sexta-feira, 20 de março de 2015

Conheça 10 plantas que curam

Entrevista com alguns dos mais renomados pesquisadores brasileiros descobriu as propriedades da nossa flora sem correr riscos.

Conheça 10 plantas que curam 

"A flora nacional concentra a maior biodiversidade do mundo. São 55 mil espécies catalogadas, o correspondente a 20% do total distribuído pelo planeta", dispara o médico Roberto Boorhem, presidente da Associação Brasileira de Fitoterapia. Esse tesouro natural é uma oportunidade de avançar na descoberta de novos tratamentos médicos, desde que utilizado com critério científico.
Antes de tudo, apague a crença de que tudo que é natural não faz mal. "As plantas necessitam de recursos químicos para se defender, como alguns alcaloides, que, por serem amargos e tóxicos, afastam predadores, ou óleos essenciais, que atraem aves para a polinização", exemplifica a farmacêutica Ivana Suffredini, da Universidade Paulista, na capital. "Assim como algumas dessas substâncias podem atuar positivamente no organismo humano, outras provocam sérios danos", alerta.
Outra confusão que precisa ser desfeita é usar os termos plantas medicinais e fitoterápicos como sinônimos. "Fitoterápicos são remédios, que passam por uma rigorosa avaliação de segurança e eficácia em seres humanos, com uma concentração de ativos padronizada, o que nem sempre ocorre com as folhas para o preparo de chás", diferencia a geriatra especializada em fitomedicina Rita Ferrari, de São Paulo.
Não quer dizer que a população tenha de abandonar as infusões, respeitando-se algumas medidas de cautela. Com o respaldo de investigações sérias e de anos de uso popular registrados, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou uma lista de 66 espécies eficazes, com suas respectivas indicações de uso. As plantas mencionadas nesta reportagem aparecem nessa relação e são rotuladas como drogas vegetais. "Esses chás devem ser consumidos somente para alívio de sintomas agudos, sem ultrapassar 30 dias. A utilização prolongada exige o acompanhamento de um médico ou nutricionista", esclarece Boorhem.

Conheça cada uma dessas plantas poderosas:

Conheça 10 plantas que curam
Fotos: Dercílio

1. Passiflora:
famosa por seu poder calmante, a folha do maracujá entra na fórmula de fitoterápicos e é receitada por especialistas no tratamento de ansiedade.
2. Aroeira-do-sertão: na Universidade Federal do Ceará, a farmacêutica Mary Anne Bandeira elegeu essa espécie para desenvolver uma fórmula fitoterápica contra infecções ginecológicas.
3. Valeriana: matéria-prima de fitomedicamentos, essa espécie aumentaria a disponibilidade de certos neurotransmissores, aplacando a ansiedade.
4. Boldo-do-chile: a espécie não é aquela com textura aveludada, que os brasileiros costumam colher no jardim - e sim outra, proveniente do Chile, que de fato ajuda na digestão, como comprovou o levantamento realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista. "A boldina, principal componente do vegetal, estimula a secreção da bile, substância produzida pelo fígado que atua na digestão de gorduras", confirma o biomédico João Ernesto de Carvalho, do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas e Biológicas da Unicamp.
5. Carqueja: "assim como o boldo, a carqueja favorece a produção da bile, facilitando a digestão", conta Carvalho. Não para por aí. Há registros de redução das taxas de açúcar no sangue, além de propriedades antiúlcera e anti-inflamatórias, que auxiliariam no tratamento de artrites.
Conheça 10 plantas que curam
Fotos: Dercílio

6. Alecrim:
atua no combate à depressão. No cérebro, a planta inibe a degradação dos neurotransmissores serotonina, dopamina e noradrenalina, responsáveis pela sensação de bem-estar.
7. Guaco: aclamadas por aliviar sintomas de bronquite, asma e tosse, as folhas de guaco têm efeito paliativo para casos agudos de doenças respiratórias. 
8. Espinheira-santa: há séculos empregada pela população em forma de chás, a planta atenuaria azia e mal-estar estomacal.
9. Erva-baleeira: seu óleo essencial é matéria-prima de um consagrado fitomedicamento fabricado pelo laboratório Aché: um creme anti-inflamatório de uso tópíco, indicado para aliviar dores musculoesqueléticas e tendinites.
10. Barbatimão: típico do cerrado, concentra substâncias de grande potencial cicatrizante. Por isso, tornou-se alvo de interesse do laboratório Apsen, que, após 17 anos de pesquisas, lançou uma pomada à base de seu extrato.

sexta-feira, 13 de março de 2015

A dieta que detona pedras

Quem diria que as escolhas alimentares tirariam até pedras (dores e outras complicações) do seu caminho? 

 dieta que detona pedras

A pedra que aparece nos rins tem míseros milímetros. Mesmo assim, é capaz de fazer adulto urrar de desespero. Não à toa, dizem por aí que é a dor mais próxima da do parto que um homem pode sentir. Mas, se você não quer sofrer com o nascimento de um cálculo renal, saiba que, em grande parte dos casos, está em suas mãos, ou melhor, em sua dieta, uma maneira de prevenir o problema.

Aumente o consumo de...

Líquido

Para que os rins não sejam terreno propício à formação de pedras, a primeira regra é ingerir bastante líquido. Segundo o Colégio Americano de Médicos o certo beber o suficiente para fazer cerca de 2 litros de xixi por dia. Como não dá para saber quanta urina vai embora a cada visita ao banheiro, um jeito simples de ter noção se está tudo dentro dos conformes é espiar sua cor. Ela deve ser clarinha. Se estiver muito amarela, significa que está bem concentrada. Aí o risco de os cristais se juntarem cresce.

Café

A produção de urina não depende somente de água pura e fresca. Para fechar a conta, valem sucos, sopas, frutas, verduras, chás... Até café. Um trabalho da Universidade Católica do Sagrado Coração, na Itália, avaliou três grandes levantamentos, com um total de 217 883 participantes. E ele concluiu o seguinte: no primeiro estudo, quem consumia mais café tinha um risco 26% menor de ter cálculo renal; no segundo, a redução foi de 29%; e, no terceiro, de 31%. É que a cafeína deixa a urina mais diluída, explicam os pesquisadores italianos.

