. Até porque, em geral, indivíduos que privilegiam esse tipo de dieta tendem a ser mais magros, praticam exercícios, bebem menos e não fumam. Tudo isso ajuda a entender os resultados de um megaestudo assinado pela Universidade Loma Linda, nos Estados Unidos. Após avaliar 73 mil pessoas por cinco anos, observou-se que as taxas de mortalidade, a despeito da causa, eram menores entre os vegetarianos. Em outro braço dessa pesquisa, divulgado há pouco, os cientistas perceberam que essa turma tem um risco 22% menor de sofrer um câncer colorretal. Mas o interessante aqui é que essa proteção dobra se o sujeito comer... peixe. No trabalho, os pescovegetarianos enfrentam uma probabilidade 43% menor de ter a doença. A hipótese para justificar o benefício recai sobre o ômega-3, a prestigiada gordura dos pescados. Olha aí um substituto para o bife de vez em quando.

E os embutidos?

Certo, você já entendeu por que deve visistar mais a feira (e a peixaria). O que há de errado, então, com a carne vermelha? Segundo a nutróloga Andréa Pereira, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, o problema em extravasar no alimento se deve ao fato de ele ser uma baita fonte de gordura saturada, cujo excesso é um reconhecido fator de risco cardiovascular. Já os embutidos e as versões processadas carregam muito nos conservantes, como o nitrito e o nitrato. "Anos e anos de ingestão contribuem para o surgimento de tumores", alerta a médica.

Carnívoros x vegetarianos

Como a palavra de ordem é o bom senso, o correto é priorizar sempre a carne fresca e com menor percentual de gordura. "Com os cortes magros se obtêm os benefícios e o mínimo de danos", ressalta Aline Marcadenti, professora de nutrição da Universidade Federal de Ciências e Saúde de Porto Alegre. Ora, justiça seja feita, não dá pra esconder que a carne vermelha tem lá suas virtudes, como proteínas, ferro e vitamina B12. "Mesmo fazendo a substituição por fontes vegetais, fica mais complicado para o organismo aproveitar todos esses elementos", afirma Andréa. "Não à toa, alguns vegetarianos têm que repor esses nutrientes por meio de cápsula."
Essa é uma questão que move um debate acalorado entre carnívoros, vegetarianos e profissionais da saúde. De acordo com a endocrinologista Mirela Jobim de Azevedo, não há risco em retirar a carne do cardápio, desde que sejam mantidos ovos e laticínios – no caso dos veganos, que eliminam todo alimento de origem animal, a possibilidade de déficits nutricionais realmente se agrava, o que cobraria a orientação de um especialista.
Existem, porém, trocas pra lá de plausíveis. "Cerca de 100 gramas de carne poder ser substituídas por uma concha de feijão, o que resolve a necessidade de ferro", exemplifica o médico Eric Slywitch, diretor da Sociedade Vegetariana Brasileira. Mas e a vitamina B12, importante para o cérebro e exclusiva dos animais? Segundo Slywitch, mesmo comendo carne, muita gente não absorve o nutriente a contento. E o pior é que temos pouquíssimos produtos fortificados no mercado. "O ideal é que houvesse mais alimentos enriquecidos com a vitamina, da mesma forma que acontece com o iodo no sal e com o ácido fólico em farinhas", dis Slywitch.
Botar em prática uma alimentação saudável não é a tarefa mais fácil do mundo. Mas tudo pode engrenar se a sua conta for equilibrada: corta um bifinho aqui, entram um grão e uma verdura ali... Ou, visto de outro jeito, se você fizer economia no açougue e gastar mais na feira.

Sem carne, mas com prazer

Criatividade pe peça-chave para aumentar o consumo de vegetais sem sentir saudade do churrasco e do bife acebolado

Hambúrguer

Grão-de-bico, lentilha e abóbora podem entrar no lugar da carne. Depois de cozinhá-los, faça uma pasta, molde e leve ao forno. Para dar sabor, aposte em pimentas, páprica ou fumaça líquida, que dá gostinho de carne assada.

Cogumelos

A rigor, são fungos, não vegetais. Substituem muito bem a carne em massas e risotos. Cada vez mais comuns no mercado, os tipos shimeji, shiitake e paris dão um toque especial e ainda têm consistência que lembra tiras de filé.

Na brasa

Não tenha vergonha de pedir espaço na churrasqueira para um espeto de vegetais. Cebola, batata, abobrinha, tomates e pimentões assados no fogo ficam de dar água na boca. E, se sobrar espaço, que tal um abacaxi com canela?