Frutas cítricas

Um tipo de bebida que já caiu nas graças dos experts em rins é o suco de frutas cítricas, como de laranja e limão. Esses alimentos têm citrato, um elemento protetor. Na prática, essa molécula tem afeição especial pelo cálcio. Ao se juntar a ele, gera um composto solúvel, facilmente liberado pela urina. Assim, o cálcio não fica livre para formar as pedras. Verduras, legumes e outras frutas também têm suas doses do bendito citrato.

Iogurtes

Como as pedras são formadas basicamente por cálcio, há uma ideia de  ideia de que parar de consumir queijos, leite e iogurte, fontes do mineral, seria positivo. Errado. Além de esse comportamento abrir a porta para a osteoporose, ele só traz prejuízos para os rins. Acompanhe o raciocínio: no intestino, há grande quantidade de um composto chamada oxalato. Quando ele está sozinho, acaba partindo para o sistema urinário, onde gruda no cálcio, formando a temida pedra. Agora, se o indivíduo capricha na ingestão de cálcio, essa junção do oxalato com o mineral ocorre já no intestino. E lá eles dão origem a um complexo solúvel que sai pelas fezes.

Diminua o consumo de...

Refrigerantes

Anda de acordo com o Colégio Americano de Médicos, há evidências de que tomar essas bebidas açucaradas com frequência pode ameaçar os rins. Uma das razões seria porque os refris fazem com que mais cálcio vá parar no xixi. Mas tem mais: os líquidos gasosos facilitam o ganho de peso, situação que favorece a resistência à ação da insulina. Nessas circunstâncias, a urina costuma ficar mais ácida. E, aí, há uma maior propensão ao surgimento de cálculos de ácido úrico.

Sódio

Outra orientação essencial é pegar leve no saleiro. Quando a dieta é rica em sal, a passagem de cálcio para a urina é mais intensa. Além de diminuir as pitadas, maneire no consumo de embutidos (como linguiça, salsicha e salame), macarrão instantâneo, enlatados... Enfim, itens reconhecidamente cheios de sódio. O ideal é ingerir cerca de 2 400 miligramas desse mineral, algo em torno de 5 gramas de sal de cozinha.

Proteína animal

Vale a pena rever também quanta proteína animal vai ao prato. É que o produto final da digestão da carne é o ácido úrico – e ele pode literalmente empedrar. Para piorar, o excesso de proteína deixa o sangue levemente mais ácido. Quando isso acontece, há uma redução na excreção do citrato, aquela substância do bem. Aí já viu...

Fonte: Revista saúde

terça-feira, 3 de março de 2015

As novidades no tratamento de depressão

Um alento para as 10 milhões de pessoas que enfrentam a depressão no Brasil: com diagnóstico bem-feito e novos tratamentos – entre os quais, os efeitos secundários do Botox, ainda em estudo –, é possível sair das trevas e recuperar o gosto pela vida.

Mulher pensando

Os participantes do último Congresso Mundial de Psiquiatria, realizado em setembro em Madri, na Espanha, foram surpreendidos com a apresentação de um estudo mostrando que a toxina botulínica do tipo A (o Botox), largamente empregada para suavizar rugas, pode trazer alívio contra a depressão. “A pesquisa é inovadora porque oferece uma nova abordagem para tratar a doença, e ela não entra em conflito com qualquer recurso já disponível”, observou o psiquiatra Norman Rosenthal, professor da Georgetown Medical School, em Washington, nos Estados Unidos, e coautor do estudo, publicado no Journal of Psychiatric Research. Em parceria com o cirurgião dermatológico Eric Finzi, ele acompanhou 74 pacientes de ambos os sexos com diagnóstico de depressão moderada ou severa. Metade recebeu uma aplicação de Botox entre as sobrancelhas, nos músculos usados para franzir a testa, local onde se formam vincos que conferem a expressão de preocupação e tristeza – o chamado olhar bravo. A outra metade (o grupo controle) recebeu uma injeção no mesmo lugar, só que de solução salina. Para avaliar a depressão, os participantes passaram por testes três semanas depois – e isso se repetiu seis semanas mais tarde. O resultado: 52% dos tratados com a toxina tiveram melhora significativa ante, no máximo, 20% do outro grupo. Embora não tenha sido o primeiro trabalho a propor o Botox contra a depressão, o estudo de Finzi e Rosenthal foi o maior e mais controlado já feito e confirma que as expressões do rosto interferem no humor. Um ar mais leve e sereno acaba influenciando nosso estado de espírito. O efeito, portanto, não decorre da ação do princípio ativo sobre o sistema nervoso central, mas do benefício que a mudança facial teria sobre o ânimo e o bem-estar. Ou, como já dizia um dos fundadores da psicologia moderna, o americano William James: “Nós não rimos porque estamos felizes. Nós estamos felizes porque rimos”.
 
Essa descoberta animadora não é a única. “Diferentemente do que diz o senso comum, a depressão é tratável e a maioria dos pacientes responde bem”, assegura Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Há outras boas notícias para enfrentar a doença, que atinge 350 milhões de pessoas no mundo – mais de 10 milhões delas no Brasil –, na proporção de duas mulheres para cada homem. Segundo o presidente da ABP, parte do prejuízo associado ao transtorno pode ser evitada. As perdas a que ele se refere são a diminuição da qualidade de vida e o ônus para a sociedade, já que a depressão só fica atrás das doenças cardiovasculares. De fato, crescem as evidências de que os tratamentos funcionam e podem ser seguros inclusive para gestantes. Após acompanhar 5 mil pacientes tratados com diversos medicamentos, Robert Gibbons, da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, observou melhoras substanciais em todas as faixas etárias. “Hoje o diagnóstico é mais fácil e as chances de sucesso no tratamento são maiores, o que não ocorria no passado”, diz o psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e professor da Faculdade de Medicina do ABC.

A depressão produz uma tristeza profunda, desproporcional às circunstâncias (tudo parece assustador demais), perturba o sono e o apetite, elimina a possibilidade de sentir prazer. Ainda que não deixe a pessoa prostrada na cama nem a impeça de trabalhar, esgota sua energia. “É como se eu tivesse um elefante fantasma em cima de mim”, comparou uma paciente atendida na Beneficência Portuguesa, em São Paulo. “A depressão é a solidão dentro de nós que se manifesta e destrói não apenas a conexão com os outros mas também a capacidade de estar em paz conosco mesmos”, descreve o jornalista e escritor americano Andrew Solomon, em O Demônio do Meio-Dia (Companhia das Letras). No livro, que ganhou por aqui nova edição em julho, às vésperas da vinda do autor para a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) deste ano, Solomon registra sua luta contra a doença e afirma que o oposto da depressão não é a alegria, mas a vitalidade. “O único sentimento que resta nesse estado despido de amor é a insignificância.” A saúde padece: cresce o risco de ataque cardíaco, menopausa precoce, perda de memória. Fora o perigo de suicídio. Todo ano são notificados cerca de 10 mil no país, 90% deles ligados à depressão grave. Ainda assim, Solomon defende que é possível viver bem, apesar da doença, e encontrar um sentido no caos para permanecer vivo. “Essa habilidade duramente aprendida infunde, na escuridão demoníaca, a luz do meio-dia.”

Não é um mal do nosso tempo. Os sintomas haviam sido descritos na Antiguidade pelo grego Hipócrates, o pai da medicina. O atual crescimento na incidência é atribuído ao maior número de diagnósticos e também à exposição aos gatilhos para quem nasce com predisposição genética. Entre eles estão o alto nível de stress, o ritmo acelerado da vida atual e a redução das horas de sono. Por muito tempo se supôs que a depressão fosse fruto apenas do déficit de serotonina (que atua sobre o humor, o sono e o apetite). Hoje se sabe que envolve outros mensageiros químicos, como a noradrenalina, responsável pela disposição e por manter a pressão em níveis normais, e a dopamina, que confere motivação para viver e participa do prazer, da memória e da atenção. Essa descoberta expandiu as fronteiras do tratamento. “A evolução dele tem produzido respostas mais rápidas”, destaca Antônio Geraldo da Silva. O combate à doença é feito com antidepressivos, como fluoxetina, sertralina e escitalopram, que normalizam a serotonina; ou a venlafaxina e a duloxetina, que agem sobre a serotonina e a noradrenalina. Também a agomelatina é usada para mirar os receptores da melatonina, indutora do sono. O psiquiatra faz a defesa dos antidepressivos: “Eles não viciam – como os remédios de tarja preta, erroneamente usados contra depressão, já que não conseguem debelá-la”. Os efeitos colaterais, em geral, são leves e toleráveis e variam de boca seca a náuseas.
Como os primeiros resultados aparecem em três semanas, os cientistas tentam abreviar o tempo de espera. Eles têm procurado um teste que aponte previamente se o paciente reagirá bem e rapidamente ao medicamento. Um possível marcador é o fibrinogênio, proteína fundamental para a coagulação. “Observamos que os pacientes com baixa concentração sanguínea de fibrinogênio respondem melhor”, diz o biólogo Daniel Martins de Souza, que iniciou os estudos na Universidade de Munique, na Alemanha, e continua agora na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Se o “candidato” for aprovado, a etapa seguinte será desenvolver estratégias para melhorar a resposta, como o uso da aspirina, dada a sua capacidade de inibir a ação do fibrinogênio.

Estímulos elétricos e magnéticos

Quando não há alívio, a depressão é considerada refratária. Então, podem ser adotados métodos como a eletroconvulsoterapia (ECT), em que o paciente recebe uma descarga elétrica de dois segundos para induzir convulsões e aumentar a concentração dos neurotransmissores que trazem bem-estar. “O procedimento é seguro e eficaz, pode ser indicado até para gestantes, mas, como requer internação e anestesia, não é usado como rotina”, explica Antônio Geraldo da Silva. Outro método é a estimulação vagal, que está sendo investigado na Universidade de São Paulo (USP). É invasivo: com procedimento cirúrgico, um aparelho semelhante a um marcapasso é instalado para estimular o nervo vago (um dos dez pares de nervos cranianos) e reequilibrar a produção de neurotransmissores. Já a estimulação magnética transcraniana (EMT) utiliza ímãs e ondas eletromagnéticas para promover alterações na atividade das células nervosas. “O efeito ainda não se compara ao do eletrochoque”, afirma o psiquiatra.

Uma arma importante é a psicoterapia. “Em caso de depressão leve ou moderada, ela é tão eficaz quanto os medicamentos”, diz o psicólogo Armando Ribeiro, coordenador do Programa de Avaliação do Stress da Beneficência Portuguesa, que acaba de participar de um curso de atualização em stress, ansiedade e depressão na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. “O melhor mesmo é associar as duas ferramentas, já que uma potencializa a outra.” Nas depressões severas, a psicoterapia ajuda a reduzir o risco de suicídio. As linhas mais usadas são a terapia comportamental cognitiva e a interpessoal. A primeira entende que os padrões de pensamento determinam as ações e, por isso, estimula o paciente a reconhecer e modificar visões distorcidas da realidade e transformar seu modo de agir. Já a interpessoal aprimora a capacidade de estabelecer relações saudáveis e resolver conflitos.