Fonte: Revista saúde

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Um intestino sensível demais

intestino irritávelDor na barriga, ventre inflado, constipação ou, pelo contrário, idas urgentes ao banheiro. Se tudo isso lhe soa familiar, comece a suspeitar da síndrome do intestino irritável.
 
Você mal cruza os garfos e já sente a barriga inchar. Tem de correr para o banheiro e ficar algum tempo esperando até tudo ir embora, inclusive as cólicas. E é a quarta vez no mês que o episódio se repete ? e olha que não comeu nada tão forte ou pesado. Aí o suplício some e você já está se esquecendo... Até que ele volta com tudo, após um prosaico pão com manteiga no café da manhã. Se você protagoniza essa história, é provável que tenha um intestino sensível demais. Ou irritável, como preferem os médicos.

Presente em até 20% da população mundial, a síndrome do intestino irritável (SII) é uma condição ainda não totalmente compreendida pela comunidade científica. Isso porque, quando se examina o sistema digestivo de quem tem o problema, não se veem alterações anatômicas ou lesões. Só em 1994 foram estabelecidos os critérios de diagnósticos. E esses critérios, bem como as condutas de controle, acabam de ser revistos em um trabalho publicado no renomado The Journal of the American Medical Association.

O artigo aponta o dedo para os principais sintomas: diarreia ou constipação sem motivo aparente e inchaço temporário da barriga acompanhado de dores, normalmente depois das refeições. Em geral, a síndrome começa a se manifestar após um evento estressante, físico ou emocional. "O gatilho pode ser uma infecção intestinal ou um trauma, como um assalto", conta a gastroenterologista Sandra Beatriz Marion, da pontifícia Universida de Católica do paraná. Vem o primeiro episódio e ela nunca mais abandona o sujeito.

Não há, porém, motivo para pânico. O problema é crônico, mas não evolui para quadros graves como tumores. "Menos de 10% dos pacientes têm um comprometimento sério na qualidade de vida", calcula Carlos Fernando Francescone, chefe do Serviço de Gastroenterologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Apesar disso, a medicina labuta para que a síndrome não seja um estorvo tão frequente na vida do cidadão ? afinal, ninguém quer sofrer quando vai ao banheiro.

No passado, a síndrome do intestino irritável era chamada de colite nervosa por causa da sua intensa associação com situações estressantes. Só que os médicos repararam, por meio de exames, que os pacientes não tinham inflamação (identificada pelo "ite" da nomenclatura nem lesões no intestino grosso. Aí mudaram o nome. "A SII não se resume a um problema de ordem psicológica, uma vez que é caracterizada por alterações funcionais no órgão", ressalta Maria do Carmo Friche Passos, presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia. Contudo, o fator emocional costuma ser o grande desencadeador das crises. Como fases boas e ruins se alternam na vida, a síndrome pode ter um comportamento mais aleatório. O indivíduo passa as férias à base de cerveja e petiscos sem ter nem uma cólica sequer, mas basta voltar à rotina do trabalho e trânsito que o martírio reaparece com tudo.

Fonte: revista saúde

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Para quem é a cirurgia bariátrica

Os benefícios desse tipo de procedimento, cada vez mais sólidos, não justificam sua indicação para qualquer um. Saiba quando, de fato, o bisturi é uma boa opção para emagrecer.
 
cirurgia bariátrica
 
Não dá para ignorar os resultados expressivos das cirurgias bariátricas. Numa revisão da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, a economista especializada em saúde Su-Hsin Chang investigou 164 estudos, que reuniram 161 756 voluntários pesos pesados. Tudo para concluir  que, mesmo cinco anos após terem deixado o hospital, os participantes apresentavam, em média, uma redução de 12 a 17 pontos no índice de massa corporal (IMC).
Constatações como essa alavancaram o número de pessoas que enxugaram grandes excessos gordurosos com o bisturi. No nosso pais, saímos de 16 mil casos em 2003 para 88 mil em 2014 – um crescimento de 5,5 vezes, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).

O que avaliar antes de apelar para o bisturi

IMC

De uma forma muito simplista, daria para dizer que são candidatos à cirurgia os sujeitos entre 16 e 65 anos com IMC de 40 ou mais – ou mesmo “só” acima dos 35, desde que já estejam com uma doença decorrente do excesso de peso.