Fim do preconceito contra a depressão

Mais um aliado é o exercício físico regular. Caminhadas, musculação, dança e natação ativam a produção de endorfinas, o que leva ao bem-estar. “Além disso, aumentam o fluxo de oxigênio para o cérebro, estimulando novas conexões entre as células nervosas nas áreas debilitadas pela depressão”, esclarece Armando Ribeiro. O psicólogo sugere também a acupuntura: “Melhora o sono e ajuda a modular a produção de neurotransmissores”. Meditação e outras práticas de atenção plena (mindfulness) são bem-vindas. “Na depressão, o pensamento se prende ao passado. Essas técnicas mantêm a mente no presente.” Também contribuem o apoio da família e dos amigos e a fé (não no sentido religioso, mas de acreditar em algo). “Quem conta com esses suportes precisa de menos remédios”, diz Arthur Guerra. Para superar o estado depressivo e preveni-lo, é recomendado adotar dieta equilibrada (alimentos ricos em fontes de ômega 3, como sardinha, salmão, linhaça dourada e quinua), tomar sol (para ativar a síntese de vitamina D) e aprender técnicas para administrar o stress.

Mas, antes, é preciso vencer o preconceito. A campanha “Psicofobia é crime”, promovida pela ABP, luta pelo fim do estigma contra quem sofre com desordens mentais. “A depressão é uma doença como diabetes ou hipertensão. Não tem a ver com escolha, tipo de personalidade, covardia ou falta de força de vontade”, ressalta Antônio Geraldo da Silva. “Ninguém diz a um portador de diabetes: ‘Agora se concentre, faça um esforço e baixe sua glicose’. Em vez disso, o paciente é encaminhado a tratamento. Do mesmo modo, quem tem depressão deve ser visto como um doente que precisa de atendimento.” Solomon escreve em seu livro: “Todos gostaríamos que o Prozac resolvesse o problema, mas, pela minha experiência, o Prozac não resolve, a não ser que o ajudemos”. Isso também se aplica ao Botox ou a outros métodos que estão dando perspectivas de futuro para muita gente.

Fonte: Revista saúde

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Corrida ou caminhada?

Saiba qual é a mais adequada de acordo com os seus objetivos e aprenda a tirar o melhor proveito de cada uma das modalidades.
 corrida ou caminhada
O primeiro passo para começar a correr é investir na caminhada. “Andar é essencial para preparar o corpo de quem deseja apertar o ritmo depois”, orienta Orlando Laitano, fisiologista da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univast), em Petrolina, Pernambuco. “Mas aquela história de que a corrida sempre promoverá mais benefícios do que a caminhada não faz sentido, inclusive porque são práticas distintas, da intensidade à própria mecânica dos movimentos”, ele destaca.
  Ou seja, na busca pela saúde, há situações em que as passadas cadenciadas vencem, enquanto em outras são mesmo as aceleradas que alcançam determinadas metas. Vem do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, nos Estados Unidos, uma série de estudos com milhares de corredores e caminhantes para comparar o efeito dessas modalidades em coração, olhos, barriga... Sem contar que, em vários casos, é a combinação de caminhada e corrida que trará melhores resultados – um especialista pode indicar um treino intercalado mais apropriado a cada caso.
Saiba as vantagens específicas de cada uma dessas atividades na trilha por uma vida saudável.

Corrida

1 Perder (e manter) peso

Um dos artigos do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley deixa claro que corredores emagrecem com facilidade extra e conseguem se manter em forma por anos a fio. E não apenas graças ao alto gasto calórico que a intensidade elevada propicia. Além da queima de gordura, esse esporte acarreta mais saciedade, porque regula melhor os hormônios que diminuem o apetite.

2 Desenvolver os músculos

Manter-se em alta velocidade demanda bastante da musculatura das pernas, do abdômen e até das costas e braços. “A corrida, ao longo do tempo, fortalece essas regiões e aprimora a resistência física”, esclarece Cassio Trevizani, ortopedista e médico do esporte do Hospital das Clínicas de São Paulo.

3 Blindar os olhos

Em outro estudo do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, foi provado que tanto a corrida como a caminhada evitam o surgimento da catarata. Contudo, ao falarmos da prevenção contra o glaucoma, distúrbio que lesa o nervo óptico, modalidades mais cansativas são mais eficazes. “Em um trabalho que conduzimos com 15 voluntários em forma, treinos fortes abaixaram mais a pressão intraocular, principal fator de risco para o problema”, revela Marcelo Conte, educador físico do Hospital Oftalmológico de Sorocaba, no interior paulista.

4 Garantir um bom sono

Em sedentários, por exemplo, até passos vagarosos incitam a produção de hormônios como a endorfina, que relaxam o corpo e melhoram a qualidade das horas sob os lençóis. Mas, como explica o fisiologista Marco Túlio de Mello, diretor técnico do Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício, em São Paulo, conforme a pessoa evolui no treino, o indicado é elevar a intensidade, partindo para a corrida. “Ela liberaria maiores quantidades dessas substâncias em quem está preparado fisicamente.”

5 Trazer alegria

A endorfina também possui papel fundamental nesse estado de humor. Isso porque é umas das moléculas responsáveis por gerar aquela sensação de pazer depois de suarmos a camisa. “E ela é ainda mais produzida quando a carga de exercícios é maior, como ao corrermos”, avalia Orlando Laitano, fisiologista da Univasp.

Caminhada

1 Proteger o coração

Nas pesquisas do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, notou-se que a taxa de colesterol, assim como o risco de sofrer com diabete, hipertensão e infarto, era reduzida igualmente entre os voluntários que corriam e os que marchavam. “Mas a caminhada exige menos do coração, o que a deixa mais segura para amadores e sobretudo para quem acabou de sair do sedentarismo”, argumenta o cardiologista Nabil Ghorayeb, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo. Vale ressaltar que os resultados apontados nos estudos se referem a corredores e caminhantes que gastavam quantidades similares de energia. Ou seja, quem andava precisava se exercitar por mais tempo.

2 Fortificar os ossos

“O impacto das passadas estimula a produção de massa óssea”, resume Victor Matsudo, médico do esporte e diretor do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul, na região metropolitana de São Paulo. O impacto da caminhada fomenta a reciclagem adequada dos ossos, com a vantagem de causar menos fraturas por estresse do que a corrida. Andar chega a ser recomendado até para quem já sofre com osteoporose, de acordo com o estágio da doença.

3 Evitar lesões

A rapidez e os gestos típicos de quem pratica corrida culminam em sobrecarga, que pode gerar contusões em quem está despreparado. Para chegar a tal conclusão, a educadora física e professora da Universidade de Brasília Ana de David pôs 11 homens para correr devagar e, depois, para caminhar aceleradamente. Resultado: o movimento do trote, por si, castigava mais as articulações. Para acelerar, portanto, é preciso um trabalho prévio de fortalecimento, porque os músculos amortecem o choque.

4 Turbinar o sistema imune

Práticas leves ou moderadas aperfeiçoam a função das células de defesa diante dos micróbios nocivos. A informação vem de um relatório elaborado pela educadora física Tania Curi, da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, juntamente com o fisioterapeuta Vinícius Coneglian. Por sua vez, após exercícios mais intensos, a exemplo da corrida, há diminuição do trabalho de neutrófilos, unidades do sistema imunológico. 

Fonte: Revista saúde

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

12 produtos do dia a dia que podem desregular seus hormônios

Você pode nunca ter ouvido falar em desreguladores endócrinos, mas com certeza já esteve diante de alguns deles. A ciência está descobrindo que produtos do nosso cotidiano, como esmaltes, televisão e até água encanada, escondem substâncias capazes de alterar o funcionamento do nosso corpo. "Disruptores endócrinos são compostos artificiais ou naturais que interferem na ação dos nossos hormônios e nos expõem a doenças", define Tânia Bachega, presidente da comissão que estuda o tema na Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem). Hoje, há suspeitas sobre mais de 800 misturas químicas. "Elas estão na indústria e na agricultura e entram no corpo pela ingestão de água, de alimentos e pela respiração", diz a química Débora Santos, da Universidade Federal de Pernambuco. Os efeitos dos tais desreguladores podem demorar décadas para aparecer. E existem situações em que o problema só dá as caras nas gerações futuras.

Foi o que aconteceu com o dietilestilbestrol, remédio prescrito entre os anos 1940 e 1970 para gestantes. "Anos depois, as filhas das mulheres que o utilizaram desenvolveram câncer e infertilidade", conta o toxicologista Anthony Wong, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Só após 30 anos de uso e muitas vidas afetadas, sua venda foi proibida. Mas é provável que a ameaça não se restrinja aos fármacos. Que o ar que respiramos e a comida que engolimos também estejam "contaminados".

Uma pesquisa da entidade Environmental Working Group, especializada em saúde ambiental, apontou os 12 disruptores atuais mais perigosos.

Abaixo, você descobre quais são eles:

PBDE
Composto químico que evita que os equipamentos peguem fogo. É encontrado em eletrônicos, como celular, televisão e videogame, móveis, carpetes, colchões e alguns travesseiros. Podem causar distúrbios na tireoide, infertilidade feminina e problemas neurológicos em crianças. 


DIOXINA
Química presente em pesticidas como o DDT e no branqueamento do papel. Está relacionada a problemas como infertilidade, aborto, diabete, endometriose e déficits imunológicos. 


ATRAZINA
O herbicida é usado no controle de pragas de plantações de milho e cana-de-açúcar. Pode causar infertilidade e câncer. 


CHUMBO
O elemento químico encontrado em tintas, cigarro e água encanada pode estar por trás de distúrbios na tireoide. 


BISFENOL A
A substância é encontrada em alguns tipos de plásticos e revestimento de enlatados. O contato com ela está relacionado à produção de espermatozoides defeituosos, puberdade precoce, câncer, obesidade, diabete e doenças cardiovasculares. 


PERCLORATO
Encontrado em combustível de foguetes espaciais e na composição de fogos de artifício, pode causar distúrbios na tireoide. 


ARSÊNICO
O elemento químico está presente em pesticidas, alguns alimentos e água encanada. O excesso pode causar câncer de pele, bexiga, pulmões e alterações sexuais. 


MERCÚRIO
Presente em alguns peixes, frutos do mar e usinas de energia movidas a carvão, o metal está relacionado à redução do QI de crianças, problemas no ciclo menstrual e alterações no pâncreas. 


FTALATO
Esse grupo de compostos químicos pode ser encontrado em cosméticos, como esmaltes e perfumes, na pavimentação de ruas, cortinas de chuveiros, couro sintético e vinil. Pode causar anormalidades genitais, interferência em hormônios como testosterona e estrogênio e no desenvolvimento das mamas. 


QUÍMICOS PERFLUORADOS
Presentes em panelas antiaderentes, roupas, carpetes e capas de chuva podem causar distúrbios na tireoide e infertilidade.

COMPOSTOS ORGANOFOSFORADOS
Presentes em inseticidas, a química está ligada ao déficit de testosterona e problemas na gestação, como pré-eclâmpsia e até aborto. 


DIETILENOGLICOL
Esta substância encontrada em produtos de higiene pessoal e solventes industriais, pode estar ligada à redução na movimentação dos espermatozoides. 

Fonte: Revista Saúde

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Vacina da dengue pode chegar em 2015

vacina da dengue
Depois de vinte anos de pesquisa, um imunizante para os quatro tipos do vírus disseminado pelo mosquito Aedes aegypti surge para liquidar boa parte dos casos da doença