Tempo

 “Hoje, um dos principais fatores a serem analisados é o tempo que o indivíduo convive com a obesidade”, aponta o cirurgião Cláudio Mottin, diretor do Centro de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital São Lucas, em Porto Alegre. Se for inferior a cinco anos, melhor apostar em táticas menos radicais.

Fracasso de outras medidas

Outro critério  fundamental é ter tentado, sem sucesso, medidas mais brandas por ao menos dois anos.

Estado mental

Transtornos psiquiátricos descompensados ou fases turbulentas da vida no mínimo adiam a operação. “Há quem precise de preparo psicológico por mais de um ano antes de fazer o procedimento”, conta Luiza Heberle, psiquiatra que trabalha com Motin no Hospital São Lucas.

Para não operar e engordar de novo

Antes de tudo

Uma bateria de exames é feita para checar se o candidato pode ser operado – e, se sim, em quais condições. Ele ainda passa por acompanhamento psicológico e já dá o pontapé inicial para modificações no estilo de vida.

Logo após a cirurgia

Nos primeiros 15 dias, a dieta é composta de líquidos. Nas duas semanas seguintes, entram alimentos pastosos. Só depois de 30 dias estão liberadas comidas mais durinhas. O contato com os profissionais de saúde deve ser constante.

Daí em diante

O tratamento não para aí. Fora os ajustes no cardápio e a inclusão de exercícios na rotina, a pessoa provavelmente recorrerá a suplementos de vitaminas e minerais. As consultas com o médico seguem por anos e  mais anos.
 
Fonte: Revista saúde

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Uma gordura para esquecer

Estudo comprova que a trans está por trás de falhas de memória. E pior: seus efeitos já podem aparecer em pessoas jovens
 
uma gordura para esquecer

Que ela faz um mal danado ao coração, quase todo mundo lembra e ninguém questiona. Mas a repercussão de alimentos ricos em trans (bolachas, salgadinhos, sorvetes...) alguns palmos acima do peito, lá no cérebro, ainda é um terreno novo entre os estudiosos da nutrição. Terreno que foi chacoalhado por uma pesquisa da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Ela traz dados robustos de que o consumo frequente de produtos industrializados cheios de gordura é capaz de comprometer a memória – e muito antes de os cabelos brancos surgirem.
Os cientistas pediram a 1 018 homens, com idade entre 20 e 45 anos, que respondessem a um questionário sobre hábitos alimentares – um dos tópicos era a carga de trans no cardápio. Depois das perguntas todos participaram de um teste de memória simples, em que assistiam a uma sequência de palavras. A única tarefa dos voluntários era dizer se o que eles estavam lendo naquele momento era igual ao que tinham visto antes. Aí veio a surpresa: a cada grama ingerido do ingrediente, o sujeito se esquecia de 0,76 palavra. “Isso significa que, num exame com 86 vocábulos, as pessoas que comiam muito dessa gordura erravam 11 termos a mais em comparação com quem a evitava no prato”, explica a médica Beatrice Golomb, líder da investigação. A diferença é considerada enorme, ainda mais quando se leva em conta a idade dos participantes. Ora, é entre os 20 e os 45 anos que o indivíduo se forma e cresce na vida acadêmica e profissional – fase crítica para o cérebro trabalhar.

Com uma gordura interfere nas atividades dos neurônios?

Numa ação chamada pró-oxidante, a trans promove, dentro do organismo, uma enxurrada de radicais livres, moléculas que, em excesso, danificam as células nervosas – inclusive nas áreas cerebrais que retêm as lembranças. “O abuso de itens ricos em trans também está associado ao ganho de peso, que, por sua vez, impacta negativamente na massa cinzenta”, acrescenta o neurologista Paulo Bertolucci, da Universidade Federal de São Paulo

A partir de que quantidade é prejudicial?

Apesar de a presença do ingrediente ter sido reduzida no mercado nos últimos anos, o assunto ainda preocupa os profissionais de saúde – até porque produtos mais baratos permanecem lotados dessa gordura. “A trans deve representar, no máximo, 1%, ou 2,2 gramas, das calorias diárias”, indica a nutricionista  Selma Sanches Dovichi, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro.
Se pensarmos que uma porção de batata frita pré-cozida tem 6 gramas de trans e uma única fatia de pizza congelada leva 1,1 grama, ultrapassar esse limite é mais fácil do que se imagina. E o mesmo raciocínio se aplica a quem se entrega aos pacotes de bolacha recheada ou salgadinho. “Quanto menos trans na dieta, melhor”, frisa Silva.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Operação “chega de rinite”