 
A cada minuto, uma pessoa no mundo é hospitalizada com sintomas da dengue. Já em um quarto de hora, é bem possível que um jovem morra em decorrência da doença pelo planeta. Esses dados assustadores são da Federação Internacional da Cruz Vermelha e dão uma ideia da gravidade do problema, que ameaça 40% da população global e é uma das maiores causas de morte nas regiões tropicais e subtropicais. A boa notícia é que falta (muito) pouco para esse cenário começar a mudar - inclusive no Brasil. A primeira vacina contra a dengue, desenvolvida pelo laboratório francês Sanofi Pasteur, está muito perto de ser aprovada pelas agências regulatórias de vários países. Depois do êxito em grandes estudos, a expectativa é que o produto esteja disponível para a população brasileira no final de 2015.
Os últimos resultados positivos do imunizante foram recentemente divulgados no periódico "The New English Journal of Medicine" e contemplam os achados de uma pesquisa realizada no Brasil e em outros países latino-americanos. Ela faz parte da fase final de estudos clínicos para validar o imunizante - que engloba análises de segurança e eficácia de três doses da fórmula em mais de 30 mil crianças e adolescentes da Ásia e da América Latina que moram em áreas endêmicas. Nas investigações com a faixa etária de 2 a 16 anos, a proteção contra casos sintomáticos chegou a 60,8%. Isso significa dizer que, para cada dez pessoas expostas à dengue, seis estariam imunes ao desenvolvimento da doença. Em relação aos casos mais graves (a chamada dengue hemorrágica), a proteção chegou a 95,5%. Além disso, houve uma redução de mais de 80% nas hospitalizações durante o estudo. "Essa vacina terá um impacto muito positivo na saúde pública, já que praticamente acabaria com as mortes por causa da dengue. Isso diminuiria, inclusive, os custos ao governo e aos planos de saúde em relação às internações", diz Sheila Homsani, gerente do departamento médico da Sanofi Pasteur. Será um reforço para erradicar (ou minimizar) o que muitos brasileiros presenciaram no ano passado: hospitais lotados, fila de espera, falta de leito e atendimento adequado para os infectados...

Eficácia comprovada

Foram mais de vinte anos de pesquisa até se chegar ao resultado esperado. A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), Isabella Ballalai, explica que toda vacina demora, no mínimo, dez anos para ficar pronta. "Além de muito tempo de pesquisa, há uma obrigatoriedade para segurança que exige um mínimo de 20 mil pessoas envolvidas nos testes para que se comprove a eficácia", esclarece. Em relação à vacina da dengue, houve um agravante: era preciso achar um imunizador tetravalente, ou seja, que protegesse contra os quatro principais sorotipos do vírus.
Depois de testadas em pessoas de 2 a 60 anos em todo o mundo, os últimos estudos foram direcionados para as faixas etárias mais suscetíveis às complicações da doença. Na avaliação da América Latina, que envolveu Brasil, Honduras, México, Colômbia e Porto Rico, foram 21 mil participantes de 9 a 16 anos acompanhados durante 25 meses após a imunização. "Nós dividimos essas pessoas em três grupos: dois tomavam três doses da vacina e um tomava a mesma quantidade de uma solução de água e sal, só que ninguém sabia se estava tomando a fórmula de verdade. Quando avaliamos as reações adversas dos três grupos, constatamos que não houve diferenças significativas entre eles", conta Sheila. Essa divisão é importante para atestar a segurança, uma vez que a vacina tem o vírus atenuado da dengue. É a garantia de que a pessoa vacinada não terá febre, dor no corpo e nas juntas, vômitos e outros sintomas típicos da dengue.
O número mínimo de doses necessárias para a imunidade foi baseado em estudos que medem a produção de anticorpos dos vacinados, como explica o infectologista e diretor do Núcleo de Doenças Infecciosas da Universidade Federal do Espírito Santo, Reynaldo Dietze: "Após a primeira dose, observamos que a quantidade de anticorpos caía após seis meses. Depois de um reforço, o mesmo acontecia. Na terceira dose, os anticorpos ficavam estáveis", conta o médico, que participou do estudo e continuará acompanhando a evolução das pessoas imunizadas até 2018. "Precisamos seguir essas pessoas por esse tempo para ver se adoecem ou não e quando precisarão de uma nova dose", completa Dietze.  

Será o fim da dengue?

A vacina se apresenta como uma luz no fim do túnel num país como o Brasil. Os últimos dados do Ministério da Saúde revelam que quase dois milhões de pessoas tiveram dengue sintomática no período de janeiro de 2013 a outubro de 2014. Os óbitos passaram de mil. Por isso, além da empresa francesa, muitos pesquisadores brasileiros estão em busca de alternativas de prevenir a epidemia e devem chegar com resultados positivos nos próximos anos. O Instituto Butantan fez parceria com o National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos e está testando outro modelo de vacina. A Universidade Federal de Minas (UFMG) também desenvolve um medicamento com financiamento público. Já a Universidade de São Paulo (USP) começou os testes com um pequeno grupo de voluntários em 2014.
O engajamento é motivado pela consciência de que assim que uma vacina chegar por aqui já pode reverter o cenário crítico e, mesmo que ela seja direcionada a um grupo de pessoas, é possível chegar a um quadro que os especialistas chamam de "imunização em massa". A explicação disso está na própria maneira que se dá a transmissão do vírus da dengue. A fêmea do mosquito Aedes aegypti pica uma pessoa infectada e carrega o vírus consigo até achar uma nova vítima. O agente transmissor vive em torno de um mês e não voa mais do que 3 km. Esse é o período e a distância que a fêmea tem para picar uma pessoa infectada. "À medida que você vai vacinando a população, mesmo que só parte dela, aquilo vira um verdadeiro quebra-cabeça para o mosquito. Ele não consegue encontrar alguém com o vírus", explica Dietze.

Os próximos passos

A Sanofi já conta com uma fábrica recém-inaugurada na região francesa de Neuville-sur-Saône dedicada somente à produção do seu imunizante. O processo de submissão do dossiê para aprovação da vacina pelas agências regulatórias acontece nesse primeiro trimestre. Aqui no Brasil, o registro e aprovação da imunização cabem à ANVISA (Agência de Vigilância Sanitária), bem como as indicações de bula e o grupo que deve ser vacinado inicialmente. Por causa de todas essas definições em aberto, a empresa ainda não consegue dizer se a vacina será distribuída somente no sistema privado ou público e qual o preço das doses. "A gente está na torcida pela rápida aprovação", conta Sheila.  Vale lembrar que a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem como meda a redução da morbidade (pessoas portadoras da doença) da dengue em pelo menos 25% e da mortalidade em 50% até 2020, o que deve acelerar a aprovação da vacina.
Enquanto ela não vem, você pode continuar fazendo a sua parte. "Eliminar o mosquito é uma tarefa árdua e merece toda a atenção do Ministério da Saúde e do governo, mas é importante reforçar que cada cidadão tem um papel nisso", alerta a especialista da SBIM. Por isso, mesmo com a chegada iminente da vacina, continuam valendo as medidas básicas para eliminar os criadouros do vetor da doença, como cobrir ou furar pneus, usar areia grossa em pratos e vasos de flores, não deixar lixo em vasilhames que possam acumular água, virar garrafas vazias de boca para baixo e tampar caixas d’água.