Manual publicado por médicos americanos traz as novas recomendações para o controle de quadros de fundo alérgico
 
operação chega de rinite
 
Espirros, coriza e nariz entupido: todo mundo tem, já teve ou ainda vai ter pelo menos um episódio de rinite. Basta pegar uma gripe ou um resfriado passageiro. Mas, para uma parcela da população, ela faz parte da rotina. É só entar em contato com pó, mofo, ácaros, pólen, pelos de animais ou produtos químicos que o organismo reage com tudo, anticorpos são liberados e a mucosa nasal, inflamada, sofre as consequências.
Por se tratar de uma condição crônica e que muitas vezes repele o tratamento receitado, a Academia Americana de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial acaba de atualizar suas diretrizes para o controle da rinite alérgica. Além de nortear a detecção e o plano terapêutico, o guia propõe orientações para adotar em casa e ainda dá uma palavra sobre o papel da acupuntura e da fitoterapia. Segure o espirro e conheça essas 10 recomendações.

1. A importância do diagnóstico

Um dos desafios que a rinite alérgia impõe é o dignóstico e como flagrar o que desperta as crises. Não por acaso, o documento americano começa reforçando a necessidade de o médico traçar minuciosamente o histórico do paciente e apurar os gatilhos e a presença de doenças relacionadas. Segundo o pneumologista Álvaro Cruz, da Universidade Federal da Bahia, asmáticos tendem a ter mais rinite, por exemplo. Se o fator desencadeante não é identificado nas consultas, testes de alergia (que usam a pele ou o sangue) são bem-vindos.

2. Pets: cada um no seu quadrado

Sabemos que é difícil manter distância dos animais se você tem um deles em casa. Mas o novo guia pede atenção diante dos pets. Isso porque cães e gatos têm alérgenos que são liberados na saliva, na pele  e na urina, além de acumular ácaros nos pelos. Tem gente que só tem alergia de gato e outros só de cachorro. Independentemente da espécie, o ideal é definir um espaço para o bicho, a fim de evitar que os pelos se espalhem pela casa, e lavar as mãos depois dos afagos. Dar banho ajuda, mas não traz melhoras em meio a uma crise.

3. O ar que você respira

O ar-condicionado pode ser um aliado porque serve como filtro contra a poluição que vem da rua. Isso desde que a manutenção do aparelho esteja em dia – e os fabricantes pedem que o filtro seja limpo com água a cada três meses, pelo menos. O ar mais gelado e seco em si não provoca rinite, mas pode deixar a mucosa nasal sensível. Daí o conselho de programar uma temperatura amena (entre 24 e 25 ºC) e adotar um umidificador.

4. Extermínio de ácaros

Esses aracnídeos invisíveis a olho nu são responsáveis pela rinite de boa parte dos brasileiros. Gostam de lugares úmidos e quentes e se alimentam  de restos de pele que se misturam à poeira. Para acabar com a festa, conservar a casa limpa e os armários secos é fundamental – e, de bônus, se evita outro patrocinador de alergias, o mofo. Na batalha contra o pó entram pano úmido e aspirador com filtros Hepa, que retêm melhor a poeira. Produtos contra ácaros também podem ser requisitados.

5. A cama pode ser a fonte do problema

Lençóis, cobertores, colchões e travesseiros são um prato cheio para os ácaros. Assim, trocar e lavar a roupa de cama com frequência (pelo menos uma vez por semana) é a primeira regra de ouro. O manual americano propõe o uso de capas impermeáveis e hipoalergênicas em colchões e travesseiros. Manter os quartos ventilados e a cama exposta ao sol também ajuda.

6. Para tratar sem sedar

Como antialérgicos têm fama de gerar aquela soneira, as novas diretrizes priorizam a prescrição de anti-histamínicos de segunda geração, que não têm o efeito sedativo típico da primeira classe dessas drogas. Essa nova geração tem outras vantagens: age mais rápido, pode ser usada por um período maior e não interfere no apetite.

7. Remédios da pesada

Há medicações que só devem entrar em cena  em casos mais graves ou durante as crises. E o principal exempo aqui são os corticoides, potentes anti-inflamatórios. Os especialistas prescrevem por poucos dias, uma vez que o uso prolongado pode causar retenção de líquido, aumento de peso, mal-estar e até osteoporose. Convém reforçar: como os antialérgicos, eles só devem ser empregados sob orientação.