Fonte: Revista Saúde

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

WH Brasil adverte: você pode ser uma viciada em café

CaféQuem nunca tomou um cafezinho para dar uma sacudida no começo da manhã, para se manter acordada ou para ficar mais concentrada?
Os números revelam que no Brasil ele reina. O estudo mais recente da Associação Brasileira da Indústria do Café revela que o brasileiro toma em média 80 litros da bebida ao ano. Mas, ao levar em consideração que muitos outros alimentos e até medicamentos contêm cafeína em sua composição, o consumo da substância sobe expressivamente.
Hoje é possível encontrar cafeína nas mais diversas variações de café, em chás, em bebidas energéticas e à base de cola, em suplementos e até em analgésicos e inibidores de apetite. Quem acha que está escapando da substância ao consumir a versão descafeinada se engana. Uma xícara de 50 ml tem de 0,45 a 0,90 mg de cafeína. Tudo bem, a quantidade é muito menor se comparada à versão tradicional (um expresso tem 50 mg), mas não é zero. Médicos explicam que é impossível retirar toda a cafeína do grão.
Muita gente nem imagina, mas chocolate, balas, gomas de mascar e outros alimentos também podem conter a substância. Nos EUA, a adição da cafeína em alimentos é alvo de investigação da Food and Drug Administration (FDA) desde o ano passado. O órgão manifestou preocupação após empresas incluírem a substância em guloseimas que podem ser atrativas a crianças e adolescentes, como chiclete e marshmallow. Na terra do tio Sam, é possível encontrar também sementes de girassol, aveia e até waffles turbinados com ela. As empresas que comercializam esses alimentos destacam nas propagandas que uma porção tem mais cafeína do que uma xícara de café. "Numa sociedade como a nossa, em que todos parecem ter a sensação de que um dia não basta, esse estimulante surge como a droga lícita mais eficaz. É como se baldes de cafezinho pudessem prolongar o dia útil em algumas horas", avalia o nutricionista esportivo Rodolfo Peres, de Londrina (PR).
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não informa a quantidade de cafeína que uma pessoa pode ingerir, alegando que as evidências científicas não permitem estabelecer tal referência. Mas avaliações de outros países afirmam que o parâmetro seguro fica entre 300 e 400 mg por dia. Quanto você precisaria ingerir de café para atingir esse limite? O médico Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, responde: de quatro a seis xícaras de café de 50 ml. Lembrando que a quantidade de cafeína depende do tipo e do tamanho da xícara de café utilizada.

Meu bem, meu mal

A nutricionista gaúcha Tatiana Galdino, mestre em gerontologia biomédica, explica que a cafeína, por ser um estimulante, atua sobre o sistema nervoso central, favorecendo o estado de alerta e a concentração, além de melhorar o humor e a memória. A capacidade para a prática de atividade física também é influenciada pelo consumo dela, que, além de diminuir a fadiga durante os exercícios, auxilia no processo de redução de gordura corporal.
O maior problema, aponta a nutricionista esportiva catarinense Thayse Stapassoli, especialista em nutrição ortomolecular, é que a cafeína também pode ser encontrada em refrigerantes, chocolates, sobremesas e doces. "O conteúdo calórico desses alimentos e bebidas supera o pouco efeito da substância na perda de peso. Além disso, se aquela xícara de café ou chá vem acompanhada de chantilly e biscoitos, as calorias se superam e os efeitos positivos - como acelerar o metabolismo - acabam sendo eliminados."
Após a ingestão, o caminho da cafeína no organismo é bastante rápido. Ela demora somente alguns minutos para ser absorvida pelo estômago e pelo intestino. Depois, cai na corrente sanguínea e chega ao mesmo tempo a todos os órgãos. Seus efeitos podem ser sentidos em cerca de 20 minutos, atingem o pico uma hora e meia após a ingestão e, depois de cerca de quatro horas, praticamente não existe mais nenhum efeito, quando é metabolizada e eliminada pelos rins.

Pretinho Básico

amenic181/ThinkStock/Getty Images 
É praticamente impossível falar sobre a cafeína sem mencionar o café, considera Tatiana. Alguns estudos demonstram vários benefícios dele para a saúde. Dados epidemiológicos apoiam a visão de que o consumo ocasiona menor risco de doenças como Parkinson e Alzheimer, um efeito favorável sobre a função hepática (minimizando o risco de desenvolver esteatose hepática, conhecida como "fígado gorduroso"), um possível papel na perda de peso (em função da atividade termogênica) e uma diminuição do risco de desenvolver certos tipos de câncer (endométrio, próstata, colorretal e fígado).
Estudos ainda mostram que o consumo de café tem uma associação significativa com a diminuição do risco de diabetes tipo 2. A ingestão da bebida também foi inversamente associada com a mortalidade, com o menor risco naqueles que consomem de duas a quatro xícaras por dia. O médico Luiz Antonio Machado César, do Instituto do Coração (InCor), de São Paulo, cita um estudo americano que associa o consumo do café à menor chance de derrame cerebral.
Entre adultos saudáveis, a moderada utilização de uma dose diária de 300 mg não esteve ligada a efeitos adversos. Mas outras análises mostraram que a cafeína, quando utilizada isoladamente, promove uma piora na tolerância à glicose.