8. Educação imunológica

E se treinássemos o sistema imune para ele deixar de hiper-reagir toda vez que o corpo tem contato com ácaros ou pelos de animais? Esse é o princípio da imunoterapia, uma espécie de vacina que injeta baixas doses de alérgenos com o objetivo de neutralizar a resposta das nossas defesas diante desses corpos estranhos. O manual a coloca como opção quando a alergia é refratária a tratamentos convencionais – e as aplicações podem durar de dois a três anos.

9. Apoio das agulhas

Pela primeira vez, o consenso da Academia Americana de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial se posiciona quanto ao uso da acupuntura: ela pode, sim, integrar o combate não medicamentoso à rinite alérgica. A aplicação das agulhas em pontos mapeados pela medicina tradicional chinesa poderia ser utilizada sozinha ou como complemento aos remédios. No Brasil, a técnica ainda não é reconhecida para substituir o tratamento padrão, e o que se alega é a carência de mais pesquisas comprovando seus benefícios. No entanto, ela está longe de ser contraindicada pelos especialistas.

10. O chazinho se deu mal

Se a acupuntura recebeu o aval contra a rinite, o mesmo não se pode dizer da fitoterapia. O guia desencoraja o uso de ervas medicinais como tratamento, independentemente do meio (infusão, cápsula...). Faltam provas sobre sua segurança e eficiência e ainda existe o risco de efeitos colaterais e interações com remédios prescritos no consultório. Veja: não é que o chá da vovó está proibido, mas é importante saber que não será uma xícara quentinha que resolverá de vez uma crise de rinite.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

9 truques para deixar o churrasco saudável

Ele é uma paixão nacional, mas está longe de ser o melhor preparo aos olhos da nutrição. Saiba como atenuar suas más qualidades – sem deixar de comer carne.
 
guia do churrasco saudável
 
Botar a picanha, a maminha e o cupim para assar é sinônimo de festa para muitos brasileiros. Mas é preciso tomar cuidado: expor a carne a altas temperaturas no braseiro tende a impregná-la de compostos nocivos com nomes químicos de batismo um tanto complicados – as aminas heterocíclicas e os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos. São moléculas envolvidas, por exemplo, com o surgimento de tumores. Mas há medidas testadas capazes de minimizar a formação desses compostos.

1. Faça uma marinada

Deixar a carne de molho por pelo menos 30 minutos numa solução com vinho ou cerveja, alho e ervas aromáticas reduz o aparecimento posterior das temidas aminas heterocíclicas. "Além de melhorar o sabor e a maciez, a marinada diminui o tempo de cozimento", explica a nutricionista Marcela Veiros, professora da Universidade Federal de Santa Catarina. Esse banho é muito bem-vindo ao frango e a peças bovinas que demoram um pouco mais para ficar prontas.
O preparo da marinada pode variar com o tipo de carne e o gosto do freguês. De modo geral, vinho, vinagre, cerveja, limão, ervas, cebola e alho estão entre os melhores ingredientes – e o tempo de molho vai de meia hora a um pernoite. Um estudo da Universidade do Porto, em Portugal, mostra que a cerveja preta é uma senhora protetora da carne de porco. E um trabalho que comparou marinadas louva a mistura de cebola, alho e suco de limão – boa para frangos e até mesmo para peixes.

2. Prefira bifes a peçonas

Essa estratégia simples serve para encurtar o tempo sobre a brasa. "Quanto mais elevada a temperatura a que a carne está submetida, maior a formação dos compostos prejudiciais", ensina a engenheira de alimentos Ana Lúcia Corrêa Lemos, do Instituto de Tecnologia de Alimentos, em Campinas, no interior paulista. Então, quanto menos tempo o alimento passar pela grelha, melhor. Em vez de colocar a picanha inteira na churrasqueira, que tal fatiá-la em bifes antes de assar?

3. Vire mais a carne

Sabe quando o churrasqueiro fica batendo um papo e deixa tudo tostar? Pois esse descuido tem repercussões no nosso corpo. Carne tostada é a prova visível de que ela está repleta de substâncias ruins. "Virar os bifes é importante para que primeiro ocorra o selamento e, com isso, a carne não resseque, e para que ela grelhe de modo uniforme, sem ficar torrada demais em um dos lados", esclarece Marcela.

4. Tire o excesso de gordura

Quem delira com aquela lasca de gordura da picanha que nos perdoe, mas há vantagens em optar por cortes menos gordos ou podar os excessos antes de levar ao fogo – e não apenas por deixar o churrasco mais magro. "A presença de gordura não influencia a formação das aminas, mas, quando escorre para a brasa, faz gerar a fumaça que impregna a carne de hidrocarbonetos policíclicos", avisa Ana Lúcia.

5. Aposte no pré-cozimento

É outra solução para reduzir o tempo no braseiro e se destina a peças grandes como o cupim e a costela, que podem fazer uma passagem prévia pela panela de pressão. Se você não gosta tanto da ideia, cobrir a carne com papel-alumínio ou celofane já ajuda no cozimento sobre a grelha. "Isso inibe o contato com a fumaça", justifica a nutricionista Andréa Esquivel, do Centro de Diagnóstico em Gastroenterologia, em São Paulo.

6. Deixe a brasa mais longe

Mantenha distância. Eis uma plaquinha que podia decorar a churrasqueira de todos os lares. A distância se refere ao espaço entre a grelha e o carvão. Embora não haja uma medida ideal (depende do espaço utilizado), busque afastá-los o máximo possível sem que ocorra perda expressiva de calor. "É preciso ter sempre o cuidado para que as chamas nunca atinjam o alimento", reforça a professora Marcela.

7. Limpe bem a grelha

Sabe a sujeira preta que se acumula ali? Pois a gordura derretida e os restos de carne torrada deixam de herança um reduto de moléculas perigosas –  sem falar nos riscos da falta de higiene em si. A ordem é limpar o utensílio antes de todo churrasco. Caso contrário, aquela imundície vai se incorporar, sim, na carne. Além da buchinha e do detergente, hoje existem produtos próprios para grelhas.

8. Evite tostados e embutidos

Em matéria de agentes cancerígenos, você já deve ter percebido que o malpassado é preferível ao tostado. "E devem ficar atentas a isso especialmente pessoas que já sofrem de problemas gástricos e intestinais", lembra Andréa. Por falar nisso, outra medida de ouro é deixar de escanteio linguiças processadas e salsichões, que já apresentam moléculas propícias a atrapalhar a vida das células.

9. Use frutas e legumes

Um churrasco saudável que se preze tem diversidade sobre as brasas. Por isso, dê fim ao monopólio da carne vermelha e conceda licença a legumes e frutas, fontes de nutrientes que blindam o organismo. Tomate, abobrinha e berinjela são alguns exemplos do que vai bem na grelha. E o abacaxi é um capítulo à parte. "O calor faz aumentar a disponibilidade da bromelina, substância que favorece a digestão", destaca Andréa.

Fonte: Revista saúde

terça-feira, 31 de março de 2015

Orégano aplaca o desejo por sal

Ao acrescentar a erva no preparo de pães, as versões mais salgadas se tornam as menos preferidas
 
orégano aplaca o desejo por sal
 
Quantas vezes você já escutou que trocar o sal por ervas ajuda a evitar o aumento da pressão arterial? Pois em um estudo conduzido na Universidade de São Paulo a nutricionista Patrícia Villela confirmou que essa manobra realmente dá certo. Ela recrutou 120 voluntários jovens e idodos, uns com hipertensão e outros com a pressão normal. Em um primeiro momento, a especialista ofereceu a esse pessoal três tipos de pão francês – a diferença entre eles era o teor de sódio. Em geral, quem já tinha a doença preferiu a opção mais salgada do trio. Mas, quando Patrícia incluiu orégano na receita do alimento, a história mudou. Ao provar os produtos feitos com a especiaria, os participantes apontaram o pão com menos sódio como o melhor de todos. “Os voluntários acharam a versão com orégano mais saborosa”, conta Patrícia. Ainda de acordo com ela, qualquer diminuição no uso de sal, por menor que seja, já é vantajosa. “Afinal, recomenda-se o consumo de até 5 gramas, e o brasileiro utiliza cerca de 12”, ressalta.

Outros temperos que dão sabor sem elevar a pressão

Salsinha

De poder diurético, ela é superversátil. Experimente com sopas, saladas, carnes, molhos, arroz e por aí vai.

Coentro

Conhecido por ser um ótimo digestivo, cai muito bem na preparação de peixes.

Louro

Inclua-o no feijão sem pestanejar. O louro ajuda a combater a formação de gases e a sensação de peso no estômago.

Manjericão

Originário da Índia, ele é perfeito para compor os molhos das massas.

Alecrim

Dá para utilizar tanto os ramos como suas folhas nas receitas. Combina com diversos tipos de carne.