Aliada de atletas

O educador físico André Lopes, do Rio Grande do Sul, lembra que o uso de cafeína em atividades esportivas hoje é permitido, mas já foi proibido pelo Comitê Olímpico Internacional, sendo considerado doping. Ele ressalta que a substância tem sido sugerida como um recurso bastante interessante no processo de desempenho de atletas. "Na dose apropriada, ela pode ser uma aliada para elevar a performance e fazer o metabolismo acelerar, utilizando assim mais energia no momento do exercício", observa a nutricionista Danielle Milhão, de Porto Alegre, especialista em nutrição atlética e alto rendimento. Se o objetivo for aumentar a massa muscular, o uso antes da academia também pode auxiliar na evolução no treino de hipertrofia por facilitar a contração muscular. Em atividades físicas que requerem muita concentração (luta, musculação), deve-se ter bastante cautela com a dosagem, pois em excesso pode causar uma agitação excessiva e atrapalhar a qualidade do exercício.
Tatiana acrescenta que a substância altera os níveis de neurotransmissores no cérebro, bloqueando químicas que levariam a atleta ao cansaço mais rapidamente, conferindo uma sensação de alerta permanente. Além disso, os benefícios fisiológicos também podem estar relacionados ao fato de a cafeína estimular a liberação de gordura na corrente sanguínea. Pode ser que o aumento do nível de ácidos graxos no sangue permita que os músculos usem a gordura como combustível e poupem o glicogênio (fonte de carboidrato do organismo), o que facilita o exercício.
Mas o nutricionista Rodolfo Peres recomenda o uso moderado de cafeína, principalmente antes da prática de atividade física. "Observo pessoas usando cafeína para compensar uma noite maldormida. Isso pode trazer a fadiga muscular, pois o estado de alerta que atua no sistema nervoso central não compensa a falta de recuperação gerada pelo descanso."

Entenda os Riscos

Experts também alertam: a cafeína é uma droga que pode causar dependência física e psicológica, uma vez que estimula o cérebro a utilizar os mesmos mecanismos de anfetaminas, cocaína e heroína. "Os efeitos dela obviamente são mais leves. É por isso que algumas pessoas que consomem regularmente café, quando não tomam sua dose diária, tendem a ficar mais irritadas, ansiosas e com dor de cabeça", diz Tatiana.
Todo mundo deve conhecer uma pessoa que relatou ter consumido cafeína durante a noite e teve dificuldades para dormir. Qual a razão para que isso ocorra? A neurologista Dalva Poyares, do Instituto do Sono de São Paulo, explica que ela pode aumentar o número de microdespertares que normalmente ocorrem durante o sono. Ela inibe a substância adenosina, que, ao se acumular durante o dia, proporciona proteção ao sono. E, quando é bloqueada, tende a aumentar a vigília. A cafeína pode alterar os estágios do sono na primeira parte da noite, e ele não será tão tranquilo.
Estudos mostram que, além de deixar a pessoa mais alerta, a substância provoca taquicardia, o que tende a levar a uma dificuldade para adormecer. Mas os problemas para quem sofre de insônia podem ser ainda maiores, como esquecimento, aumento de pressão e outros problemas cardíacos.
Para a nutricionista gaúcha Ana Carolina Bragança, mestre em gastroenterologia e hepatologia, os alimentos ricos em cafeína devem ser ingeridos durante o período diurno. A partir das 16 horas, o cérebro começa lentamente a diminuir sua atividade. Se o consumo for após esse horário, há chances de problemas para dormir. Mas nem todo mundo tem tendência à insônia - algumas pessoas são mais suscetíveis a alertas.
Por outro lado, relata Dalva, se alguém tem uma dependência a essa substância, pode ter dificuldades para dormir se não consumi-la.
É muito comum observar pessoas usando cafeína após uma noite maldormida. Porém Danielle observa que esse estimulante apenas mascara o cansaço. Se o problema for a falta desono, ele ajuda a passar bem o dia, mas os distúrbios hormonais que a privação de uma noite bem dormida pode acarretar, nenhum estimulante soluciona.
O médico Darcy Lima, que pesquisa os efeitos do café na saúde humana há mais de duas décadas, orienta que pessoas com qualquer doença gástrica ou cardiovascular e transtornos de ansiedade não usem cafeína. Mulheres gestantes ou que estejam amamentando também devem evitá-la.
A nutricionista Rita Cherutti, de Porto Alegre, alerta que a substância em excesso pode trazer malefícios como qualquer outro composto químico, como irritabilidade, agitação, ansiedade, dor de cabeça, problemas estomacais, palpitações, arritmias cardíacas, diarreia, desidratação e vômito. Nas dosagens tóxicas, pode causar até a morte. Por isso, a ordem é: consuma com moderação.

Cafeína e medicamentos

Há no mercado medicamentos com cafeína na composição, principalmente contra dor de cabeça e gripe. Segundo a farmacologista Patrícia Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), a substância age como analgésico.
Além das pessoas com problemas de pressão alta, que devem evitar a cafeína, quem tem asma e toma broncodilatadores, que aumentam o sistema de alerta, deve manter distância de remédios com essa substância para que não haja um estímulo ainda maior. O mesmo ocorre a quem faz tratamento para cólicas (com medicamentos da família da escopolamina). A mistura é capaz de fazer o coração bater mais rápido e estimular o cérebro. Todos os produtos para emagrecimento também aumentam o batimento cardíaco. Por isso, deve-se evitar a associação com cafeína.
Pessoas em tratamento para pneumonia e infecção urinária com quinolona não devem ingerir cafeína nem na forma de alimento, alerta Dalva Poyares.
Ao fazer uso do remédio com café, por exemplo, é como se a quantidade consumida fosse multiplicada. Entre os sintomas estão agitação e taquicardia.

Cafeína com moderação

A nutricionista Tatiana Galdino dá um exemplo de como consumir cafeína com moderação. Vale lembrar que para os cálculos foram adotados os menores valores (em mg) encontrados em cada porção dos alimentos abaixo.
1. Café da manhã
Café coado: 1 xícara de 100 ml (40,5 mg de cafeína)
2. Almoço
Ice Tea (chá gelado): 1 copo de 300 ml (23 mg de cafeína)
Café expresso: 1 cafezinho de 30 ml (50 mg de cafeína)
3. Lanche da tarde
Cappuccino (com um shot de expresso): 1 taça média de 150 ml (50 mg de cafeína)
Total: 301,5 mg de cafeína